Roma Clássica, entre o Renascimento e o Barroco

O império romano, apesar de ter tido ao seu comando diversos líderes fantásticos e visionários, teve também loucos mais preocupados com orgias e incendiários (casos históricos de Caligula e Nero) e homens banais que foram levando a um desgaste. Quando Constantino criou Constantinopla, no século IV, como uma nova capital esse foi um forte pretexto para o já esperado declínio do império romano do ocidente.
Roma era já cristã e os papas viriam a ter domínio sobre a cidade.
Mas, para memória futura, parece haver um lapso de importância da cidade até ao renascimento (século XV) e ao barroco (século XVII) emergirem e darem uma nova cara à cidade – apaixonante até aos dias de hoje.
Com efeito, estas épocas produziram uma profunda influência na cidade e muito do que hoje vemos e admiramos é um seu legado. Michelangelo deixou a sua marca um pouco por toda a cidade e a par do barroco de Bernini e Borromini ou Caravaggio são hoje os maiores produtos de ajuntamentos de turistas a nível global. Não obstante, é impossível deixar de visitar pela primeira vez ou voltar a ver estes lugares icónicos de Roma:
(A igreja de Trinitad dei Monti, no topo das Escadaria da Praça de Espanha – que Rilke via como cascatas -, e a Fontana di Trevi estavam em restauro e, logo, incapacitadas de serem admiradas em parte ou no todo)

Piazza Navona – na Roma antiga este era o espaço do antigo Estádio de Domiciano. Hoje a marca forte são as suas três fontes. Ao centro a Fonte dos Quatro Rios (representando os maiores até então conhecidos: Ganges, Nilo, Danúbio e Prata) donde sai o obelisco. Obra de Bernini, fica mesmo à porta da igreja de Sant’ Agnese in Agone, obra de Borromini. Diz-se que Bernini tapou o rosto de uma das suas estátuas para que esta não visse, em sinal de desprezo, a igreja do seu rival (as outras estátuas estão todas de rosto virado para outros lados). É com certeza falsidade, mas se não é vero é bem trovato – mais um dos mitos que nos faz enredar ainda mais em Roma. As outras fontes da Piazza Navona são a Fonte do Mouro, com o Deus do mar ao centro, e a Fonte de Neptuno, com este a arpoar o polvo. À volta da Piazza Navona ficam das ruas e praças mais encantadoras da cidade. Muito a descobrir, portanto.
Praça do Capitólio, cujo pavimento de linhas geométricas é obra de Miguel Ângelo (sem foto).
Boca da Verdade, só para assistir à fila interminável de indivíduos ávidos de confirmar o óbvio: mesmo que sejamos mentirosos a boca não morde (sem foto).
(Boca por boca e fila por fila, mais vale caminhar um pouco até Aventino)

Aventino, com as vistas fabulosas da cidade e com uma tranquilidade inspiradora. A Via di Santa Sabina concentra um sem número de igrejas (a dos Dominicanos é incrível) e miradouros. Destaque para a fechadura do edifício da Ordem de Malta, com vista directa para a Basílica de São Pedro antecedida de uma avenida rodeada de bosques – lindíssimo postal.

Obelisco de Santa Maria sopra Minerva, em 1667 Bernini criou esta delicada e exótica peça artística, colocando um obelisco no dorso de elefante em mármore.

Ponte de Santo Angêlo, com Mausoléu de Adriano ao fundo e acesso à Praça de São Pedro. A Bernini foi dada a missão de criar uma passagem simbólica para o Vaticano. A ponte já existia, mas o artista adornou-a com dez estátuas de anjos que transportam os símbolos da paixão de Cristo. Desta passadeira sobre o Tibre obtém-se vistas fantásticas de Roma, em especial das silhuetas da Basílica de São Pedro e outras igrejas ao final do dia.

Vaticano, mesmo que não se seja crente, não se pode deixar de ocupar um dia inteiro por aqui. A Praça de São Pedro, porta de entrada, foi desenhada por Bernini que procurou dar a imagem dos braços da igreja abertos para abraçar toda a humanidade. Dentro da Basílica de São Pedro, para cuja reconstrução no século XVI foram convidados os grandes mestres e génios da época, destaque para algumas obras de arte que se evidenciam no meio de muitas outras: o Baldaquino, de Bernini, e a Pieta e a cúpula, ambas de Miguel Ângelo. Desta última, do alto dos seus 136 metros de altura, obtém-se, provavelmente, as melhores vistas de toda a cidade de Roma. 
E, depois, ainda faltam os Museus do Vaticano. A entrada é só uma, mas as salas são tantas que é certeira a designação no plural. A sensação que aqui se tem é quase a mesma da de um hipermercado a um fim de semana, sempre cheio, com as pessoas a quererem chegar aos produtos mais famosos, ou seja, à Capela Sistina, de Miguel Ângelo. Bom para quem quer ver a Pinacoteca – fica na ala contrária e parece que a multidão não dá por ela. Destaque ainda para as imperdíveis Salas de Rafael e Galeria das Cartas Geográficas.

Quanto a palácios e vilas do renascimento, a eleita é a Vila d’ Este, no Tivoli. As famílias romanas, nessa época, construíram luxuosas residências, com jardins e edifícios com espaço suficiente para acolherem as suas coleções de arte. A Vila d’ Este é um excelente exemplo, possuindo uns jardins fabulosos onde a água é o elemento central. A colecção de fontes e cascatas é inesquecível e o cenário que as envolve um excelente coadjuvante.

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