Riviera de Montreux – Castelo de Chillon e vinhas de Lavaux

Lausanne é a porta de entrada para a Riviera de Montreux, cantão de Vaud.

Mesmo num dia de saída de Inverno, sem sol, esta região junto ao Lago Geneva / Léman consegue ser fantástica e mágica.

Aproveitando a primeira segunda-feira do ano sob o novo horário de Verão, estiquei o dia de luz natural o mais que pude e consegui um dia soberbo de visita a portos piscatórios, vinhas, castelos, igrejas, torres, tudo isto num cenário de lago e montanha belíssimo.

De Lausanne a Lutry são uns 15 minutos de viagem de autocarro.

Lutry é uma simpática aldeia piscatória. Tem uma promenade pitoresca pelos barcos e vivendas que lhe dão colorido e um pequeníssimo mas riquíssimo e bem conservado centro histórico onde se destaca a torre da igreja. A Maison des De Prez é um edifício gótico que foi pertença de uma das famílias da aristocracia local e um exemplo histórico interessante. Curiosas as suas portadas de madeira.

Mas Lutry é, sobretudo, a porta de acesso para os terraços de vinhas de Lavaux.

O que optei por fazer foi começar por conhecer Lutry e seguir numa curtíssima caminhada até Châtelard, pequena povoação que lhe é contígua, passando pela formosa Torre Bertholod que mais parece um castelo, para ter uma primeira noção do que é esta realidade, Lavaux, distinguida pela Unesco como património da humanidade.

Aberto o apetite, contive-me e dirigi-me imediatamente até outro concurso, o do castelo mais bonito da Suiça, saboreando-o primeiro.

De Lutry a Veytaux-Chillon são 30 minutos de viagem de comboio, o qual segue sempre nos trilhos junto ao lago. Esta última estação é a mais próxima do Castelo de Chillon, deixando-nos a escassos minutos de uma épica caminhada até ao castelo mais bonito da Suiça.

É difícil pensar numa localização geográfica mais fabulosa. Instalado numa quase despercebida ilhota rochosa à beira do Lago Léman, com os Alpes como guardiães, vamos chegando até este que é o monumento mais visitado do país passando de praia em praia, até que ele vai ficando cada vez mais ao nosso alcance. Dá vontade de mergulhar nas águas geladas do lago e atacá-lo de surpresa, mas não, seguimos ordeiramente para a sua porta de entrada, atravessando uma pequena ponte sobre um fosso natural juntamente com hordas de chineses.

A sua localização estratégica, permitindo o controlo de rotas comerciais desde a Itália, levou a que desde o século XII fosse utilizado pelas famílias dominantes de cada era. A família Savoy controlava a fortificação já no ano de 1159 e, também, todo o território ao redor neste lado do lago. Nessa época utilizava o Castelo não apenas como fortificação, mas também como residência de Verão. Quando no século XVI os suíços conquistaram a região de Vaud, naquela que ficou conhecida como a Era Bernesa, ocuparam o castelo e este foi sendo usado também como fortificação, mas sobretudo como arsenal e prisão. Por fim, com a criação do Estado de Vaud em 1803 este ficou proprietário do Castelo de Chillon.

O Castelo foi sendo alterado ao longo dos tempos, mas a sua integridade mantém-se. Vários pátios se sucedem, dando acesso a diversas áreas do castelo. Logo à entrada fica a adega – é comercializado um vinho que leva o nome do castelo – o armazém e a prisão. A prisão que Lord Byron imortalizou no seu poema “O Prisioneiro de Chillon”, a história do cativo François Bonivard.

Podemos adentrar ainda a cripta, uma galeria subterrânea com a pedra em relevos vários e labiríntica. O ambiente misterioso é aquele que se espera de um castelo medieval.

Visitamos, igualmente, algumas divisões especialmente recriadas segundo os seus históricos utilizadores, como a capela, quartos, salas de jantar e salas cerimoniais e de recepção. A “aula nova” e a “aula magna” são as mais distintas, com relevo para a decoração a tempera, pintura das paredes, colunas de mármore e chaminé. Das torres / bastiões do castelo temos umas vistas de cortar o fôlego. Impossível deixar de pensar como poderiam os seus guardiães manter a sua concentração face aos raids inimigos.

Montreux avista-se ao fundo, com um edifício altíssimo a destacar-se da idílica paisagem. Uma promenade liga o Castelo de Chillon a Montreux, cerca de uma hora de uma gratificante caminhada.

O cenário, sempre o cenário.

Para compor, tudo por aqui está super cuidado, flores por quase todo o caminho e à chegada a Montreux a promenade toma mesmo o nome de Quai des Fleurs.

