19 de Setembro – Copacabana – Puno

O dia começou com muita chuva e granizo. Era com cada pedra! O pior é que a nossa manhã estava obrigatoriamente destinada para um passeio de barco até à Ilha do Sol, no Lago Titicaca. O tempo até que foi melhorando mas o sol, esse, nem vê-lo.
Dados os horários de transporte entre Copacabana – Puno – La Paz, acabámos por ver o dia inteiro que pretendíamos passar na Ilha do Sol reduzido apenas a uma manhã. Muito pouco, ainda para mais quando o ideal para se explorar o local é passar lá pelo menos uma noite. Opções forçadas, escolhas entre vários pontos de (muito) interesse que não são fáceis de se fazer.

Assim, ao desembarcarmos iniciámos imediatamente a nossa caminhada em direcção ao extremo sul da ilha, com os socalcos construídos pelos incas e algumas pré existências das suas casas. À chegada ao pequeno porto fomos logo confrontadas com (mais) um estoiranço das antigas: a “escalera del inca”, dezenas e dezenas de degraus para iniciar as hostilidades da caminhada, as suficientes para me por de língua de fora. Estava frustradíssima porque uns chilenos à nossa frente, com mais uns 10 anos no corpo do que eu, subiam descaradamente os degraus num ritmo tal que mais parecia que os saltavam de 2 em 2. Percebi depois, em conversa, que faziam maratonas. Ok! Já me sinto novamente em forma.

O passeio foi agradável, ainda que não tão bom para tirar fotos pelo tempo fechado. A excepção foi a passagem de umas quantas vicunhas a que se seguiu o disparar do gatilho da máquina fotográfica. O pior foi depois quando a dona dos bichos insistia em pedir uns quantos bolivianos pelas fotos surripiadas. Ficou a insistir, que tanta exploração do turista também já parece demais.
A Ilha do Sol, a maior do Lago Titicaca, com cerca de 14km2, foi o local onde o Sol nasceu. Foi aqui também que nasceram Manco Cápac, o primeiro imperador inca, e sua irmã e esposa Mama Ocllo, os quais seguiram daqui para fundar o centro do império inca em Cusco.
À frente da Ilha do Sol encontra-se a Ilha da Lua, bem mais pequena, onde se diz que eram guardadas as virgens escolhidas pelo sol. Há até quem diga que, espertos, os habitantes da 1.ª ilha terão feito um túnel subaquático ligando as duas ilhas para que pudessem contactar com as ditas virgens. Obviamente, até hoje não foram encontrados quaisquer vestígios nesse sentido. Existe, sim, uma série de cabos de alta tensão ligando aereamente as duas ilhas que dispõem hoje de todas as condições. O progresso impõem-se, assim, na paisagem.

De volta a Copacabana seguimos de imediato para Puno, no Peru. A viagem de autocarro dura cerca de 3 horas, num ritmo lento e demorado pela passagem na fronteira.
Chegámos a Puno já com a tarde a cair (no Peru é uma hora mais) e enquanto a Sofia fazia o telefonema da ordem para casa, um miúdo de 12 anos pedia-me insistentemente para me engraxar as botas que há dias andavam mais do que muito sujas (ora demasiado castanhas da terra, ora demasiado brancas do sal). Já várias vezes havia sido abordada pelos engraxadores para isso, profissão muito comum tanto na Bolívia como no Peru, sempre recusando. Mas desta vez lá aceitei enquanto escutava a conversa da mana com a mamã. Perguntei a Elvis – era este o nome do rapaz – quanto seria o serviço ao que me respondeu que deixaria à minha vontade. Passado um pouco lá me perguntou se gostava de futebol (acertou em cheio) e disse-me que a sua bola se havia furado, pelo que gostaria que lhe comprasse uma numa loja umas quantas ruas mais adiante. Acedi. Chegados à loja, várias “pelotas” em exposição mas uma chamou a atenção: uma vermelha, com o símbolo da nossa federação e com o nome do nosso país em letras bem visíveis. Óbvio que foi mesmo essa a bola com que o jovem peruanito ficou, para que não se esquecesse destas portuguesas. Incrível como num local tão distante o improvável pode acontecer. Note-se que a globalização, turismo à parte (e mesmo esse, apesar das massas, tem uma mentalidade diferente), não chegou aqui. Mesmo o futebol, que poderia ser um exemplo dessa globalização, parece não ganhar essa dimensão nesta parte da América do Sul. Aqui, tal como na Bolívia, tirando os jogadores e clubes da terra, dificilmente alguém conhece outro jogador para além de Ronaldinho e do Real de Madrid. Cristiano Ronaldo ou qualquer clube inglês são autênticos desconhecidos.

