13 de Setembro – Potosi – Uyuni

Hoje o dia amanheceu bem bonito, nada que ver com a tarde de ontem. A surpresa foi depararmo-nos com o Cerro Rico nevado. No entanto, com o sol que brilhava pela manhã, rapidamente a neve foi derretendo.

Aproveitamos este e muitos outros cenários desde o topo da Igreja / Convento de São Francisco.
A vista daqui é fabulosa, alcança todo o caos de Potosi e seus arredores. Mais uma vez, e tal como tinha acontecido com a Igreja de La Merced, em Sucre, o telhado é uma beleza à parte, cheio de formas, a fazerem concorrência às dos cerros que dominam a cidade.

Seguiu-se uma visita à Casa de la Moneda que entrou para a história, entre outras, pela exclamação que o rei de Espanha que governava na época da sua construção terá deixado escapar quando soube o seu preço final, qualquer coisa como isto: “deve ser toda em prata”. O seu edifício do século XVIII ocupa todo um quarteirão e para além de nos mostrar o processo da cunhagem das moedas (que cessou em 1953 e, curiosamente, hoje não há mais cunhagem de moeda na Bolívia, sendo que os “bolivianos” vêm de Espanha, França e Canada) possui algumas pinturas do maior pintor boliviano, Melchior Perez Holguin, e outras obras anónimas que, presumivelmente, serão da autoria de indígenas da escola de Potosi que, apesar de não saberem ler, tinham bastante queda para as artes. Um dos mais conhecidos é o quadro “La Virgen del Cerro”.

A manhã – os últimos momentos em Potosi – foi, assim, bem aproveitada, antes de nos pormos a caminho de Uyuni.

À tarde esperava-nos uma viagem de 6 horas numa carripana (que desta vez ninguém arriscou apelidar de “boa”) em que as malas são atiradas (literalmente) para o tejadilho e cobertas com uma lona. Talvez isto impeça a chuva de as molhar, mas não impediu o pó de as borrar todas.
Dentro do autocarro a confusão é total. Em lugares para 2 sentam-se pai, mãe, 2 filhas mais a bagagem e brinquedos que não foram para cima. Estrada – de terra – fora vão entrando mais e mais passageiros e, mesmo que o autocarro esteja cheio, parece que cabe sempre mais um. O corredor fica, então, totalmente ocupado com passageiros e sua bagagem. Não há qualquer problema em sentar no chão ou mesmo por cima do meu braço, invadindo quase por completo o lugar daqueles a quem, por sorte, calhou entrar logo na 1.ª paragem. O que mais impressiona por aqui é que os passageiros fazem as muitas horas da viagem em pé e espremidos, sejam jovens, criancinhas ou velhotes. E quando algum de nós quer sair numa das paragens improvisadas no meio do caminho onde com muita dificuldade se vislumbram povoações, aí então é a aventura total. Levantam as pessoas que estão no corredor, passam as suas bagagens ou filhos recém nascidos para quem está sentado e com o colo vazio, encolhem-se, e lá vai quem sai. Entretanto, junto ao condutor o cenário não é muito diferente – todo o espaço “livre” tem de ser ocupado, num esforço louvável para não deixar apeado quem quer que seja.

A chegada a Uyuni revelou-nos uma cidade que… não gosto mesmo nada de dizer isto de um local, mas… passa.
Porém, antes de “passar” por esta desinteressante cidade direi apenas que Uyuni tem cerca de 14000 habitantes que vivem a 3669m, sendo um importante ponto de passagem de comboios, uma vez que estes daqui seguem ou prosseguem para Oruro e Potosi (na Bolívia), Calama (Chile) e Villazón (Argentina).
Fora isto, a maioria daqueles que chegam e param em Uyuni fazem-no em trânsito, utilizando-a como ponto de partida para o tour pelos salares, vulcões e lagoas que se encontram nas suas redondezas. Nós não fugíamos à regra e deitamo-nos excitadas pela viagem de jipe que iríamos realizar nos próximos 3 dias, naquele que viria a ser o ponto alto da viagem à Bolívia e uma das experiências mais gratificantes na nossa vida de viajantes.

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