Boxing Day

Seguindo à risca o cumprimento do meu plano londrino – andar a pé – tive logo no dia 26 de Dezembro, o Boxing Day, uma providencial ajuda: o metro em greve. Esperei, esperamos todos, então, pelo autocarro londrino que me levaria de Earl´s Court até Oxford Street. Depois dai logo se veria, mas uma coisa era certa: tentar entrar nas lojas no primeiro dia de saldos estava fora de questão – faltei aos treinos de preparação defensiva, ou ofensiva, sei lá, para compras. Só a bicha afugentava.
A ideia era chegar a Spitalfields para o mercado de mesmo nome e para o de Bricklane. Consegui outro autocarro para Liverpool Street e livrei-me de andar um pedaço. A partir daqui a minha sina conta-se de forma breve:
Mercados não havia: era o boxing day;
Loja de música Rough Trade East fechada, era o boxing day;
Pessoas na rua nem vê-las, poupo-me a dizer porquê.
Solução? Ir a pé até Canary Wharf, como tinha pensado num momento de menor sanidade mental.
E o certo é que é bem possível e agradável. Da Tower Bridge Tamisa adentro no sentido contrário à civilização aparece-nos pela vista e sentidos surpresa atrás de surpresa. Começa logo com um bairro de casas recentes com uma marina no centro, e respectivos barcões, bem ao lado da Tower Bridge, mas que passa bastante discreto. Um pouco mais à frente, depois de andar às voltas, vou ter a uma zona chamada muito apropriadamente Spirit Quay, transportando-me directamente para Veneza.

A partir dai estava um pouco perdida e o objectivo era ter o Tamisa mesmo à minha direita. Lá consegui e descobri que existe o “Thames Path”, especialmente ideal para ser aproveitado em dias tão pouco londrinos como este domingo: de céu limpo e soalheiro aqui e ali. Olhando para trás já não via a Tower Bridge, nem qualquer outro símbolo que identificasse Londres; para a frente só se via imponente Canary Wharf e as suas torres, já também parte da paisagem de uma outra Londres.

Mesmo assim, que bom era ir vendo amiúde o Pepino (parece que se vê de qualquer lado de Londres, e ainda bem – conferir em futuro post), a mostrar que não estava assim tão longe.
A chegada a Canary Wharf fez-me lembrar que não tinha nada a fazer ali se não apenas alcança-la a pé. Depois de uma curta inspecção pelo local – do qual gosto, muito – voltei. De autocarro, desta vez.
Até Barbican. E, adivinhem? O centro de exposições estava fechado. Pois, boxing day. Também já estava conformada e dei a volta a esta imensa cidade dentro da cidade. Não dei por mal empregue o tempo e, apesar de não me ter cruzado com ninguém na rua neste percurso todo, gostei.

De Barbican era um pulinho até Convent Garden, onde tudo acontece e onde haveria vida, certamente. Uhm… Vida, vida, só encontrei nos autocarros cheios para voltar para a minha nova casa. Em Marble Arch, até onde andei para passar o tempo, só consegui apanhar o quarto 74 que passou.
Até que cheguei fresquinha e, olhando para o mapa vejo que podia ter andado mais uns metrinhos e atravessado o rio a nadar e… estava em Greenwich. Aquela que antes me parecia tão distante.

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