E Puno? É, claramente, um daqueles lugares de passagem obrigatória mas apenas porque se situa a meio caminho entre Cusco e o Titicaca e fica à beira do highlight maxi turístico que são as ilhas flutuantes de Uros, a 5 km de distância, as quais visitaríamos no dia seguinte. De resto, Puno tem uma rua com uns 400 metros de comprimento carregada de lojas de souvenirs e restaurantes para estrangeiros. Os preços aqui são um pouco mais caros que os do outro lado da fronteira. Isso no que aos turistas diz respeito, uma vez que vimos um placar à porta de um restaurante local anunciando para o jantar refeição completa (sopa, prato e sobremesa) a 0,40 cêntimos de Euro.
Surpreendente e inacreditável? Sim, como tudo por aqui.

18 de Setembro – La Paz – Copacabana

Chegámos mesmo em cima da hora ao terminal de autocarros e foi uma sorte termos conseguido seguir viagem para Copacabana. No entanto, não encontrámos lugares juntas. À Sofia tocou a companhia de um brasileiro; a mim a de um holandês. Boas companhias, diga-se. Ambos viajavam sozinhos e, é impressionante, a cada dia que passa vamos conhecendo cada vez mais pessoas nestas condições.
A viagem de La Paz até Copacabana vai atravessando a Cordilheira Real e a paisagem é fantástica, principalmente quando somos brindadas com a perspectiva justaposta da terra, lago e montanha nevada, com alguns picos a ascenderem o 6000 metros.

Copacabana, a cerca de 160km de La Paz e a 3812m de altitude, é uma cidade instalada à beira do Lago Titicaca, já perto da fronteira com o Peru, formando uma pequena baia. O seu vocábulo deriva, precisamente, das palavras “kota” – lago – e “kahuana” – mirador.
A cidade em si não tem grande encanto e no que a praias diz respeito é difícil fugir à tentação de não recordar a sua homónima carioca mais famosa. No entanto, dizem que foi esta Copacabana a inspirar a princesinha do mar. A Copacabana boliviana é também uma praia muito concorrida, talvez por ser a única praia pública de que os bolivianos dispõem, mas os banhos na água gelada do Titicaca não devem ser uma grande ideia. Todavia, é precisamente o mítico Titicaca que lhe traz a fama e o algum encanto. Ajudam, também, os montes fotogénicos que vão recortando a paisagem.

Precisamente, é do topo desses montes, designadamente o Niño Calvário e o Cerro Calvário, que alcançamos uma vista fabulosa – para o lago, claro, mas também para a cidade com as suas casas de tijolo.
No Niño Calvário, depois de o subirmos absolutamente sozinhas com alguma dificuldade, fomos guiadas no seu topo por um rapazito de 10 anos que sonha ser guia quando crescer e, tal como o irmão mais velho o faz hoje, acompanhar os turistas com as suas explicações pela não muito distante cidade Inca de Macchu Picchu. O rapazito teve bastante arte para envolver as turistas com as histórias e argumentos para as estranhas formações das rochas que se vêem no topo deste Cerro. Por aqui fica a Huerca del Inca, um género de porta que servia como observatório astronómico pré-inca, contando a lenda que se durante o solstício de verão o sol passar por entre o seu arco o ano será bom para a agricultura. Por curiosidade perguntámos o que se havia passado nesse ano e a resposta não foi positiva. Será que o ano que já se vive irá ser mesmo prejudicial para a agricultura da região?

Na descrição da subida ao Cerro Calvário não consigo, uma vez mais, fugir à tentação de fazer uma analogia com o seu nome. Foi literalmente um autêntico calvário alcançar o topo do monte. Até essa data (repetiria a experiência uns dias depois na subida ao Chacaltaya) nunca me tinha visto obrigada a um esforço físico tão duro e, qual criatura em completa baixa de forma (o que não era manifestamente o caso), não tive outra solução senão, para além de parar de subir os degraus, sentar-me um pouco neles para recuperar o fôlego.
Estamos aqui a mais de 4000 m de altitude, daí a dificuldade de subir qualquer meia dúzia de metros sob um sol impiedoso. O que impressiona é que os antigos tenham não só escolhido este local para romaria como o lograssem alcançar e aqui construíssem um altar com cruzes enormes. A devoção e a fé, de facto, podem (quase) tudo.

Vimos aqui o pôr do sol a cair na imensidão das águas do Lago e bem cá em cima é ainda mais evidente a sensação de que estamos frente a frente com o mar.
No entanto, não é o mar que nos cerca e ilumina. É antes um lago, o mais alto (a 3812m acima do nível do mar) navegável comercialmente, com uma extensão de cerca de 9000km2.
O nome Titicaca provém da junção do ayamara “titi” (puma) com o quechua “carka” (rocha).
Diz uma das lendas sobre o Lago que este se formou pelas lágrimas do deus Sol quando viu os pumas devorarem os seus filhos por ordem dos apus, os deuses dos montes. Outra lenda diz-nos que este é para os incas o lugar onde o Sol (Inti) nasceu. Outra lenda ainda conta-nos que para os pré-incas o deus Viracocha se terá dirigido ao Lago e ordenado que desde as suas águas fossem criados o Sol, a Lua e as Estrelas para que irrompessem pelo céu trazendo a luz.
Como se vê, lendas sobre o Lago Titicaca não faltam. No entanto, todas nos transmitem a mesma conclusão: este é um lugar mítico e místico para muitas civilizações. Para nós, que hoje temos a oportunidade de aqui chegar não é diferente. A sensação de infinitude e serenidade é incontornável.