Aqui vemos desfilar grandes mansões e hotéis. Pontões à beira da porta de casa servem de estacionamento para o barco. Que luxo. E ao mesmo tempo, que serenidade. Não há sol, um mergulho requer muita coragem, mas o deslumbre é total. Esta deve ser a época do ano mais tranquila para se viver a região.

Montreux é internacionalmente conhecida por ser o resort à beira lago onde acontece o mais famoso festival de jazz do mundo. BB King, Ella Fitzgerald, Ray Charles, Miles Davis. Foram tantos os nomes maiores da música que passaram por aqui. Stravinsky compôs aqui a Sagração da Primavera. A música Smoke on the water, dos Deep Purple, foi inspirada por estes ares.

Mas o grande símbolo musical de Montreux acaba por ser hoje Freddie Mercury. A capa do último disco dos Queen, Made in Heaven, é a imagem, precisamente, que hoje podemos ver imortalizada em escultura na frente de lago da cidade.

Animação não falta a Montreux que, para além da música, tem ainda um casino para entreter os visitantes. E várias pistas de ski a menos de uma hora de distância. Por mim, deixo Montreux como comecei, a admirar a tranquilidade do seu lago.

Lago, lago, lago.

Ele não nos deixará até ao fim do dia. Mas agora terá um cúmplice inesperado: os terraços de vinha.

A história de Lavaux foi lançada neste texto com a prospecção prévia em Lutry. Agora a rota de lançamento oficial será efectuada em St-Saphorin, a 15 minutos de comboio desde Montreux.

St-Saphorin é uma aldeia encantadora, cheia de passagens em arco à medida que vamos subindo as suas ruas em pedra. Mas é a sua implantação soberba que nos tira, definitivamente, o fôlego.

Caminhei por uns quantos quilómetros os terraços de Lavaux, mas nenhuma paisagem me fascinou da forma arrasadora como aquela que temos ao virar costas a St-Saphorin a caminho de Rivaz. A aldeia com a sua torre da igreja e o conjunto de casas empoleiradas, o lago como espelho, as montanhas nevadas, as vinhas plantadas em escadinha, tudo faz deste cenário um daqueles que perdurará na memória.

Foram os romanos os primeiros a usar esta terra para plantar a vinha. Os monges deram-lhe seguimento e desde há cerca de 800 anos iniciaram esta tradição de cultivar as uvas em terraços. Hoje os terraços de vinha de Lavaux são reconhecidos como Património da Humanidade pela Unesco.

A Unesco destaca o exemplo de centenas de séculos de interacção entre as gentes locais e o meio ambiente de Lavaux, de tal forma que desenvolveram e optimizaram os recursos da natureza de forma a produzir um vinho importante para a sua economia.

Esta é a maior área contínua de vinha da Suiça, e nem as aldeias rústicas que vamos encontrando pelo caminho quebram este contínuo de vinhas, cerca de 30 quilómetros ao longo do Lago Léman, desde os arredores de Lausanne até ao Castelo de Chillon. Aqui é produzido algum do melhor vinho da Suiça, um dos segredos mais bem guardados dos apreciadores, já que o vinho suíço é essencialmente um vinho de consumo interno.

Os diferentes solos e microclimas que aqui se formam produzem diversos tipos de vinho. Mas é o efeito do sol que aqui constitui um factor decisivo e curioso: os raios vindos directamente do céu, aqueles que são reflectidos das águas do lago e o calor guardado pelos muros dos terraços de Lavaux, todos eles contribuem para fazer deste um vinho de qualidade.

Não vou falar das provas de vinho que podem aqui ser feitas, porque infelizmente não sou apreciadora.

É de vistas que se trata toda a história.

A piada destas vinhas, mesmo nesta época do ano, onde as suas cores não são, de todo, as mais exuberantes, uma vez que as uvas apenas serão colhidas em Setembro, é a possibilidade de caminharmos junto a elas, nelas nos embrenharmos até, ao longo da corniche que cerca o lago. São infinitos os pequenos arbustos que em breve irão começar a ver nascer as uvas.

A partir de Abril e até Outubro existe a possibilidade de percorrer parte destes terraços no Lavaux Express, um comboio turístico.

Mas porque caminhar é um prazer imenso e uma excelente forma de conhecer, mesmo com o comboio disponível a visita a pé a pelo menos parte destes terraços é essencial.

De St-Saphorin a Rivaz são cerca de 40 minutos numa caminhada fácil. Já se sabe, lago e montanha pela esquerda, vinha a toda a volta, aldeia pitoresca à partida, aldeia pitoresca à chegada e, pelo meio, o Château de Glérolles.

