Reichstag – O Símbolo da Alemanha Reunificada

O Reichstag é atualmente um dos maiores ícones de Berlim.
Porém, para chegar aos dias de hoje já passou por muito. Foi alvo de um incêndio, bombardeado, deixado ao abandono, reconstruído, envolto em tecido, renasceu como símbolo maior da reunificação e, por fim, transformou-se na morada principal do Parlamento Alemão (Bundestag). Tudo por ordem cronológica.
 
 
O edifício foi construído no final do século XIX, quando a Alemanha ainda era uma monarquia constitucional conhecida como Deutsches Reich. Foi a sede do Parlamento Alemão entre 1894 e 1933 , ano que a cúpula original feita de aço e vidro – considerada muito avançada à época – foi destruída por um incêndio.
Os nazis instrumentalizaram o incêndio para destruir as garantias de um Estado de direito e reforçaram o seu poder ditatorial. 
Entretanto durante a 2ª Guerra Mundial o edifício foi bombardeado. Mais tarde, em 1945, os soviéticos hastearam a bandeira vermelha numa cornija no alto do Reichstag. A fotografia desse momento histórico, captada por Yevgeny Khaldei, ficou famosa e simbolizou a derrota nazi.
 
 
Em 1960 o edifício foi reconstruído, para um ano depois, com a construção do Muro de Berlim, ficar numa posição peculiar, mesmo junto à fronteira entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental. Apesar de se situar no lado ocidental, até à queda do Muro ficou sem nenhuma função e apenas como símbolo da fractura política e da falta de perspectivas.
No final dos anos 80, quando se começava a denunciar o fim da Guerra Fria, artistas de renome como David Bowie, Pink Floyd, Michael Jackson tocaram ali.
Já depois da queda do Muro e da reunificação, os artistas Christo e Jeanne-Claude ,em 1995,  embrulharam o edifício com um pano prateado. Esta estrondosa intervenção pretendeu simbolizar o arranque da nova Alemanha, já que após o término desta obra artística, começaram os trabalhos de renovação do Reichstag como a nova sede do Parlamento Alemão, na sequência de Berlim ter novamente voltado a ser capital.
Assim, em 1999, o Reichstag volta a ser de novo a sede do Parlamento, agora com outra imagem, e âncora do novo bairro do Governo Federal construído depois da reunificação.
É a partir dessa data que no skyline de Berlim passa a existir um novo símbolo, a cúpula de vidro do Reichstag, desenhada pelo britânico Norman Foster. Foster preservou o edifício do século XIX, mas fez uma intervenção arquitectónica futuristica na forma e na essência. Um conjunto de preocupações de eficiência energética estão por trás deste magnífico projecto.
 
 
É possível visitar a cúpula, assim como a sala do Parlamento mediante marcação prévia e, no caso desta última, com visita guiada.
Visitámos só a cúpula. Que já dá para encher as medidas. Esta visita permite admirar as vistas sobre a cidade, aprender sobre o edifício e sobre os elementos marcantes da envolvente.
 
 
Ainda assim, adicionalmente, passamos por algumas partes do edifício e deslumbrado-nos com a qualidade arquitectónica e artística que contém. 
Logo à entrada damos com uma obra de Gerhard Richter. Trata-se de uma composição multicromática de 21 metros de altura por três metros de largura, com as três cores da bandeira da Alemanha. Obra muito elegante e denunciadora do que viria a seguir.

Subimos de elevador e chegamos à base da cúpula. Acompanhados do autoguia, iniciamos a subida de 230 m da rampa em espiral, que se desenvolve à volta de um cone envidraçado que foi criado para desviar a luz natural para a sala do plenário, que fica abaixo da cúpula. Como metáfora da transparência e abertura política, da cúpula é possível ver as actividades que se desenrolam na sala do plenário.
 
 
 
 
Enquanto subimos a rampa, e nos maravilhamos com a arquitectura da cúpula, vamos recebendo informação sobre o edifício e a envolvente urbana. Aproveitamos também para ver as vistas. De um lado avista-se o elegante edifício da Casa das Culturas do Mundo e o amplo Tiergarten, despido e em tons secos por aqueles dias invernosos.
 
 
Doutra perspectiva vê-se também o Tiergarten e a Potsdamer Platz com a cúpula do Sony Center e o edifício do Deutsch Bank.
 
 
Mais ao lado os vários edifícios do bairro governamental.
 
 
Também logo ali ao lado vê-se as Portas de Brandemburgo e o Memorial ao Holocausto.
 
 
Para leste a Catedral de Berlim, junto à Ilha dos Museus, e a Torre da Televisão, com o rio Spree a serpentear.
 
 
 
Apesar do dia chuvoso as vistas são contagiantes.
Chegando ao topo percebemos que a cúpula é aberta, tudo por questões de eficiência energética, já que, por exemplo, a água da chuva é aproveitada para a refrigeração do edifício e o ar viciado sai pela cúpula.
 
 
 
Sentimos que o rigor alemão só poderia ter como casa governamental uma obra arquitectónica tão rigorosa e completa como esta.
 
 
 
Enquanto lá fora o frio marca presença com temperaturas seguramente abaixo dos 0 graus, mesmo por baixo da cúpula uma senhora asiática joga com os graus ao colocar o seu corpo em ângulos impossíveis, tudo em nome de uma fotografia.
 
 
Desço a pensar que a natureza humana é extraordinária. É capaz de enfrentar os maiores desafios e de alcançar os melhores feitos e criações. 
Bravo Sir Foster. 
Bravo Senhora Asiática.

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