O Laos

Depois de ter estado no sueste asiático percorrendo o Vietname e o Camboja, havia na altura ficado com pena de não ter dado uma saltada ao vizinho Laos, em tempos parte da Indochina francesa juntamente com os outros dois. O Laos era considerado mais autêntico e tranquilo, ainda longe das hordas de turistas que encontramos em Halong Bay ou Angkor. Cinco anos depois pudemos comprová-lo.

O Laos é um dos poucos países do mundo de regime comunista. Mas no que ao turista diz respeito, isso não se nota grandemente. Não vemos o culto da personalidade, com constante presença da figura do presidente em cartazes ou outros do estilo, apenas se vêem aqui e ali as bandeirinhas do partido. A pessoas, essas, parecem-nos claramente felizes. Quanto à pobreza, neste que é um dos países mais pobres do sueste asiático, ela não é tão visível assim. Não porque os laoenses pareçam sempre felizes, sorrisos postos quase como imagem de marca, mas porque não vemos pedintes ou sujidade nas pessoas. Pelo contrário, e pensando apenas em questões de sobrevivência, as casas têm paredes e tectos e ao lado há sempre umas terras para trabalhar e umas galinhas para cuidar. Telemóveis existem aos magotes, ainda que não da nova geração ou tablets. Não quero com isto dizer que o país seja rico. Apenas que parece ter condições para deixar de ser pobre. Aliás, começam a despontar investimentos na área das minas (ouro e cobre) e energia hidroeléctrica.

 

Elemento fortíssimo na paisagem do Laos (tal como nos seus vizinhos, mas aqui em maior extensão) é o rio Mekong, com as suas margens e vales férteis. Não é coincidência o Mekong passar por todas as maiores cidades do Laos: Luang Prabang, Vientiane, Savanaketh ou Pakse. Éele que delimita a fronteira quer com a Tailândia, quer com o Camboja. As suas águas são barrentas e as suas margens variam em extensão, chegando a atingir os 14 kms. Nas terras que visitámos não iria além de uns 500 metros, mas o seu carisma é intenso em qualquer lado.

 

O que mais surpreende no Laos, para além da tranquilidade das suas pessoas, é a sua paisagem. 69% do território é pura floresta. É simplesmente fantástico ver Luang Prabang lá de cima e encontrar o Mekong e seus afluentes serpenteando pela intensa vegetação. Se a presença da vegetação é assim tão intensa nas cidades, imagine-se só nas zonas mais rurais – a maior parte do país.

 

Ou seja, rios e montanhas verdejantes, um caminho garantido para o desenvolvimento do eco-turismo e turismo de aventura num país ainda dominado pelo budismo e seus monges vestidos de cores de açafrão. O budismo traça de forma marcante a personalidade dos laoenses. Aqui qualquer rapaz passa uma temporada (seja de um mês, três meses ou até uma vida) num mosteiro, os wats. E quarteirão sim, quarteirão não encontramos um wat, não como se cada aldeia quisesse ter a sua igreja, mas como se cada rua exigisse em templo.

 

Por fim, registo para um passado do Laos que não será tão conhecido. Aliás, deve dizer-se que em Portugal poucos são aqueles que parecem ter alguma vez ouvido a palavra Laos (fora os tradicionais “mas o que é que vais para aí fazer”). A tal ponto que quando tentava explicar para onde ia nestas férias, desisti, passei a dizer que ia para a Tailândia. Durante nove anos, entre 1964 e 1973, na época da Guerra do Vietname, o Laos foi bombardeado a uma média de 8 minutos, porque os americanos não queriam que os comunistas aí tomassem o poder. O país ficou transformado num autêntico campo minado. E muitas dessas minas acabaram por não explodir. Ou seja, até hoje não houve condições para se limpar todo o país, daí que se estime que todos os anos cerca de 100 pessoas sofram com essas bombas ainda não desactivadas que lhes roubam a vida ou parte do corpo.

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