Lijiang


Lijiang é uma cidade histórica, com mais de 800 anos, e está situada na antiga Rota do Chá e do Cavalo que ligava a China e o Tibete e a Índia em rotas comerciais, mas por onde acabavam também por circular ideias e religiões, culturas diversas no geral. 
Classificada pela Unesco, a cidade velha de Lijiang é um exemplar de natureza, de arquitectura, de cultura, de engenho do Homem e até de resiliência e de superação. 
Começando por este último, esta região tem sido palco de diversas adversidades da natureza, a última das quais um devastador sismo em 1996. A cidade re-ergueu-se e reconstruiu o seu património edificado e no ano seguinte a Unesco, como reconhecimento dos esforços e da autenticidade da memória histórica do lugar, distinguiu Lijiang como Património da Humanidade.
A sua posição estratégica, a 2400 metros de altitude por entre montanhas nas nuvens do sul do Yunnan, fez com que Lijiang se desenvolvesse como uma cidade de comércio durante os Ming, por volta do século XIII. 



800 anos depois muitos continuam a demandá-la, mas agora quase todos turistas em busca da sua fama. E encanto. 
O seu centro antigo (Dayan) é compacto e feito de um emaranhado de ruas estreitas de pedra ocupadas por edifícios de madeira de dois andares com telhados cinzentos com pormenores esculpidos. 
Já temos aqui muito elemento a que dedicar o olhar contemplativo. 
A ver: ruas estreitas, ruas estreitas de pedra, edifícios de madeira, telhados cinzentos, telhados com pormenores esculpidos. 





Acrescento outros elementos característicos de Lijiang: portadas de telas (logo, edifícios mais bonitos fechados do que com as portadas abertas), janelas, candeeiros, balões, pátios, motivos decorativos com elementos florais, pássaros e instrumentos musicais.





A cidade é um verdadeiro labirinto. Já levávamos o aviso de que com grande probabilidade nos haveríamos de perder, pelo que limitámos-nos a tentar perceber onde ficava o nosso hotel e deixamo-nos caminhar pelas ruas. Se a planta da cidade não é recta, não ajuda o facto de a arquitectura ser uma só e as lojas praticamente todas iguais – até a canção que sai dos tambores é sempre a mesma, como se na escola de música ensinassem apenas uma nota. Por sorte, o nosso hotel ficava num dos cantos da cidade e, assim, pudemos confirmar em toda a sua plenitude aquela célebre máxima que diz que 80% dos turistas concentram-se em 20% do espaço. Obviamente que não evitamos os espaços mais carregados, de outra forma não teríamos percebido como esta pequena cidade pode receber 8 milhões de visitantes todos os anos, mas conseguimos caminhar por grande parte de Lijiang à larga.




A Praça Central de Lijiang é a Si Fang, o pedaço mais largo da cidade. Um grupo de meninas Naxi, a minoria étnica local, fazia na altura uma apresentação musical. Ouvimo-las um pouco e seguimos pelas ruas traseiras da praça em direcção ao Monte do Leão. 



A subida não foi fácil pelo calor que se fez sentir, mas a vista que se vai ganhando a cada passo é um privilégio mais nesta nossa rota particular. Não só porque os chineses viajam em grupo e sem fadiga, parece, e por aqui não marcam presença, mas porque a vista do conjunto dos telhados de Lijiang é fantástica. O emaranhado das telhas cinzentas é tal que se torna impossível distinguir as ruas estreitas da cidade. Visto daqui de cima tudo é uno e a coerência da velha Lijiang parece ainda maior. 






O parque Wanggu Lou, qualquer coisa como “Olhando o Edifício Antigo”, com a Torre Wangu, um elegante pagode de madeira de 33 metros, como se fosse uma torre sentinela da cidade, é um refúgio rodeado de ciprestes. E montanhas, claro. A vista é fantástica também por isso, porque entendemos na perfeição a implantação estratégica de Lijiang. Este parque e sua torre são aquisições novas na cidade, construções posteriores ao sismo de 1996 e à reconstrução do muito que ficou destruído. A visita à torre – pagode dá-nos a vista para as montanhas do Yunnan, sabendo que para lá delas há de estar o Tibete, mas dá-nos também as marcas de um budismo mais próximo do tibetano, com aquela paleta de cor que parece infinita. Ficamos sem dúvidas de onde estamos.

Lá em baixo avista-se o Palácio Mu


E com esta nano “cidade proibida” voltamos à confusão e a partilhar o espaço com um número demasiado elevado de turistas. Tomando o nome de uma influente família dos tempos da dinastia Qing, este palácio foi praticamente reconstruído na sua totalidade após o sismo de 1996. Com sucesso, diga-se. É um prazer caminhar pelos seus sucessivos pátios e edifícios coloridos. Os jardins conseguem transmitir-nos uma sensação de tranquilidade e neste complexo um elemento há que pela cidade fora possui uma importância desmesurada, de tal forma que a Unesco a ele se referiu aquando da distinção de Lijiang: os canais de água.




O sistema de abastecimento de água da cidade reveste-se desde há séculos de alguma complexidade e é o tal exemplo de engenho do Homem. Por toda a Dayan se veem canais e pontes mimosas, com flores devidamente a adornar o cenário. Das neves da mítica Yuelong Xue Shan, a montanha do Dragão de Jade Nevado, é donde corre a água que abastece a região e, em especial, o Lago do Dragão Preto que, por sua vez, abastece os canais da cidade formando um poderoso sistema de abastecimento e gestão de água urbana.



O Parque do Lago do Dragão Preto é provavelmente o maior postal de todo o Yunnan. É famosa a imagem de Lijiang com a Montanha do Dragão de Jade Nevado a enquadrar o elegante pavilhão que flutua no Lago do Dragão Preto. Só designações sugestivas. Pena que a montanha a norte não tenha comparecido neste que é o maior postal da terra “a sul das nuvens”.


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