Voltando a Copacabana, esta cidade é também famosa por ser um centro de peregrinação religiosa (desde antes do império inca por aqui ter reinado), tanto para os indígenas como para os católicos, atraindo pessoas de toda a Bolívia e Peru. Existe por cá um santuário enorme, visível de qualquer ponto da cidade – a Catedral de Nossa Senhora de Copacabana, construção do século XVI, de arquitectura mourisca, possuindo igualmente alguns azulejos com uma clara influência portuguesa (o mesmo é dizer, mais uma vez, moura). Tão importante é este santuário que a “Virgem da Candelária, Nossa Senhora de Copacabana” é, mesmo, a padroeira da Bolívia.

A nossa noite foi passada no Hotel La Cúpula (http://www.hotelcupula.com/), por mais do que atraentes 25 dólares (ainda por cima com o dólar em baixa). Situado numa parte alta da cidade, com vista quer para a cidade como para o lago, o apartamento (sim, não era apenas um quarto) que nos tocou tinha, para além de um piso térreo espaçoso com duas camas, uma mezanine com mais duas camas lá em cima. Será que esperavam que trouxéssemos convidados? Não foi o caso, apesar do bom ambiente no hotel, onde jantámos (o frio não convidava a ir muito longe) e conhecemos a história de um reformado suíço que estava a retomar uma viagem de uma vida que havia ficado interrompida há 33 anos: do Alasca a Ushuaia. Pinochet não lhe permitiu, então, a conclusão da viagem e o cárcere fê-lo quedar-se em Santiago. Agora, em 2007, deixou a mulher na Suiça e veio concluir a sua viagem em 3 meses.
É por estas e por outras que me custa sequer pensar que apenas me permito viajar por 2 semanas. Pouco, muito pouco quando tanto há para conhecer, aprender e conviver.

17 de Setembro – La Paz

A viagem desde Uyuni foi horrível. Saímos pouco depois das 20:00 e só lá para as 2:00 da madrugada, quando o asfalto chegou, o bus “turístico” deixou de abanar por todos os lados. Abanava, digamos, só metade. O barulho intenso do motor, esse, continuava. Se dormi umas 3 horas foi muito.
Chegámos ao Hotel Rosário às 6:30 e, claro, o quarto ainda não estava pronto. As poucas horas de sono haviam sido passadas a sonhar não tanto com o descanso mas mais com um banho que, relembro, era coisa que não víamos ia fazer 3 dias. Não nos restou outra solução a não ser (bem) aproveitar o tempo explorando o lobby do hotel – internet, livros acerca da Bolívia e muita informação sobre costumes e lugares para se estar e visitar.
Por volta das 7:30 saímos para caminhar um pouco pelo “Prado” (como se designa o conjunto de avenidas principais do centro de La Paz) com a cidade ainda a amanhecer e sem o movimento louco que veríamos ao longo de todo o dia.

Subimos ao Parque Montículo e, apesar do céu algo encoberto, descobrimos uma cidade que vive do seu centro num vale “cá em baixo” – “apenas” a 3593m sobre o nível do mar – com os seus “barrios” encavalitados nas montanhas que o circundam. Alguém afirmou um dia que a favela era a legitima expressão da arquitectura brasileira mas, observando toda a envolvente do curto centro de La Paz não podemos guardar na memória outra imagem desta que não um intenso e infinito aglomerado de casas de tijolo ocre por pintar.

Com o avançar da manhã vemos que toda a gente está nas ruas, ou caminhando ou vendendo alguma coisa. As cholitas, habituadas certamente à curiosidade dos forasteiros, sentem automaticamente a presença da máquina fotográfica e viram a cara para fugir à foto. Mas nem todas o conseguem.

O centro da cidade, com prédios recentes construídos em altura convivendo com uns poucos exemplares de casas coloniais, não tem os seus edifícios muito bem conservados. A excepção é a Calle Jaen, uma pequena e pitoresca rua de casas coloniais, muitas delas transformadas em museus. Acabámos por não visitar nenhum destes.
Para além do interessante e original Museu da Coca, visitámos a Igreja e Convento de São Francisco, incluindo a subida à sua torre. Lá de cima é ainda mais esmagador assistir-se ao movimento da cidade. Uma quantidade enorme de gente junta-se na pequena praça à frente da Igreja. Dir-nos-iam depois que assim é por este ser um ponto de encontro. Acontece que a maior parte das pessoas que aí se encontram não parece esperar por ninguém, antes dá a ideia de deambularem ou apenas quedarem-se por ali, sem pretextos, tão simples quanto isso.

