Parque Natural Tayrona

O Parque Tayrona fica às portas de Santa Marta, estendendo-se por cerca de 35km junto ao mar, e a sua entrada principal – a mais distante da cidade – encontramo-la a uma hora de carro de distância.




Optámos por dormir fora do Parque, a uns 15 minutos da sua entrada, em Guachaca, nuns eco-lodges em cima da areia e debaixo dos coqueiros. 
A natureza comanda e o barulho é intenso. 
Barulho do mar revolto, barulho dos pássaros e bichos comunicativos. Nem quero saber que bichos eram, ainda em sentido pelo rosto e sorriso afável do senhor que nos disse que por cá havia crocodilos. 
A vida aqui segue tranquila, espreguiçadeira junto à água acompanhada de um livro, passeio pela a areia tentando definir o contorno das montanhas que estão para lá dos altos coqueirais, evitando o choque com os troncos elegantes que a natureza em alguma fúria ali deixou.
Indolência pura. Nada mais. 
Sem surpresa, a noite traz um céu repleto de pontinhos brancos, todas as estrelas possíveis e imaginárias.

(obviamente, nem o mar nem os bichos se calaram de noite; quem não suporta o som da natureza terá dificuldades em dormir por aqui)


O dia seguinte passámo-lo no Parque Tayrona, um dos parques naturais mais populares entre os colombianos e também entre os estrangeiros que visitam o país. 

Os Tayrona foram o primeiro povo indígena com quem os espanhóis se depararam no Novo Mundo, precisamente na Sierra Nevada de Santa Marta, e vendo o seu ouro logo aqui se criou o mito do El Dorado. Este povo pré-hispânico era uma sociedade culturalmente avançada que, não obstante, viria a ser dizimada pelos espanhóis em poucas décadas, ainda no século XVI. No Parque Tayrona existe ainda hoje uma povoação – Pueblito (caminhada de ida e volta de cerca de 8 horas que, com pena, não fizemos) – com alguns vestígios arqueológicos e algumas famílias da tribo kogi, descendentes dos Tayrona. A par de Ciudad Perdida (caminhada em tours de 4 dias desde Santa Marta), capital achada apenas nos anos 1970, Pueblito era um dos povoados mais importantes dos Tayrona.

Os kogi possuem um imenso respeito pela Natureza. Para eles, terra e água são sagrados. Estes guardiães da Natureza que habitam ainda hoje o Parque Tayrona e a Sierra Nevada mantém algumas tradições, como a das mulheres darem à luz de pé e dormirem no chão para estarem junto à mãe terra, enquanto os homens podem dormir em redes.




Após a entrada principal do Parque, a de El Zaino, há que caminhar bastante e não raro encontramo-nos com alguns kogi. Aqui temos selva e mar – a terra e a água, os elementos sagrados dos Tayrona. 
Não admira que os primeiros colonos tenham tido dificuldade em penetrar neste ambiente de densa floresta. Nesta que é a montanha costeira mais alta do mundo, chegando aos 4000 metros de altitude num sopro, vemos desfilar pelos nossos sentidos um microcosmos feito de uma variedade enorme de fauna e flora, sendo muito provável que quase todas as espécies se possam adaptar a este pedaço de terra e mar que é senhor de uma diversidade de condições climatéricas. 




A nós, que andámos pela parte mais oriental do Parque, tocou-nos experimentar da sua inclemente humidade. Os senderos podem ser classificados de fáceis (com excepção do que segue até Pueblito), estão bem marcados e o piso não é empecilho, mas a humidade faz-nos suspirar pela chegada em breve da água das suas praias. O que acontece é que a maior parte delas está vedada a um singelo mergulho, como a extensa e lindíssima Arrecifes, uma vez que a costa é brava, sendo inúmeros os avisos de que por aqui as mortes já superaram as centenas. A excepção são as praias de La Piscina e de Cabo San Juan del Guia, este último a duas horas de caminhada desde a entrada de El Zaino.
Todas as praias são lindíssimas, com um enquadramento perfeito de vegetação massiva e pedras esteticamente modeladas. Não raro, estas praias de areia branca possuem umas baías acolhedoras que logo arrancam em subida para constituírem uma montanha. 




Paisagem, pura paisagem, é do que se trata.

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