A Nova Tate Modern

Em Londres há sempre muito para descobrir, mas por mais que tente nunca consigo deixar de visitar a Tate Modern. Nisso estou como muitos outros, cerca de 5 milhões anualmente, metade deles turistas como eu, o que faz desta uma das maiores atracções turísticas de todo o país.

Sair junto à Catedral de St Paul’s e maravilhar-nos com a sua majestade, caminhar em direcção à Ponte Millennium para atravessar o Tâmisa e descobrir os novos arranha-céus da cidade e, por fim, focar o olhar na enorme torre-chaminé do edifício da Tate ali bem na outra margem, este é um programa indispensável.

A Tate Modern é um museu de arte moderna, mas não só. Estudos indicam que uma das principais motivações daqueles que a visitam é o de “encontrar gente”. 

E a Tate Modern é também um ícone arquitectónico.


A antiga Estação Eléctrica Bankside, na margem sul do Tâmisa, foi originalmente desenhada pelo arquitecto Giles Gilbert Scott (autor da também eléctrica Battersea e da cabine telefónica vermelhinha, um dos maiores símbolos de Londres). Desenhada nos anos quarenta do século passado, laborou na década de sessenta e encerrou em 1981 – curta vida como eléctrica, portanto. Os anos 90 foram passados a pensar no seu destino até que finalmente desde o ano 2000 podemos apreciar a sua nova face. 

A dupla de arquitectos suíços Herzog & De Meuron foi a criadora de um novo paradigma na reutilização dos espaços industriais, num muito bem conseguido respeito pelo edifício original, e a Tate Modern é, ela própria, o paradigma dos centros de arte como novos espaços culturais, tendo reinventado a forma como todos nós vemos a arte hoje em dia.

A visita à Tate, a exemplo de todos os maiores museus londrinos, é gratuita, com excepção das exposições temporárias. É um corrupio de gente, nem toda ela interessada em arte. Uma doação de 4 libras é nos sugerida e as lojas onde toda a espécie de merchandising se vende estão estrategicamente situadas às entradas e saídas das exposições temporárias. Esta é uma das formas de garantir receitas ao mesmo tempo que se garante a arte para todos. 


Agora, desde Junho de 2016, temos mais um motivo para (voltar) visitar a Tate. 
Aí está a sua tão esperada extensão, também a cargo de Herzog & De Meuron. 
À enorme Turbine Hall (um espaço  de 35 metros de altura e 152 metros comprimento que dá para as mais inimagináveis instalações de arte) e à elegante Boiler House (o edifício da chaminé de quase uma centena de metros de altura) juntou-se agora a piramidal Switch House. Este corpo da antiga estação eléctrica já existia, mas estava inacessível e não pertencia à Tate. Com a sua adaptação a novo espaço expositivo (e educacional, de escritórios, bar, parque de estacionamento, entre outras funções) a área da Tate ganhou quase mais 60% e se o museu já era grande agora é enorme.



A arquitectura da nova Switch House não (me) desilude, embora haja quem a tenha confundido com um silo automóvel. A sua torre em forma de pirâmide, com 64 metros, é formosa e surpreendente. Torre inclinada, fachada de tijolo entrelaçado, criando o efeito de um rendilhado, olhando para aquele bloco altaneiro parece-nos que uma espécie de tecido, quase uma pele, o cobre. O tijolo, claro está, respeita os materiais originais do antigo edifício. Os pequenos cortes na fachada, janelas estreitas, quebram uma certa monotonia e no seu interior apercebemo-nos que contribuem decisivamente para um excelente aproveitamento da luz natural. 



O acesso ao interior deste novo edifício pode ser efectuado pela rua, do lado contrário da entrada original do rio, ou através desta, percorrendo a nova ponte interior que sobrevoa a Turbine Hall e liga os dois edifícios.


Se o antigo edifício, a Boiler House, já possuía um piso onde podíamos apreciar as vistas e ficar face a face com a Catedral St Paul’s na outra margem do Tâmisa, a Switch House possui uma vista absolutamente soberba a poucos metros dali. Do alto do terraço do seu 10.º andar alcançamos uma vista (gratuita) completamente desimpedida de Londres, não fosse a poderosa chaminé da Tate estar ali mesmo defronte. Não incomoda nada, claro, e é a parceira perfeita para todos os velhos e novos elementos londrinos. É conferir as fotos.





Chegada ao final deste post, não foi mencionado o nome de qualquer artista.
Está visto que este post é sobre um museu, mas não é sobre arte. Talvez sobre a arquitectura do museu. Mas talvez, mais ainda, seja novamente um post sobre vistas.

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