Outro ponto de encontro na cidade é a Plaza Murillo, com gente e pombos de sobra para testemunhar o local onde se encontra a catedral, o palácio presidencial e o legislativo.
E os mercados, esses locais por excelência donde tudo se vê e tudo se sente, no mais fidedigno retrato de uma cidade?
O da Hechiceria, a céu aberto, são duas ruas cheias de lojas de artesanato: Liñares e Sagarnaga. A maioria das lojas repetem-se na oferta de objectos para turista comprar, mas algumas (poucas) conseguem oferecer algumas peças interessantes e lindíssimas.
Existem algumas bancas que vendem uns estranhos objectos, ervas, mezinhas, oferendas a Pachamama, fetos de llamas embalsamados, coisas esquisitíssimas para pessoas nada dadas a feitiçarias ou tão só misticismos.
Do mercado Lanza, de comida, parece que achei mais piada ao colorido do seu correspondente em Sucre.
Interessante de verificar que na Bolívia as vendedoras não usam pregões nem aumentam o tom de voz para se fazerem notar aos clientes. Uma diferença cultural abissal em relação ao oriente e, também, ao que vemos nos nossos mercados (alô Ribeira!). As cholitas deixam-se ficar atrás das suas minúsculas bancas, sentadas, muito discretas, durante todo o dia. Sim, porque por volta das 8:00 da manhã já estão no seu estamine e é vê-las precisamente no mesmo local e posição para lá das 20:00 do mesmo dia.

Uma situação engraçada deu-se já no final do dia quando caminhávamos alegremente pelas ruas conversando normalmente. Um rapaz, vencendo a timidez incentivado pela sua namorada boliviana, ao reconhecer o nosso idioma abordou-nos perguntando se éramos portuguesas. Ele também o é, trasmontano há um ano em La Paz, emocionado por, pela 2.ª vez, dar de caras com portugueses nas ruas paceñas. Perguntei o que viera fazer para aqui mas só então me lembrei que este é o tipo de pergunta que me aborreceu e que nunca compreendi que me fizessem durante os meses que antecederam a minha viagem até à Bolívia. Ora, qual a surpresa de vir conhecer ou até permanecer num país tão belo, interessante, multifacetado e curioso como este?

16 de Setembro – Lagoa Verde – Uyuni

Depois de uma noite bem arrumadinhas dentro do saco cama, levantámo-nos às 5:00 da madrugada, noite cerrada, frio mais do cerrado, para encarar os geysers. A sua acção é melhor apreendida pela manhã cedo, onde os seus vapores se perdem no ar matinal tentando fazer frente ao sol. Como bónus por termos saido da cama tão cedo tivemos o nascer do sol em directo.
Os geysers que visitámos tomam o sugestivo nome de “Sol de Mañana” e estão a cerca de 1 hora de carro desde a Lagoa Colorada e a 4850m de altitude. São umas crateras e fumarolas donde saem disparados uns vapores quentíssimos (com o gelo cortante que se fazia sentir é difícil acreditar que algo seja quente por aqui) a alturas que chegam a atingir os 50 metros. Se o frio por aqui é insuportável (nem calças de polar, camisolas de polar, luvas de polar, gorro de polar e blusão de polar com corta vento nos safam), os odores que irrompem pela terra não lhes ficam muito atrás.

O mais surreal por aqui é que a uns minutos mais de distância de carro encontramos umas águas termais onde nos podemos vingar do frio. Se a coragem para me despir por inteiro (fato-de-banho à parte) não apareceu, os pés, esses, foram aliviadamente depositados nas águas quentíssimas e ricas em minerais de uma pequena piscina nas Termas de Polques, com os omnipresentes flamingos como testemunhas.

E por falar em surrealismo, em rota para o próximo destino passámos por um local conhecido como “Roca de Dali”, onde umas pedras com estranhas formas no meio de um deserto nos remetem, efectivamente, para um cenário retirado de uma pintura do pintor catalão. Terá Dali andado por aqui a modelar as rochas e dispô-las a seu bel-prazer num deserto dos Andes?

Entretanto, a paisagem do Altiplano Boliviano continuava soberba, com desertos intermináveis sem se passar por qualquer povoado (pudera, tão inóspito e insuportável será viver a esta altitude). As cores da terra e das montanhas ganham aqui um colorido único, talvez por se encontrarem tão próximas do sol e das nuvens.

À medida que nos íamos aproximando do vulcão Licancabur, cujo topo alcança os 5868m, a paisagem dos Andes ia-se tornando ainda mais brutal, com as montanhas bem altas pintalgadas de neve. O Licancabur tem a seus pés a Lagoa Verde, cuja tonalidade de verde quase esmeralda (devido ao magnésio existente no fundo das suas águas) se pode tornar mais ou menos intensa consoante o vento sopra a favor desse fenómeno ou não. Por sorte conseguimos ver parte de um verde irreal em parte da lagoa. Não em toda a sua dimensão, o que seria sorte a mais, mas uma decente amostra. E por sorte, também, conseguimos apanhar um muito fotogénico reflexo do Licancabur nas águas verdes da lagoa. A lagoa, como espelho, nem sempre fica assim, como pudemos observar pelo desaparecimento num ápice do reflexo das montanhas na água, para logo voltar a aparecer minutos depois.

