Potzdamer Platz – O Renascer do Centro Antigo

Nas Asas do Desejo (Wings of Desire), filme de Wim Wenders, vemos um grande baldio junto ao Muro de Berlim. É a Potsdamer Platz. Melhor, era a Potsdamer Platz dos anos 80, altura em que foi rodado o filme. Melhor ainda, foi a Potsdamer Platz do período entre a 2ª Guerra Mundial e os anos 90 do século XX.
 
 
Outrora, até à 2ª Guerra Mundial, esta parte da cidade foi uma área histórica cheia de vitalidade. Correspondia ao centro de Berlim e era ali que se concentrava o comércio e entretenimento. 
Com a 2ª Guerra Mundial, Berlim foi fortemente bombardeada e a Potsdamer Platz foi destruída em 80%. 
A partir de 1961, com a construção do Muro de Berlim, em que um troço passava mesmo ali, e durante 28 anos, até à sua queda, tornou-se ainda mais uma área abandonada e esquecida, por se localizar na faixa “morta” ou terra de ninguém entre Berlim Ocidental e Oriental.
Nos anos 90 iniciou-se a sua reconstrução (em 1998, quando visitei pela primeira vez Berlim, esta área estava um verdadeiro estaleiro), que culminou, no início do segundo milénio, com o aparecimento de uma nova paisagem urbana pós-moderna. Inclusivamente, a Potsdamer Platz, passou a ser a área que melhor reflecte a dinâmica da Berlim reunificada.
Este novo território congrega praças, escritórios, museus, cinemas, teatros, hotéis, apartamentos e concentra o talento de arquitectos como Renzo Piano, Rafael Moneo, Richard Rogers, Helmut Jahn, entre outros.
Foi neste território renascido, no restaurante Facil (2 estrelas Michelin), inserido no The Mandala Hotel, que tivemos recentemente o prazer de fazer uma óptima refeição com Meryl Streep. O hotel e restaurante estão inseridos numa das três secções da Potsdamer Platz, a DaimlerCity, que congrega hotéis, centros comerciais, entretenimento, nomeadamente a gala da Berlinale, que decorreu durante a nossa estadia, daí a presença da Meryl.
 
 
 
Nesta secção podemos encontrar também arte pública, designadamente esculturas de Keith Haring, Robert Rauschenberg e Mark Di Suvero.
 
‘Boxers’ de Keith Haring
 
“Galileo” de Mark Di Suvero
 
É no sector da DaimlerCity que fica o Grand-Hyatt Hotel da autoria de Rafael Moneo e o edifício de comércio, escritórios e habitação desenhado por Richard Rogers.
 
 
 
Na DaimlerCity fica ainda o número 1 da Potsdamer Platz, a Kollhoff Tower do arquitecto Hans Kollhoff.
 

 
Para além de ser a sede de inúmeros e prestigiados escritórios de advogados, alberga a Panoramapunkt, um miradouro a 100 metros de altura, de onde se tem óptimas vistas sobre a cidade. Para aí se aceder sobe-se no elevador mais rápido da Europa.
Ainda a repormos o equilíbrio perdido com a velocidade estonteante do elevador, avistamos do topo a Casa das Culturas do Mundo, de Hugh Stubbins, no Tiergarten. 
 
 
A cúpula do Sony Center e o edifício dourado da Filarmónica de Berlim.
 
 
O edifício da Deutschen Banh e o Reichtag.
 
 
O Memorial do Holocausto.
 
 
A Leipzig Platz.
 
 
A Berliner Ferbsehturm, ou Torre da Televisão, e a área da Alexander Platz e da Ilha dos Museus, com a cúpula da Catedral de Berlim.
 
 
À frente da Kollhoff Tower, fica uma réplica do semáforo mais antigo da Europa, que teve como primeira morada este local.
 
 
As outras secções da Potsdamer Platz são o Beisheim Center e o Sony Center.
 

 
À frente do Beisheim Center fica a entrada principal da estação de comboio Bahnhof Potsdamer Platz e alguns segmentos do Muro de Berlim.
 

 
 
Mais segmentos do Muro são possíveis de encontrar junto ao Sony Center e à Liepzig Platz.
 
 
A cúpula da praça central do Sony Center, desenhada por Helmut Jahn, é provavelmente o elemento mais icónico da Potsdamer Platz. Inspirada no Monte Fuji, é feita de vidro e aço e rompe céu acima, pelo que é visualmente muito forte.
 
 
 
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Na secção do Sony Center localiza-se também, entre outros elementos, o edifício dos escritórios da Deutsche Bahn.
 
 
 
Apesar do conjunto de constelações do mundo da arquitectura parece-me que este território não é tão extraordinário como poderia ser. Apesar de um espaço público de qualidade, a área não respira de tanta concentração e densidade de edifícios. Tirando um ou outro edifício, quase que é impossível apreciar as obras de arquitectura aqui instaladas. 
Contudo, não restam dúvidas que esta nova Potsdamer Platz voltou a dar muita vitalidade a esta área da cidade, que, tal como no passado, voltou a ser uma das centralidades de Berlim.

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