Rivaz destaca-se pela sua torre vermelha e por uma série de pormenores que não deixam dúvidas ser esta uma aldeia vinícola. Aqui fica o Vinorama, um espaço informativo e de descoberta dos vinhos de Lavaux (encerrado no dia da minha visita). E de Rivaz podemos tomar a rota pedestre até Chexbres. Optei por não desviar e seguir em direcção a Epesses, um pouco mais de uma hora de caminho pelo Chemin de la Dame, com a Route du Lac lá em baixo e a encosta até aqui, e por cima do Chemin, toda preenchida de vinhas.

Passamos pelas terras do vinho Doc Dezaley (Grand Cru), pelo Clos les Abbayes e pelo Clos des Moines. Antigos mosteiros cistercienses, hoje são edifícios vinícolas propriedade da cidade de Lausanne.

E passamos por alguns locais a plantar as suas vinhas. No meio dos bonjour que são lançados à minha passagem, pareceu-me ouvir a uns deles umas palavras em português entre si.

Meti conversa e, sim, eram portugueses. De Alijó. Já se sabe da enorme emigração de portugueses para a Suiça, mas é incrível constatar como podem portugueses junto às vinhas do Douro necessitar de vir trabalhar para as vinhas de Lavaux. Talvez assim faça mais sentido ouvir Prince cantar, na sua música de nome Lavaux, “leva-me para a vinhas de Lavaux, quero ver as montanhas onde as águas correm (…), leva-me para as estradas de Portugal, que pode ser o meu destino para ver a cascata” (rimando Lavaux com flow e Portugal com waterfall).

De Epesses descemos durante uns 30 minutos até Cully. Cully é uma aldeia ribeirinha, pitoresca como as demais. A ligação ao vinho é evidente, desde logo na imagem do cacho de uvas presente no seu obelisco espécie de pelourinho.

Mais uns 30 minutos, mas desta vez sempre a subir por um género de levadas, e chegamos a Grandvaux. Grandvaux é, graças à sua localização mais elevada, uma povoação miradouro. Miradouro para os terraços de vinha e miradouro para o lago. Mas é também a terra que Hugo Pratt, o criador de Corto Maltese, escolheu para viver nos últimos anos da sua vida. Como fã de Corto, é verdadeiramente emocionante encontrar aqui uma escultura sua, encarando altaneiro a imensidão do Lago Léman e das montanhas dos Alpes.

E, por fim, Aran, mais uma pequena população a 10 minutos de distância de Grandvaux.

Daqui até à estação de comboio de Villette é uma descida íngreme, fácil para a despedida deste dia intenso que havia começado a cerca de 1,5 quilómetro daqui, em Châtelard / Lutry.

Em resumo, foi uma longa mas gratificante tarde de caminhadas por terraços de vinha junto ao lago e com vista para a montanha, pouco mais de 10 deliciosos quilómetros adentrando aldeias vinícolas castiças, cada uma com a sua distinta torre de igreja, e com mosteiros beneditinos e cistercienses pelo meio.

Lausanne

A viagem comboio de Genebra para Lausanne é um encanto. O comboio vai seguindo com o lago Léman e as montanhas francesas com os picos nevados à nossa direita, numa contínua tranquilidade.

O centro de Lausanne fica numa zona elevada a uns dois quilómetros da beira desse mesmo lago Léman.

Ouchy é o nome do bairro junto ao lago, até onde foi construída uma moderna ligação de metro que segue em linha recta, requalificando parte dessa linha para passar a ser acompanhada por uma promenade verde.

Ouchy é desde o século XII um pequeno porto de pesca e comércio. Tem até hoje um castelo que serviu como defesa da costa. Zona agradável, ideal para um passeio de fim de semana ou fim de tarde, a frente de lago estende-se até se perder de vista.

Caminhando um pouco desde o centro de Ouchy chegamos até ao Museu Olímpico de Lausanne, paragem obrigatória para os fãs do desporto ou, tão somente, do maior evento do mundo.

As vistas desde o jardim do museu são fabulosas. Umas esculturas de alguns dos maiores corredores do mundo, como Emil Zatopek e Paavo Nurmi abrilhantam a localização junto ao lago. Temos ainda a pira olímpica e uma pista de tartan de 100 metros onde podemos testar os nossos dotes de Usain Bolt.