Chegadas à Lagoa Verde e ao Licancabur, metade Bolívia, metade Chile, com a Argentina ali à espreita à esquerda, havia que retornar a Uyuni, a algo cansativas 6 horas de distância, com uma paragem para almoço em Villa Mar, situada à beira de um riacho. O curioso por estas paragens é que a qualquer pequena aldeia do Altiplano não poderá faltar um campo de futebol com balizas. Para além deste equipamento, Villa Mar dispõe também de uma quadra de basquete onde 3 miúdos simpaticamente requereram a companhia das 2 forasteiras para compor o jogo.

Antes da chegada a Uyuni parámos ainda em San Cristobal, considerada uma aldeia modelo, com uma pitoresca igreja de estilo colonial bem distinto.
San Cristobal tem algumas semelhanças com a nossa Aldeia da Luz. Não que compare o Alentejo com o Altiplano Boliviano. Também não fica perto de nenhuma barragem nem viu a sua original aldeia ser afogada por esta. San Cristobal fica, isso sim, próxima a uma mina e deu jeito ao consórcio canadiano que a explora que San Cristobal fosse transferida para uma localização a uns kms de distância da original.
A curiosidade maior é terem mudado por inteiro a igreja colonial, carregando-a e montando-a peça a peça. De resto, foram construídas novas casas, as quais possuem um ar moderno que não encontramos em muitos mais povoados das redondezas. Idem para posto médicos, escolas e, como não podia faltar, equipamentos desportivos.

Os canadianos têm controlado, assim, esta zona pela actividade que vêm desenvolvendo na dita mina donde desde os anos 80 têm sido extraídos prata, zinco e chumbo. Há quem compare a importância dos minérios aqui existentes com aqueles que outrora existiram no Cerro Rico, em Potosi. Talvez por isso, e para que o acesso a este local não seja tão difícil, existe hoje uma estrada – patrocinada precisamente pelo consórcio canadiano que detém os direitos sobre as minas – que com boa vontade (para os nossos padrões) poderemos considerar boazinha. De terra batida, sim, mas larga o suficiente para que possa ser considerada segura acelerando-se a quase 100 km / hora. Com isso, desde há poucos anos o tour que sai de Uyuni pelos salares, vulcões e lagoas passou a durar 3 dias e 2 noites, e não os 4 dias e 3 noites anteriores à abertura deste estradão.

Depois de muitos kms, cerca de 1000, percorridos em 3 dias por paisagens deslumbrantes e únicas, muito pó e algum cansaço, seguiu-se a chegada a Uyuni e sua torre pelas 17:30 e uma seca até às 20:00, hora da saída do nosso autocarro para La Paz. Aqui deu-se a primeira contrariedade da viagem: sabendo que nos esperaria uma viagem de 11 / 12 horas num autocarro bum bum maioritariamente em terra batida, reservámos com 1 mês de antecedência o muito publicitado “bus turístico” que anunciava evitar o desconforto maior da turbulência inevitável nas estradas da Bolívia. Qual não foi o nosso espanto quando descobrimos que nem reserva na internet, nem telefone desde Uyuni, nem dinheiro adiantado, nem bilhetes com lugar marcado na mão seriam suficientes para fazermos a nossa viagem, uma vez que a empresa havia vendido esses mesmos lugares a outras pessoas e que seriam essas a viajar no nosso lugar. Detalhe: o autocarro estava completo e a proposta da empresa de transportes era passarmos mais um dia em Uyuni e seguirmos viagem dai a 24h. Perante proposta tão desonesta face aos curtos dias de viagem, sorte que o bom senso acabou por imperar e ainda que por pressão nossa, qual país do 1.º mundo respeitando os compromissos previamente assumidos, o dinheiro acabou por nos ser devolvido e oferecidos 2 bilhetes numa outra empresa similar que partiria à mesma hora. Não sei se ficámos a ganhar, pois metade da viagem, enquanto durou a terra batida e o atravessar de riachos estreitíssimos, foi péssima, e a dificuldade para adormecer mais do que muita.
O certo é que esta constituiu o adeus a Uyuni, seu salar, vulcões, lagoas, flamingos e geysers. Adeus Altiplano.

15 de Setembro – Cordilheira de Lipez – Salares, Vulcões e Lagoas

Depois do pedido (5 bolivianos = 0,50 euros) para nos ligarem o esquentador, tomámos uma banhoca quentinha no anexo da casa – um luxo que não teríamos nos próximos dois dias. Saímos de San Juan em direcção ao Salar de Chiguana, ali bem perto, com a montanha do vulcão Ollague como ponto de referência para mais uma estrada improvisada como uma linha recta infinita. Este salar não é tão grande nem tem tanto sal como o de Uyuni mas, ainda assim, é expressivo o bastante para nos continuar a deslumbrar.

