Wadi Rum – Deserto

Wadi Rum, a terra dos beduínos não é assim tão cosmopolita. Vêem-se alguns, poucos, turistas nos jipes para lá e para cá, contornando as rochas, as dunas, as tendas do chá e das recordações turísticas. O condutor que nos calhou, que não era guia, era um verdadeiro beduíno totó. Salam não perdia a oportunidade de a cada paragem tirar a sua almofadinha e deitar a descansar um pouco na areia debaixo da sombrinha de um rochedo. De inglês, com esforço, conseguia dizer hello.


Do passeio de um dia e uma noite no deserto, para além da paisagem linda e reconfortante, deu ainda para nos apercebermos do quão perto estão os jordanos e os seus beduínos da mentalidade ocidental. O povo beduíno sente-se discriminado em relação aos outros jordanos, quer no tratamento dado pelo governo quer pelos seus concidadãos. Serão vistos como preguiçosos e como tendo pouca vontade de se integrarem na sociedade, em especial no mercado de trabalho. Quanto ao condutor Salam, de 27 anos, e à sua almofada companheira, estamos conversados. Já o outro miúdo que tinha uma tenda de chá no meio do deserto, junto às Lawrence Springs, esse conseguiu aos 23 anos juntar dinheiro suficiente com os negócios com os turistas para comprar um jipe Cherokee. Os seus maiores entretenimentos eram, um, ir até Amman passear-se dentro do seu jipe para ver as mulheres não beduínas e causar inveja nos homens não beduínos e, outro, sair noite fora pelo deserto, sempre com o seu jipe, acelerando até matar os coelhos que conseguisse. Parece estranho?



O por do sol em Wadi Rum é fenomenal, criando-se umas cores entre o céu e a terra irreais. Como não há muita gente por ali, não é difícil sentirmo-nos umas privilegiadas naquele momento.
Depois de uma refeição típica e de um pouco de música tocada pelos rapazes da terra, não há muito mais a fazer se não ir dormir, não sem antes levantar o pescoço e olhos para o céu e vê-lo todo pejado de estrelas. Mas há que dormir dentro da tenda, pois apesar de termos tido sorte com as temperaturas, faz frio suficiente para não se arriscar a beleza de dormir ao relento. Ainda assim, a ida ao deserto, seja de noite ou de dia, é experiência a não perder na Jordânia.

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