Japão – Tóquio – 9.º dia

A manhã deste dia foi dedicada toda ela a viajar – de comboio – para Tóquio. Optámos por seguir via Matsumoto, a outra porta de entrada dos Alpes juntamente com Takayama.

Andar de comboio no Japão é toda uma experiência. Existem linhas para quase todos os locais e os horários são frequentes. Comodidade é a palavra de ordem. Mas a organização japonesa é o que faz tudo funcionar na perfeição. Ter a oportunidade de perder tempo a assistir ao ritual que medeia entre a chegada de um comboio e a partida desse mesmo comboio de volta ao ponto de origem é ficar a conhecer um pouco mais dos japoneses e da sua capacidade de trabalho. O comboio chega e, enquanto os passageiros vão saindo, os funcionários que irão tratar de preparar o comboio para nova viagem aguardam às suas portas, fazendo alguns deles as vénias típicas. Assim que o último cliente deixa a carruagem, eles entram rapidamente e, de uma forma absolutamente treinada e mecânica, recolhem o lixo, substituem os lenços das cadeiras e viram-nas a eito, numa espécie de bailado, para que os próximos clientes possam viajar de frente. Tudo numa rapidez esteticamente perfeita, bem a tempo de permitir que o comboio saia para a sua próxima viagem à hora certa.

Já em Tóquio, depositadas as mochilas no hotel, vimos que este estava estrategicamente (pura sorte) localizado em Nippori, a dois minutos de uma das estações da fantástica linha circular Yamanote, da Japan Railway. Traduzindo, conveniente e coberta pelo nosso passe. Ou seja, enquanto ficámos neste hotel (à excepção dos últimos dois dias da viagem, em que, uma vez mais por pura sorte, o nosso passe já não estava activo) conseguíamos chegar a qualquer sítio à “borla”. De referir que em Tóquio o comboio e o metro são praticamente a mesma coisa, partilhando estações.

 

 

Começámos por uma caminhada até ao Parque de Ueno, passando pela rua Yanaka Ginza, uns quantos templos pequenos e um cemitériocom umas lápides bem diferentes daquelas a que estamos acostumadas. A Yanaka Ginza é uma pequena rua comercial, com mercearias e lojas de chá, que ficaria bem em tempos idos. Às 17:30 metade das lojas já estão fechadas, para que não haja dúvidas de que na mega Tóquio, a cidade que verdadeiramente nunca dorme (estudorecente prova-o),é possível viver-se a outro ritmo.

E, para algo totalmente diferente, seguimos para Ginza, provavelmente a zona de Tóquio mais conhecida e reconhecida mundialmente. Fim de tarde, pretendíamos sentir o ambiente da frenética e cosmopolita Tóquio e fazer horas para o nosso tão ansiado jantar.

Aqui encontramos todas as melhores e maiores marcas do mundo, cada uma delas com direito a um edifício inteiro só para elas. Já que estávamos no Japão, calhou bem iniciarmos o périplo pelas lojas na Muji. A questão é que mesmo ao lado fica a Tokyu Hands, outra mega loja com adereços de todo o género que possamos imaginar. Oferta e possibilidade de escolha é o que não falta.

Logo pasmámos com uma esquina com um edifício branco com recortes (Mikimoto) e vimos que, para além dos objectos de marca, havia que deliciarmo-nos com os próprios edifícios em si. Alguns exemplos, entre muitos mais, são o edifício da Loius Vuitton, da Maison Hermes e da Dior.

Consumo, arquitectura e movimento são as palavras. As ruas são largas e planas e aqui encontramos alguns edifícios ao estilo ocidental, sendo o mais famoso provavelmente o Wako Tower, o do relógio. Ginza serviu, nos finais do século XIX, de modelo de modernização e urbanização para o novo regime Meiji. Hoje vem sendo ultrapassada no ultra consumismo por outras zonas da cidade que foram, entretanto, surgindo, como Omotesando e Daikanyama.

No entanto, no meio de todo este comércio em alta escala encontramos ainda espaço para o teatro Kabuki-za. Infelizmente, desta vez não houve tempo para o kabuki.

Mas era o jantar deste dia que esperávamos vir a ser um dos pontos altos de toda a nossa viagem. O escolhido foi o Kagurazaka Ishikawa e confirmou-se como uma das nossas melhores refeições de sempre. Apesar de possuir três estrelas Michelin, não há nada de pretensioso nele. Ficámos ao balcão (existem ainda quatro salas privadas), duas portuguesas entre cinco chineses – dois casais e uma rapariga sozinha, que não se conheciam entre si. Ou seja, não fora a barreira linguística e tudo convidava à informalidade. O menu muda todos os meses. Reportagem do nosso aqui.A apresentação dos pratos, como não podia deixar de ser, foi lindíssima. A simpatia do chef e seus assistentes encantadora. A curiosidade era partilhada – nós queríamos saber deles e eles de nós, entusiasmados, pareceu-me que sinceramente, por receberem duas portuguesas. Tudo perfeito com esta alimentação por parte de todos os nossos sentidos.

De volta ao hotel, pudemos constatar como é vibrante a vida nas ruas de Tóquio até a noite se aproximar do dia seguinte. De facto, se eles dormem em média 5 horas e 48 minutos (como refere o tal estudo), em todos os bairros temos de os encontrar a pé até tarde, quem sabe a fazer horas para ir para o trabalho no outro dia. Neste dia sentimos isso no bairro de Kagurazaka, mas nos próximos dias senti-lo-íamos em qualquer outro bairro por onde passámos, fosse em Ikebukuru ou Ebisu, como já o havíamos sentido em Shinjuku, nenhum deles lugar específico da moda para se sair à noite.

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