Seguimos, desde San Juan, kms e kms no nosso jipe a planar no sal a par com o comboio que se dirigia para Calama, no Chile. Até que, de repente, o comboio continuou e nós atolámos. Incrível como é que um 4×4 consegue atolar, ainda para mais num misto de lama com sal. Mas foi o que nos aconteceu, uma vez que tocou ao nosso motorista (e a nós) o azar de tentar percorrer umas linhas sobre um branco nada consistente. Para azar do nosso companheiro francês, ele era o único homem do grupo e, assim, o único que era suposto empurrar o jipe (ao motorista competia, obviamente, tentar manobrar o veiculo no sentido de o retirar daquela situação inesperada). Fora do carro, as 2 irlandesas ficaram na delas. A boliviana ainda mostrou algum interesse em ajudar. Mas quando as 2 portuguesas arregaçaram as mangas, dispostas realmente a empurrar o carro, logo a cozinheira colocou ordem nas coisas: isso é coisa para homens. Ah, que chatice ficar parada de braços cruzados no meio de (mais) um deserto de sal com uma montanha vulcão linda e um sol colorido. Ah, como é bom um pouco de machismo de vez em quando.
No entanto, para alguma coisa havia servido termos sido o primeiro grupo a sair manhã cedo de San Juan. Logo apareceram 1, 2, 3 jipes com uma quantidade suficiente de homens para nos fazer retomar caminho.

Saídas dos salares, entraríamos nas lagoas. Lagoas com cores para todos os gostos onde os flamingos reinam quase em exclusivo.
Primeiro, a Lagoa Canãpa. A respiração suspende-se. Como pode existir um lugar no mundo tão perfeito assim? Todos os seus elementos parecem ter sido escolhidos a dedo com o único objectivo de montar um cenário irrepreensível: os montes dos Andes, os desenhos das nuvens no céu, os flamingos brincando na água e, para completar o quadro, o reflexo de todos eles no azul intenso da Lagoa.

Segundo, a Lagoa Hedionda, a 4532m de altitude. A Lagoa Cañapa era o quê? Um cenário da perfeição? Sim. Então esta o que será? Sem palavras para descrever este local perdido no mundo. Apenas consigo dizer que foi aqui que para mim o tempo parou e me emocionei ao sentir que este fora o local mais plácido e belo em que alguma vez estivera.

A acompanhar toda esta beleza da natureza, impressiona igualmente a velocidade e quantidade de vezes que a paisagem ao nosso redor vai mudando. Em poucos kms assistimos a uma dramática passagem de cenário de uns vales cuja água foi evaporando com o passar dos (muitos) anos, para umas lagoas de cujas águas os flamingos são donos e senhores, para uma vegetação rasteira e colorida a lembrar um quadro de Van Gogh para, por fim, um autêntico deserto onde só se vê terra por todos os lados.
Em comum todas estas muitas paisagens têm as montanhas dos Andes.

Até que chegamos à muito fotografada “Árvore de Pedra”, no Deserto de Siloli, uma estranha formação rochosa de origem vulcânica que parece que foi ali estrategicamente plantada com o único propósito de que não cessemos de nos surpreender.

Quase ao fim da tarde chegámos à Lagoa Colorada, na Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaros, onde dormiríamos num refúgio a 4278m de altitude.
Fomos recebidos por uma vicunha maluquinha apaixonada por bolachas. O mais curioso é que, supostamente, as vicunhas diferem das lamas e das alpacas por não serem bichos que se deixem domesticar. Toda a regra terá a sua excepção e esta ficou bem marcada ao vermos a vicunha a correr dentro de casa procurando surripiar as bolachinhas que se encontravam em cima das mesas.

Caminhámos lentamente até ao mirador para ver os flamingos. Parece repetitivo: montanhas, lagoas e flamingos. Mas nunca o sentimos assim. Repetitiva só a surpresa. Aqui as águas possuem uma cor incrível e inexplicável. Ou melhor, a explicação para a cor acastanhada e vermelho sangue encontramo-la nos pigmentos de algas que pululam no fundo das suas águas, ao lado de minerais como o bórax que se encontram à beira da lagoa, mais parecendo, vistos de longe, pequenos glaciares.

Este local é frio, muito frio. Foi necessária muita coragem para sair à noite para contemplar as estrelas. Mas valeu a pena o gelo no rosto e no corpo para ficar com a certeza de que aqui, sim, as estrelas não falham.

