Por São Paulo – Parte 3

O dia começa no Copan, edifício gigante projectado, em 1951, pelo nome maior da arquitectura brasileira, Oscar Niemeyer. Apesar do projecto inicial ser de Niemeyer, este, por insatisfação quanto ao rumo da execução do projecto e por estar a caminho do grande projecto de Brasília, entregou a execução do Copan ao arquitecto Carlos Lemos.
Copan marca pela sua configuração sinuosa e pelos números. Com 115 metros de altura e 35 andares, congrega 1160 apartamentos distribuídos por seis blocos, acolhendo milhares de residentes, o que o transforma no maior edifício residencial da América Latina. Para além da componente residencial, acolhe também no piso térreo a vertente comercial.
Vamos até à sala do síndico, vulgo condomínio na nossa terra, fazemos o registo de entrada deixando os nossos nomes num caderninho (todos os visitantes do edifício têm que passar por este procedimento) e esperamos que o Jorge, deduzo que um dos vários zeladores, nos acompanhe até ao terraço. Dali avistamos mais uma vez a cidade de cima. Grande. Muito grande. Sem fim. Mesmo ao lado o Circolo Itália, que visitámos na véspera.
Em baixo um edifício com pista de atletismo. Em cima helicópteros. Vários helicópteros. Parece excêntrico, mas nesta cidade, onde o trânsito impera, acredito que seja prático.
Ainda tentamos visitar um apartamento, mas aquela hora a maioria das pessoas estão fora. Se conseguíssemos podíamos conhecer tanto um apartamento mínimo como outro maior. Cujo morador podia ser uma manicure ou um arquitecto, pois a diversidade social dos residentes é grande.
Descemos. Já no asfalto, descemos mais um pouco, ao subsolo e seguimos de metro para a Paulista, para a estação MASP-Trianon. Damos de cara com uma das obras mais emblemáticas da arquitecta Lina Bo Bardi, o Museu de Arte de São Paulo (MASP), de 1968. A arquitecta de origem italiana procurou transformar este museu num espaço popular, longe, como a própria criadora referiu do “esnobismo cultural tão querido pelos intelectuais”.
Com um vão enorme (70 metros), apoiado em duas grandes vigas e quadro pilares com um pé direito livre de 8 metros, o museu impressiona pelo seu estado bruto e pela forte presença na paisagem urbana.
Visitamos a bela exposição Passagens por Paris, que propõe um passeio pela arte moderna, com obras feitas entre 1866 e 1948 por artistas icónicos do período como Manet, Degas, Cézanne, Gauguin, Van Gogh, Matisse, Renoir, Toulose-Lautrec, Picasso, Modigliani, Portinari. Em comum todos eles viveram, produziram e passaram por Paris.
Ainda na Avenida Paulista visitamos a interessante exposição Cidade Gráfica, patente no Itáu Cultural.
Mais à frente deslumbramo-nos com a magia e arte do muralista e artista plástico Kobra, que homenageou Oscar Niemeyer com uma grande pintura (52 metros de altura e 16 metros de largura) na empena do edifício Ragi.
Aproveitamos também para visitar uma das poucas reminiscências que ainda sobram da fase inicial da Avenida Paulista, a Casa das Rosas.
A outrora mansão em estilo clássico francês (de 1935) que reunia os barões do café na época da prosperidade agrária, sobreviveu às diversas transformações assistidas na história económica da cidade, que se foram plasmando nas transformações da Avenida Paulista, nomeadamente quando deixou de ser a avenida ligada à agricultura, para passar a ser a via dos casarões dos industriais e depois a avenida do mundo financeiro, com os seus arranha-céusTudo em menos de um século. Actualmente, a Casa das Rosas, perpetua a memória histórica da evolução da cidade, mas transformou-se num espaço cultural ligado à poesia e literatura.
Tempo de pausa e reconforto gastronómico. Almoçamos, na área dos Jardins, no restaurante Epice, do chef Alberto Landgraf, considerado pelo S. Pellegrino World´s 50 Best Restaurants como o 36º melhor restaurante da América Latina.
A tarde foi passada no coração verde da cidade, o parque Ibirapuera, cujo projecto arquitectónico foi da responsabilidade de Oscar Niemeyer.
Deambulamos pelo parque, assistimos à dinâmica de quem ali pratica exercício ou simplesmente passeia, deliciamo-nos com as obras arquitectónicas ali presentes.
Logo de início cruzamo-nos com o Monumento às Bandeiras, homenagem aos bandeirantes, esculpido por Victor Brecheret.
Depois de entrarmos no parque confrontamo-nos com diversas obras arquitectónicas, a maioria de Oscar Niemeyer, nomeadamente o Planetário, o Museu Afro Brasil, a Grande Marquise, o Oca, o Museu de Arte Moderna (MAM), o Pavilhão Ciccilo Matarazzo, conhecido também como Pavilhão da Bienal, por ser actualmente sede da Bienal de São Paulo e do Museu de Arte Contemporânea (MAC), o Auditório do Ibirapuera.

Todas as obras arquitectónicas são fantásticas, mas destaco o Auditório e a sua língua.

Aproveitamos para visitar a exposição do MAM e a Bienal de São Paulo, que se realiza a cada dois anos e é um dos eventos mais importantes das artes plásticas no mundo.
No Ibirapuera há marcas de alguns dos nomes maiores da street art, dos Gémeos e de Kobra. Os Gémeos têm um belíssimo painel à entrada do MAM, já Kobra apresenta três obras debaixo da elegante Grande Marquise, que foram feitas no âmbito da comemoração dos 60 anos da obra de Niemeyer.
À saída o sol começa a pôr-se e deliciamo-nos com as cores do final do dia.
 
Terminamos o dia no Skye Bar, na cobertura do Hotel Uniqueprojecto do arquitecto Ruy Ohtake, o mesmo do Instituto Tomie Ohtake. Aqui, num ambiente de festividade, vimos a noite chegar e a grande cidade iluminar-se. Uma delícia.

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