Por Veneza

Veneza faz-nos lembrar Lisboa. Pode parecer pretensiosismo dizê-lo assim, e logo de começo, da cidade de todos os elogios, de todos os superlativos, considerada por muitos como a mais bonita do mundo.
E pode parecer falta de abertura em conhecer e reconhecer as diferenças e novidade dos sítios para onde fugimos do nosso lar.
Mas não. Quer apenas dizer que nos sentimos bem em Veneza, “La Serenissima”, bem com a multidão (não era assim tanta) e bem com o cheiro (se estava lá não chegou ao nosso olfacto).
E porquê a conversa de Lisboa?
Porque se sente pelas estreitas ruas de Veneza, aninhadas nos incontáveis canais, a intimidade que se vive nas ruas dos bairros históricos e mais pitorescos de Lisboa, Alfama à cabeça, claro. É deveras familiar esta roupa estendida à janela. Mas com a corda a unir dois edifícios divididos por um canal, só em Veneza.

E porquê mais? Esta serve como desculpa: porque foi do país donde Lisboa é capital que veio parte do contributo para o começo da “decadência” do monopólio de Veneza como cidade mercantil, ao descobrirmos o caminho marítimo para a Índia. “Decadência” relativa, pois pode uma cidade que viu nascer nomes como Marco Polo, Casanova, Vivaldi, Titian, Tintoretto, Tiepolo e Canaletto jamais ser afectada pela decadência?
A cidade do Tadzio, o rapazinho dumas férias de Verão no Lido que elevou Morte em Veneza de Thomas Mann a livro obrigatório?
A cidade onde decorrem hoje eventos como a Bienal e o Festival de Cinema?
E que dizer a nomes encantadores como Ponte dos Suspiros? Talvez que foi uma pena que a dita estivesse em restauro, ficando-nos assim apenas pela poesia da sua designação.

E, depois, bem, depois há tudo aquilo que já se sabia.

A Praça de São Marcos, com a Basilica de São Marcos, o Palácio dos Doges, o Campanário, a Torre do Relógio e Café Florian. Tudo peças de arquitectura que deslumbram, que permanecerão definitivamente na memória depois de as termos visitado in loco.

Os bairros para lá dos canais – os Sestieri – Cannaregio, San Polo, Dorsoduro e Guidecca, Santa Croce, San Marco e Castello.
Tentámos caminhar por todos eles, fazendo um esforço para não nos perdermos – sim, confesso, perde metade da piada de uma experiência em Veneza.
Giudecca de uma placidez rigorosa, mesmo se hoje lugar dos grandes hotéis como o Cipriani ou o Hilton que vieram substituir as estruturas industriais de outrora.
Cannaregio profundo, bairro onde se sente que vive mesmo gente.
San Polo das igrejas e da incontornável Ponte de Rialto e do seu mercado.
Santa Croce o único bairro onde são permitidos carros – na estação de autocarros e no parque de estacionamento.
Castello mais castiço e popular, casa do Arsenal da Marinha.
Dorsoduro dos palácios e museus.

San Marco dos turistas.

E para o fim fica o Grande Canal. A avenida mais movimentada de Veneza é um constante vai e vem de barcos e gôndolas que vão navegando bem junto aos lindíssimos palácios que os ricos de outros tempos foram erguendo ao longo dos cerca de 3km de comprimento do maior canal de Veneza. São edifícios em estilo bizantino, gótico, barroco, renascentista, moderno. O difícil aqui é não nos acotovelarmos para ganhar a melhor posição aos outros turistas no barco público.

A escapada até Veneza fez-se nesta passagem de ano. Felizmente que as tão proclamadas e esperadas multidões de turistas não marcaram presença. Deu para caminhar sem empurrões e visitar atracções sem esperar eternidades. Em compensação, uma surpresa – a neve. Levantar no dia 1 de Janeiro de 2009 e ver os telhados todos branquinhos foi um mimo.

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