14 de Setembro – Salar de Uyuni

Não muito cedo, estupidamente tarde até para quem se propõe fazer um tour de 3 dias (2 noites) percorrendo cerca de um milhar de km de estrada, saímos para a viagem de jipe 4×4 pelo Salar de Uyuni, lagoas, flamingos, geysers, vulcões, enfim, tudo o que a mãe natureza nos daria direito a ver pelo Altiplano boliviano até bem junto da fronteira com o Chile.
Estes tours, bastante procurados, saem todos os dias de manhã e a melhor opção, dada a grande oferta, é mesmo contratá-los numa agência directamente em Uyuni. Depois é só distribuir pelos jipes necessários os viajantes em grupos de 6.
A companhia que nos calhou, para além do motorista e sua mulher cozinheira, constava de duas irlandesas, um francês e uma boliviana. Das irlandesas quarentonas quase não se ouviu palavra durante todos os dias da viagem. O francês apenas sabia dizer “ah, oui”. Quanto à boliviana, foi uma sorte apanhar com alguém que vive a realidade do país para nos pôr ao corrente da situação – turística, certamente, mas também histórica, politica e social da Bolívia.

A primeira paragem deu-se num cemitério de trens, à entrada de Uyuni. Como havia referido no post anterior, Uyuni é um importante ponto de intersecção de comboios daí que possa fazer sentido este amontoado de velhas carruagens já sem uso estacionadas à sua porta. De questionar, todavia, o interesse de incluir esta paragem quando o que se espera conhecer tem tudo apenas que ver com natureza.

Uns quantos kms depois chegámos a Colchani, onde em troca de uma breve explicação e demonstração do processo de tratamento e armazenamento do sal fomos convidadas a oferecer uma “propina” de uns quantos centavos de boliviano ao improvisado guia local. Preço ajustado – para baixo – à informação.

Logo em seguida, parámos para sentir o primeiro cenário de sal infinito com as pirâmides de sal e um pouco mais à frente com um hotel inteiramente feito de sal – as paredes, mesas, assentos e tudo mais que possamos imaginar.

Seguimos, então, para a ilha Incahuasi e no trajecto tivemos a verdadeira realidade da dimensão do salar, um verdadeiro deserto branco.
São 10582 km2 que fazem do Salar de Uyuni o maior do mundo, a 3653m de altitude.
Quando aqui há uns meses colocámos de lado a opção Peru para as férias de Verão, foi o Salar de Uyuni, principalmente, que nos motivou para a alternativa da vizinha Bolívia (nada despicienda foi a leitura das partes do livro de Gonçalo Cadilhe dedicadas ao salar que deixou a mana verdadeiramente impressionada). Estando agora por aqui, sentindo todo este infinito mágico à nossa volta, só nos podemos sentir iluminadas por esta opção.
Há muitos milhares de anos, toda esta zona formava um só lago gigantesco (o Lago Minchin) cujas águas viriam a evaporar e secar e redundar em dois lagos (Poopó e Uru Uru) e dois salares (Uyuni e Coipasa).

São km e km de uma improvisada estrada branca percorridos em jipe a alta velocidade que nos faz sentir, muitas das vezes, estarmos autenticamente a voar.
O branco intenso e imenso do sal confundiria qualquer um que se aventurasse a percorrer estes caminhos por sua iniciativa. A única solução para não acontecerem enganos na direcção que se quer tomar é fixar uma das inúmeras elevações dos Andes que vão rodeando o salar, como o monte e vulcão Tunupa com o seu pico a 5432m de altitude. Diz certa lenda que foi o leite saído do peito de uma mulher chamada Tunupa que formou este salar.
A ilha Incahuasi, no meio do Salar de Uyuni, é uma estranha e mágica formação da natureza. Parece irreal que no meio de tanto branco de sal surja de repente uma rocha elevada, com uma dimensão percorrida nuns bons 40 minutos, cheia de cactos centenários, alguns dos quais com mais de 10m de altura.

É um contraste de elementos da natureza e de cores surpreendente – ao branco debaixo dos nossos pés e ao azul do céu sobre nós, junta-se aqui o castanho forte da terra desta ilha.

À beira da ilha, naquilo que seria a água, em substituição do sal, se estivéssemos a falar do conceito de ilha tradicional, ocupámos o nosso tempo a imaginar as possibilidades de fotos surreais que todos aqueles que se aventuram por aquelas passagens com uma máquina fotográfica não deixam de fazer. Quer dizer, todos aqueles menos os do nosso grupo. Ou seja, limitámo-nos a imaginar situações em que apenas uma de nós poderia aparecer na foto a representar algo de estrambólico, e não aquelas fotos tradicionais tiradas no local com uma trupe de 3, 4 ou 5 elementos imaginariamente às cavalitas um dos outros. Ou seja, teve de ser o chapéu e os óculos da mana a suportar todo o seu peso.

O fim do dia veio cedo. Chegámos a San Juan do Rosário, aldeola no meio do nada (só por esta vez consideraremos os Andes como nada), ainda a tempo de ver o por do sol.

