Golfinhos e bioluminiscência

Para além do surf, em Puerto Escondido há pelo menos mais duas actividades imperdíveis: sair para o mar para ver golfinhos e tartarugas e sair para assistir ao fenómeno natural da bioluminiscência. Cada um destes tours é realizado por diversas companhias, mas foi-nos aconselhado o de Omar para os golfinhos e o de Lalo para a bioluminiscência e não só não nos arrependemos como os recomendamos.

Para ver os golfinhos saímos bem cedo, 7:30, da praia de Puerto Angelito. Primeiro, o barquinho com 8 pessoas a bordo sai contornando as praias junto ao centro de Puerto Escondido, com uma passagem especial por trás da bela e poderosa onda de Zicatela. Depois segue mar alto afora em busca das tartarugas e dos golfinhos.

Tivemos a sorte de ver logo duas tartarugas em pleno momento de acasalamento. Depois, mais uma tartaruga aqui e outra ali. Talvez um golfinho ao fundo. E mais nada. Andámos assim por muito tempo no barco, de um lado para o outro. Mas depois percebemos a diferença entre se escolher um ou outro tour. Em contacto via rádio com os seus informantes, o nosso “marinheiro” foi incansável e não parou enquanto não nos descobriu uma série de golfinhos. Entusiasmado, ao fim de um tempo largo passou a anunciar-nos que o que veríamos em breve iria “bloquear a nossa mente”.

Pode não ter bloqueado, mas que a nossa mente ficou mais leve e alegre com o contágio das brincadeiras e da felicidade que as dezenas de golfinhos mostravam naquela imensidão de mar, ai isso ficou. Eram saltos e mais saltos, alguns com piruetas no ar, uma maravilha. Este é um turismo responsável, pelo que não há aqui aquela coisa de tocar e fazer festas nos golfinhos. Limitámo-nos a mergulhar no mar quente e, debaixo de água, a escutar a chiadeira que os golfinhos soltam quando dialogam uns com os outros.

O anúncio do tour da bioluminiscência parecia uma treta daquelas “venha ver luzinhas dentro de água”. Ainda assim, sem grandes expectativas, juntámo-nos a ele. Lá pelas 18:00 seguimos de carro até à Laguna Manialtepec, onde passámos para um barco.

O guia era um conhecedor do lugar e estudioso da avifauna. Começámos por descobrir as diversas aves, cada uma mais bonita do que a outra, umas a sobrevoar a laguna, outras poisadas nos ramos da flora do manguezal, tudo isto num ambiente de fim de tarde de uma tranquilidade ímpar.

O barco lá ia seguindo molengão pela laguna e, depois, pelo canal que a liga até ao mar. Aqui chegados, saímos para a areia, acendendo uma fogueira e assando uns marshmallows, o docinho favorito do Snoopy, aguardando que a noite chegasse.

Foi então que, noite cerrada, apenas percebendo o som da rica fauna local, voltámos pelo canal e laguna e nos foi sendo explicado o fenómeno da bioluminiscência, melhor apreciado sem lua e após grandes chuvadas – condições óptimas que tivemos a sorte de ter. Este fenómeno natural ocorre pela presença de microrganismos que provém do mar e se reproduzem em águas tranquilas como as desta laguna. É o designado plancton marinho, que só acontece sob algumas condições naturais. O efeito? Umas cores luminosas e fosforescentes entre o azul e o branco quando colocamos a mão na água escurecida pela noite. Parece magia, mas é pura natureza. Lá mergulhámos na escuridão e os gestos do nosso corpo em contacto com a água foram recebendo essas cores sob a forma de uns feixes e umas bolinhas assaltaram a nossa pele e escorreram por ela.

Este é um espectáculo grandioso que nos é oferecido pela natureza e faz de Puerto Escondido um lugar ainda mais inesquecível.

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