Termas dos Cucos, Torres Vedras

As Termas dos Cucos andam escondidas a menos de 2 kms de Torres Vedras. Escondidas e quase perdidas, não fosse a insistência de alguns em passear por lugares recolhidos e exuberantes. Custa a crer que este complexo de edifícios envolvido pela natureza possa estar esquecido.

Para lá chegar vindos de Lisboa passamos por aquelas típicas paisagens que abrem caminho ao Oeste português, montes tranquilos com vinhas alinhadas e moinhos a marcar o cume, separando as aldeias saloias.

A fama das qualidades medicinais e terapêuticas das nascentes de água e das lamas da Quinta da Macheia, no Vale dos Cucos, nas margens do rio Sizandro, já vem de longe e em meados do século XVIII já eram utilizadas. Mas a sua história ainda não está inteiramente traçada, havendo até quem coloque a hipótese destas termas não terem sido desconhecidas dos romanos. Porém, foi preciso que o comboio chegasse a Torres Vedras em 1887 para que se pensasse em construir aqui um complexo termal. Assim, à boleia da moda do termalismo que se vivia um pouco por toda a Europa, por iniciativa de José Gonçalves Dias Neiva e sob plano do engenheiro António Jorge Freire, em 1893 foram inauguradas as Termas dos Cucos, um conjunto de edifícios que durante um século serviria os propósitos de saúde e bem estar.

Ainda hoje, após o seu encerramento e abandono, salta à vista o ambiente romântico criado por estes edifícios e sua envolvente, igualmente próprios da época da sua criação e abertura. Entramos por uma alameda com cerca de 300 metros com plátanos de grande porte em ambos os lados e logo pressentimos que este espaço será inspirador. No final desta alameda surge o complexo edificado, classificado como monumento de interesse público. O edifício principal é longo e composto por vários corpos, com Capela à esquerda.

Há um “casino” ao lado (foi utilizado apenas como espaço de convívio e restaurante), dois chalets em estilo neo-revivalista à frente (estavam previstos 40 no projecto inicial, mas só o Dona Feliciana e o Dona Maria Neiva chegaram a erguer-se do solo) e uma buvette um pouco mais afastada (onde se captava a água). Na fachada principal de tons rosa lê-se “Estabelecimento Thermal e Hydroterapico”. Nas suas costas o verde intenso da vegetação que cobre a encosta do monte e diante si um jardim com lago, canteiros e palmeiras. Este jardim está bem cuidado e as fachadas não dão certeza do abandono; pelo contrário, parece que tudo encerrou ontem. Mas não foi assim. Foi já em 1996 que as Termas dos Cucos encerraram, então com a ideia de que um novo e moderno balneário pudesse surgir, o que nunca chegou a acontecer. O estado de degradação do interior vai acelerando, esvaindo-se aos poucos a memória de um lugar ainda mantido por alguns funcionários dos proprietários.

Dizia-se que por aqui cantava o 1° cuco, e assim ficou o nome do lugar. Dono de um microclima temperado, a sua aliança com as águas e lamas fez com que estas Termas se tivessem especializado no tratamento de doenças reumáticas e artríticas. As nascentes no parque são em número de sete: duas Cucos Novos que abastecem o balneário, Cucos Modernos na buvette, Lamas no fundo de um poço de captação de lamas, Coxos ou Coches à entrada do parque e Cucos Velhos e Olival, ambas não utilizadas. E conta-se que das águas de algumas delas era retirada a água que se engarrafava para ser vendida em Lisboa.

Caminhando para além do complexo central do Balneário, seguimos por entre o arvoredo em busca da água do Sizandro que passa pela Quinta e Parque. Logo por ali perto, umas azenhas e uns recantos fluviais com açudes dão ainda mais graça ao lugar. Haveríamos ainda de passar a Linha do Oeste, onde existia até um apeadeiro que servia directamente as Termas, e subir pela(s) serra(s), admirando as tais paisagens tranquilas do Oeste, para depois de percorrer um belo bosque que acompanha o leito de uma ribeira seca descer a Torres Vedras para espreitar o seu aqueduto e um lugar com umas pegadas de dinossauros e voltar, enfim, às Termas. Uma longa caminhada de 14 kms aqui marcada.

Não precisamos de pisar tanto caminho para nos encantarmos com o parque das Termas, se bem que avistado do alto percebemos na perfeição a sua fantástica implantação.

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