O jantar veio às 19:00 logo seguido do aviso de que o gerador com a luz não demoraria muito a voltar a ser desligado. Ficámos os 6 instalados numa casa de um piso com 3 quartos ao longo de uma sala corrida ocupada apenas com a mesa e cadeiras para as nossas refeições. Tudo muito humilde mas bem adequado para a viagem que fazíamos. A casa de banho (com banho quente apenas a pedido e em troca de umas moedas pelo esforço de ligar o esquentador), por exemplo, ficava num outro bloco à saída da rua do nosso. Uma sorte, no entanto, ter de sair com um frio gélido num breu cerrado e dar de caras com um céu imensamente estrelado. Nem nos melhores sonhos imaginei que pudessem existir tantas estrelas e tão grandes. Soa a cliché mas é mesmo assim: um privilégio no meio da ausência de tantas coisas que nós, europeus, tomamos como garantidas.

13 de Setembro – Potosi – Uyuni

Hoje o dia amanheceu bem bonito, nada que ver com a tarde de ontem. A surpresa foi depararmo-nos com o Cerro Rico nevado. No entanto, com o sol que brilhava pela manhã, rapidamente a neve foi derretendo.

Aproveitamos este e muitos outros cenários desde o topo da Igreja / Convento de São Francisco.
A vista daqui é fabulosa, alcança todo o caos de Potosi e seus arredores. Mais uma vez, e tal como tinha acontecido com a Igreja de La Merced, em Sucre, o telhado é uma beleza à parte, cheio de formas, a fazerem concorrência às dos cerros que dominam a cidade.

Seguiu-se uma visita à Casa de la Moneda que entrou para a história, entre outras, pela exclamação que o rei de Espanha que governava na época da sua construção terá deixado escapar quando soube o seu preço final, qualquer coisa como isto: “deve ser toda em prata”. O seu edifício do século XVIII ocupa todo um quarteirão e para além de nos mostrar o processo da cunhagem das moedas (que cessou em 1953 e, curiosamente, hoje não há mais cunhagem de moeda na Bolívia, sendo que os “bolivianos” vêm de Espanha, França e Canada) possui algumas pinturas do maior pintor boliviano, Melchior Perez Holguin, e outras obras anónimas que, presumivelmente, serão da autoria de indígenas da escola de Potosi que, apesar de não saberem ler, tinham bastante queda para as artes. Um dos mais conhecidos é o quadro “La Virgen del Cerro”.

A manhã – os últimos momentos em Potosi – foi, assim, bem aproveitada, antes de nos pormos a caminho de Uyuni.

À tarde esperava-nos uma viagem de 6 horas numa carripana (que desta vez ninguém arriscou apelidar de “boa”) em que as malas são atiradas (literalmente) para o tejadilho e cobertas com uma lona. Talvez isto impeça a chuva de as molhar, mas não impediu o pó de as borrar todas.
Dentro do autocarro a confusão é total. Em lugares para 2 sentam-se pai, mãe, 2 filhas mais a bagagem e brinquedos que não foram para cima. Estrada – de terra – fora vão entrando mais e mais passageiros e, mesmo que o autocarro esteja cheio, parece que cabe sempre mais um. O corredor fica, então, totalmente ocupado com passageiros e sua bagagem. Não há qualquer problema em sentar no chão ou mesmo por cima do meu braço, invadindo quase por completo o lugar daqueles a quem, por sorte, calhou entrar logo na 1.ª paragem. O que mais impressiona por aqui é que os passageiros fazem as muitas horas da viagem em pé e espremidos, sejam jovens, criancinhas ou velhotes. E quando algum de nós quer sair numa das paragens improvisadas no meio do caminho onde com muita dificuldade se vislumbram povoações, aí então é a aventura total. Levantam as pessoas que estão no corredor, passam as suas bagagens ou filhos recém nascidos para quem está sentado e com o colo vazio, encolhem-se, e lá vai quem sai. Entretanto, junto ao condutor o cenário não é muito diferente – todo o espaço “livre” tem de ser ocupado, num esforço louvável para não deixar apeado quem quer que seja.

A chegada a Uyuni revelou-nos uma cidade que… não gosto mesmo nada de dizer isto de um local, mas… passa.
Porém, antes de “passar” por esta desinteressante cidade direi apenas que Uyuni tem cerca de 14000 habitantes que vivem a 3669m, sendo um importante ponto de passagem de comboios, uma vez que estes daqui seguem ou prosseguem para Oruro e Potosi (na Bolívia), Calama (Chile) e Villazón (Argentina).
Fora isto, a maioria daqueles que chegam e param em Uyuni fazem-no em trânsito, utilizando-a como ponto de partida para o tour pelos salares, vulcões e lagoas que se encontram nas suas redondezas. Nós não fugíamos à regra e deitamo-nos excitadas pela viagem de jipe que iríamos realizar nos próximos 3 dias, naquele que viria a ser o ponto alto da viagem à Bolívia e uma das experiências mais gratificantes na nossa vida de viajantes.