Rumo a Machu Picchu – 1.º Dia do Caminho Inca

No total dos 4 dias são 33km de caminhada pelo Vale Sagrado até se chegar ao destino: as ruínas incas de Machu Picchu.
O caminho tradicional – turístico – de 4 dias tem o seu início ao km 82 da estrada de Cusco para Aguas Calientes, a cerca de 2200m, e é apenas um dos muitos caminhos que os antigos incas percorriam. Para se seguir por estes trilhos há que fazê-lo obrigatoriamente com uma agência e guias devidamente licenciados, com verificação de documentação e registo de entrada ao início do caminho. Temos até direito a carimbo no passaporte. Os grupos nunca são muito grandes e o nosso – sorte – tinha o que será a dimensão ideal: 6 pessoas, a saber, 2 irmãs portuguesas, 1 casal canadiano, 1 argentina sola e 1 dinamarquês quarentão. Todos os outros tinham trinta e poucos anos. Poderia haver grupo mais uniforme? Com o correr dos dias viríamos a concluir que nem escolhidos a dedo nos poderíamos vir a dar melhor.

Este tour não é nada barato. No nosso caso foram 435 dólares por pessoa, sem o carregamento dos nossos pertences pelos carregadores e respectivas gorjetas. Há que não carregar com muita coisa, mas é inevitável levar alguma roupa – tanto faz calor quando o sol abre, como frio quando o sol se vai –, alguns snacks para ir comendo quando a fome aperta e o cozinheiro ainda não deixou a mesa pronta, alguma água para não desidratar, repelente para combater os bicharocos, protector solar, estojo de primeiros socorros não vá o azar bater à porta, máquina fotográfica para a posteridade e … seca, saco cama e rolinho para fazer de assento e a dita cama não ser tão dura. Os carregadores têm um trabalho a raiar o absurdo (e nós compactuamos com isso) e levam às costas, para além das suas coisas, o que os turistas lhes pagam para levar (dizem que com um muito duvidoso limite de 20 kg), as tendas, as mesas e cadeiras onde vamos fazer as refeições e comida e bebida para os dias todos. Todos têm um aspecto gasto, muito superior à sua idade real, usam umas sandálias que não os protegem minimamente e deixam ver claramente os pés com cortes largos e profundos. E lá vão a correr, passando por nós, levezinhos, quase que em excesso de velocidade.

Neste primeiro dia alancámos com aquele peso todo e iniciamos os cerca de 13km e 5 horas pelas 11:00. Foi uma caminhada fácil, sem grandes subidas, com o rio Urubamba, que aqui toma o nome de Vilcanota, por companhia e banda sonora, ouvindo ora vagamente ora intensamente o som da sua água a correr, e as montanhas com o topo nevado a dar grandiosidade ao cenário. O vale é belíssimo.

Vimos o primeiro sitio arqueológico do caminho desde cá de cima – o Llactapata, com os seus socalcos de terraços circulares.

Pelo caminho – apenas do primeiro dia – ainda se vão encontrando pequenos povoados e vendedores de refrigerantes e chocolates.

Chegamos ao acampamento, em Wayllabamba, a cerca de 3100m – os carregadores haviam chegado bem antes e já tinham as tendas montadas – e com pouca demora jantámos. Depois de um almoço de truta, à noite foi a vez de carne com arroz. Neste primeiro dia ficámos com a suspeita – todas as refeições seguintes confirmada – de que o cozinheiro era fantástico: comida variada, sempre com sopa, prato principal e sobremesa.

Apesar de a caminhada deste primeiro dia ser fácil, o cansaço estava instalado e só me apetecia era ir dormir (talvez por desconfiar que não o iria conseguir fazer, afinal de contas seria a minha estreia a dormir em tenda). Eis senão quando chega um grupo de velhotes (mesmo) alemães para perto de nós, mas para se juntarem às cervejolas que uma pequena mercearia vendia no local onde assentaram o nosso acampamento. O certo é que a cerveja deve ter-lhes dado bastante energia porque no segundo dia saíram pouco antes de nós e nunca mais os vimos a não ser novamente à noite, no novo acampamento. Haja vigor.

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