Hackney desde London Fields até Brick Lane

Manhã do último domingo de Fevereiro em Londres, temperatura de 5 graus. Que tal começar o dia com umas braçadas num dos lidos da cidade? Na piscina ao ar livre do London Fields Lido, por exemplo. Parece uma ideia congelante? Ok. Admito. Começaremos então o dia chuvoso e friorento apenas a observar os corajosos nadadores.

O meu imenso gosto por Londres leva-me a querer ir para lá da city e conhecer os bairros que a rodeiam. Já tinha estado no borough de Hackney, mas não na área do London Fields.


A poucas estações de Overground da estação de metro de Liverpool Street, vamos vendo desfilar pela janela do comboio o início dos subúrbios da zona Este de Londres. O The Gherkin a ficar cada vez mais para trás, as torres da Canary Wharf ao longe, edifícios residenciais de tom escuro como o dia lado a lado com algumas estruturas industriais que ainda resistem numa zona antes decadente e que tem vindo a sofrer uma gentrificação.



London Fields, então. No seu parque veem-se muitos corredores no seu exercício matinal. Na piscina, já se sabe, alguns (muitos) usam a água a 26 graus como refúgio para os 5 graus do ar cá fora, mas não estas cobardolas.




Atravessamos o parque e seguimos para a rua Broadway Market. Esta rua corre entre o London Fields e o Regent’s Canal e aos sábados é palco de um mercado de comida (que falhámos). Actualmente este é um território de hipsters e ao lado de lojas de bairro encontramos outras criativas e cheias de estilo. Talhos e peixarias fora da caixa, cafés, mercearias, livrarias.




A chegada ao canal dá-nos um postal de Londres surpreendente. O gasómetro sobrevive lado a lado com prédios, casinhas e barcos, numa cena quase idílica. Difícil imaginar um contraste maior com a sobrecarga construtiva de arranha-céus do centro de Londres, a menos de cinco quilómetros dali.


Segue-se mais um parque, desta vez o Haggerston Park, e aqui a piada foi ver crianças que ainda mal terão largado as fraldas a iniciarem-se no bmx, num circuito com montinhos que mais devem parecer Everests para os pequenitos (nota: lamentavelmente, a princesa joaninha colorida aqui na fila de partida chorou na sua vez e teve de sair de cena).



Após umas empenas grafitadas, cena típica da pujança urbanística da nossa época, e mais um pedaço de relvado com vista para a city, chegamos finalmente ao Columbia Market Road, um dos destinos mais populares de domingo em Londres.




A rua Columbia é fechada ao trânsito e nela instalam-se todos os domingos dezenas de bancas de flores, num contínuo tão intenso e cerrado que mal conseguimos apreciar as lojas de bonitas fachadas e interiores não menos bonitos que a ladeiam. Entre as 8:00 e às 14:00 a confusão é total e a circulação faz-se de empurrões. Não soa apelativo? Mas as flores são lindíssimas e o seu colorido e o hábito londrino de as comprar ao domingo uma experiência a não perder.


Daqui ao Shoreditch é um pulinho e mais lojas cheias de estilo nos esperam, seja no Box Park, conceito pop-up, seja em Brick Lane, área que não consigo deixar de visitar sempre que vou a Londres.


O domingo é um dia carregado de mercados em Brick Lane. Passo-os. Mas gosto de sentir o pulsar desta Bangla Town – os nomes das ruas estão escritos em inglês e bengali e os restaurantes do Bangladesh e Índia são mais do que muitos. A comida de rua é avassaladora, enche todos os nossos sentidos e é imperdível. Esta zona, antigo território de cervejarias, como a Truman Brewery, deve o seu nome “brick” aos tijolos que dominam a sua arquitectura. 



Imperdível é ainda uma deambulação pelos seus muitos e criativos grafittis e arte urbana em geral. Alguns exemplos mais:






Junto a Brick Lane fica o Old Spitalfields Market, edifício bem recuperado, misto de mercado informal com lojas e restaurantes da moda. Aqui encontramos o Taberna do Mercado, do chef português Nuno Mendes, já com nome e popular em Londres, onde podemos saborear petiscos como peixinhos da horta, choco com pezinhos de coentrada e sobremesas como abade de priscos. Mais do que aprovado.

Este percurso não fica completo sem levarmos a rua Brick Lane até ao fim e terminarmos a longa caminhada na Whitechapel Gallery. Mais um exemplo de contemporaneidade, dificilmente não visitaremos algo que nos estimule e confronte. A nós tocou-nos a recém terminada exposição das Guerrilla Girls, “Is it even worse in Europe?”, a qual apresenta conclusões das suas perguntas a museus europeus sobre a diversidade de género (homens / mulheres / outros) nas suas colecções. Apenas 1/4 respondeu.
Londres dá-nos vida e faz-nos pensar.

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