O Mindelo e sua baía do Mindelo, enquadrada pelo Monte Cara, é uma das imagens mais bonitas de Cabo Verde e do Atlântico. A maior cidade do arquipélago, depois da capital Praia, é porém a mais cosmopolita, cultural e musical. São obrigatórios uns dias pelo Mindelo, mas há que ter grandes paisagens e momentos cénicos.






Passámos pelas areias e águas da Praia de São Pedro, junto ao aeroporto, num dia de céu limpo. De areal branco e água azul turquesa cristalina, com uma povoação típica nas costas e enquadrada em ambas as vertentes da baía de mesmo nome por falésias altas, numa delas com um pontinho corresponde ao Forte D. Amélia a aparecer, é fácil gostar desta praia. Vários barcos, com uma paleta variada de cores, ocupam a areia, enquanto no mar ao largo os turistas se entretém a nadar com as tartarugas – a mana foi uma delas, e colecionou umas fotos incríveis.

Não tivemos a mesma sorte de um dia bonito quando visitámos a Praia de João d’ Évora (mesmo assim, deu para perceber que o lugar é fantástico, com um vale de uma beleza impressionante), Salamansa (com direito a morna cantada por Cesária Évora: “Na areia de Salamansa”) e Baía das Gatas.




Salamansa, uma aldeia piscatória, é famosa pelas suas dunas à beira mar, autênticas paredes de formas variadas.



E a Baía das Gatas, famosa pelo seu festival internacional, dá-nos um mar tranquilo, ao contrário do mar bravio da anterior, como canta a morna. O nome deve-se à presença neste mar do tubarão-gata, mas este não impede que seja uma praia muito popular, com boas infra-estruturas.





Esta zona da costa é relativamente rasa, mas a pouca distância cenário é muito diferente, com o Monte Verde e as montanhas que o acompanham em grande destaque. As vistas do Monte Verde, o tal pico mais alto de São Vicente, são enormes. À medida que vamos subindo, numa estrada estreita empedrada e que corre encostada às paredes da montanha, e que em muitos pontos foi mesmo obrigada a rasgá-la, vamos vendo o Mindelo e sua baía cada vez mais ao fundo. A luz de final de tarde não estava grande coisa, mas a panorâmica para a vertente contrária, a ponta da Baía das Gatas, essa estava grandiosa, percebendo-se não perfeição o recorte da costa e do vale que leva até ela. Mais acima, e até ao topo do Monte Verde, as grandes panorâmicas mantém-se.







De volta à costa, a estrada costeira que liga a Baía das Gatas ao Calhau é mais uma maravilha. De um lado, o mar e algumas dunas, do outro, as montanhas imponentes. Pelo meio, uma paragem na povoação Norte da Baía, com uma série de graffitis a colorir a negritude da terra.





A zona do Calhau, povoação e praia, é de uma beleza inóspita rara. É mais uma aldeia piscatória, mas desta vez rodeada de crateras de antigos vulcões – nas costas tem dois e ao largo mais uns quantos. Do Calhau podemos caminhar sobre rocha negra vulcânica mesmo ao lado do mar, ou até subir em direcção às crateras, sendo um lugar que faz lembrar a ilha do Fogo. E há ainda uma piscina natural que permite-nos o acesso directo ao mar.




A baía do Calhau é larga e as suas águas claras, num forte contraste com a terra negra. Saindo do centro do Calhau, onde podemos planear almoçar, por haver aí um restaurante, seguimos para sul, em direcção ao vulcão Viana. É talvez a cratera mais conhecida da ilha, cuja subida é acessível, sem dificuldade técnica ou esforço físico. E a vista, mesmo sem chegar ao topo a meros 67 metros, é ainda mais impressionante do que a do outro lado da baía do Calhau.



A ilha de São Vicente, já se escreveu antes, é das menos montanhosas, mas as que por aqui existem, juntamente com os cones vulcânicos, são assinaláveis e marcam de forma muito especial a paisagem. Perto do vulcão Viana há uma série dessas elevações e, facto curioso, estão bem perto do mar. É fácil caminhar por aqui, por o terreno ser plano, mas sem vegetação o calor pode ser intenso, agravado pela terra negra. É um verdadeiro deserto. Porém, a Sandy Beach convida a um mergulho e diz que é boa para o surf. Surpreende esta língua de areia branca, com as formas da antiga lava à beira mar a deixarem-se ver sob a água cristalina.



Toda esta zona do Calhau, vulcão Viana e Sandy Beach mostra-nos um novo elemento, a ilha de Santa Luzia e os ilhéus Branco e Raso, a 10.ª ilha do arquipélago de Cabo Verde, desabitada.



De volta em direcção ao Mindelo, numa estrada praticamente recta, há mais uma surpresa que nos aguarda. No interior da ilha, instalado num vale, o Madeiral é uma espécie de oásis, um pedaço de verde encravado na aridez de São Vicente. As palmeiras dão um ambiente ainda mais exótico ao lugar, assim como os cata-ventos.




Para o final, não podíamos deixar de apreciar a baía do Mindelo desde a base do Monte Cara, com o casario a estender-se para o interior. Esta zona do Lazareto esconde, ainda, um segredo: as Doze Voltas, mais um maravilhoso fenómeno natural. Não é fácil dar com o lugar, há que levar o trabalho feito de casa, leia-se, a localização exacta no mapa marcada. Mas vale bem a pena o apontamento prévio para conhecer este labirinto – “doze voltas” – subterrâneo que a acção da água esculpiu na rocha arenosa. Aqui já não é o mar o protagonista, antes o céu azul que ao proporcionar uma aberta nos trouxe a felicidade de ver este sítio no seu melhor.