As Águas Abertas


Para a prova de águas abertas, ou maratona aquática, foi escolhido como palco o Hyde Park. Beleza garantida, assistência idem, ambiente fantástico ibidem. Até o sol ajudou e mostrou que em Londres também pode haver verão.

Depois de passear pela Serpentine Gallery e ver pela primeira vez um dos pavilhões arquitectados pelos grandes exclusivamente para a temporada de verão (desta vez a obra de arte ficou a cargo da dupla suíça Herzog & de Meuron e o chinês Ai Weiwei, onde foi utilizada cortiça portuguesa), cheguei ao lago de mesmo nome com uma hora de antecedência em relação ao meio-dia, hora da partida da prova. Ai fiquei logo completamente stressada porque a multidão era mais do que muita. Junto ao Lido, o pessoal mais previdente já tinha tomado de assalto todas as cadeirinhas com vista para o lago. Mais adiante, toalhas estendidas no chão marcavam o território para mais uns quantos. Era assim ao longo de todo o lago. Não tive outra solução se não a de ir furando aos poucos por entre uns ocupantes na fila dianteira até conseguir debruçar-me confortavelmente sobre o separador que dava para a água. E depois da partida foi só esperar sob um sol inclemente que os nadadores passassem bem juntinho a mim. Cabeças levantadas, uma diferença em relação à natação em piscina, os rapazes lá iam controlando o caminho e os adversários de uma ponta à outra do lado, com os anéis olímpicos estrategicamente colocados na Ponte Serpentine.

  


O tunisino Oussama Mellouli, campeão olímpico nos 1500 livres em Pequim 2008 e medalha de bronze na mesma prova uns dias antes em Londres 2012, só podia ser o favorito. Só podia, não porque nadar em piscina e ser nela campeão olímpico faça alguém favorito para as águas abertas, mas porque dar-se ao trabalho de treinar para duas situações tão distintas merece ter como prémio a vitória. E ele teve-a. O nosso Arsénio lá foi no grupo intermédio, cabelos loiros russos à solta, um dos poucos a nadar sem touca.

Copacabana irá ser o palco desta prova no Rio 2012, por sinal um local onde me orgulho de ter nadado também numa prova. Pese embora todo o carisma da “princesinha do mar” não vai ser fácil bater o Hyde Park em ambiente, moldura humana e boa disposição, quer junto à água quer nos imensos jardins deste que é um dos maiores e mais históricos parques de Londres.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s