Este Museu Olímpico percorre a história desta criação humanitária, desde as suas raízes na antiguidade grega até se tornar o evento global da actualidade. Está lá a história do Barão Pierre de Coubertin, o mentor dos jogos modernos que nunca desistiu da sua ideia de unir o mundo inteiro com o pretexto do desporto. A história do movimento e do espírito olímpico é uma história de amizade, respeito mútuo e trocas, assente em valores. O programa é bonito e para quem ama o desporto o museu relembra que o mundo do desporto pode mesmo ser bonito. Revivemos aqui momentos dos Jogos, como o das cerimónias de abertura, vemos como a arquitectura dos espaços criados para os Jogos pode moldar e criar novas cidades, legando equipamentos que se tornaram verdadeiros ex libris das cidades, relembrarmos as suas mascotes e objectos vários. Temos ainda a hipótese de ver com os nossos próprios olhos e ali bem perto as medalhas atribuídas aos campeões desde a primeira edição.

Este é ainda um museu interactivo, com muitas experiências para que possamos imaginar o que é estar no lugar de um atleta de topo. Da tal pista de 100 metros com vista para o lago, até testar o equilíbrio como se nuns skis estivéssemos ou testar a nossa mobilidade e agilidade em desafios vários. A verdade é que os Jogos Olímpicos são parte da cultura de uma era e possuem uma influência enorme no nosso mundo moderno, motivos mais do que suficientes para uma visita a este museu.

Ainda em Ouchy, vários hotéis famosos ficam por aqui, incluindo o Hotel Angleterre onde Lord Byron passou uma temporada e, diz-se, escreveu a sua obra O Prisioneiro de Chillon.

E hóspedes famosos é o que nunca faltou a Lausanne. Alguns nomes mais: Voltaire, Mozart, Napoleão, Victor Hugo, Charles Dickens, Gandhi, Benito Mussolini, Coco Chanel, Charle Chaplin, George Simenon, Josephine Baker, Rita Hayword e a lista poderia continuar.

A localização da cidade é superior e isso pode ser atestado deste o miradouro do Parc de Milan, a meio caminho de Ouchy e do centro de Lausanne.

Minimamente percebidos os contornos e a envolvência geográfica de Lausanne, iniciaremos então a visita ao centro histórico da capital do cantão de Vaud.

Cidade medieval instalada num monte a quase 500 metros de altitude, a sua Catedral de Notre Dame é dominadora. Para lá chegarmos podemos começar por conhecer a Place de la Palud, o coração da cidade velha, onde fica o Hotel de la Ville, agora edifício municipal. Aqui tocou Mozart. Do passado ficam as extravagantes gárgulas que saem da sua fachada.

Ainda nesta praça, seguindo em direcção à sua pitoresca fonte – com a dona Justiça como personagem principal -, chegamos às Escaliers du Marché, uma via que liga directamente o centro da cidade à catedral. É sempre a subir por umas escadas de madeira cobertas, podendo optar ao invés por subir ao seu lado na rua empedrada onde ficam alguns edifícios típicos em escadinha. Muito bonito.

Chegados ao final das escadas, já na praça da Catedral, vemos o serpentear desta espécie de túnel de madeira e, sobretudo, uma vista fantástica de toda a cidade e lago.

A Catedral de Notre Dame é enorme e uma das mais gabadas de toda a Suiça. Em estilo gótico, do século XIII, a primeira imagem para quem chega desde as Escaliers du Marché é o seu portal com figuras em tamanho real. No seu interior impressiona o janela rosa medieval rendilhada com vitral representando o mundo no início do século XIII.

É possível subir os mais de 200 degraus que nos levam até ao seu campanário. O que não era esperado era que alguns dos seus sete sinos tocassem justamente no momento da subida. Susto. Logo redimido com a vista de pássaro que se alcança.

À volta da Catedral ficam as ruas Cité-Devant e Cité-Derrière, duas ruas paralelas onde é possível encontrar alguns exemplares de janelas com portadas que são também a marca de Lausanne. Isso e uma certa arquitectura chateau, sem ser monumental.

Aqui perto fica, precisamente, o Château de Saint-Maire, originalmente a casa dos bispos no século XV, hoje lugar de departamentos da administração pública.

Em baixo fica a Praça Riponne, larga mas sem grande piada a não ser os edifícios correspondentes aos museus da cidade.

Do lado contrário, seguindo novamente desde a Place de la Palud, mas agora sem subir até à Catedral, chegamos à Rue de Bourg. É a rua das lojas da cidade. E nela e nas ruas que a rodeiam pude concluir algo que pode ser injusto para quem passa por uma cidade meros dois dias: não entendo como pode Lausanne ser considerada uma das cidades mais bonitas da Suiça.

Embora o facto de o seu centro ser um constante sobe e desce e um labirinto típico de cidades medievais não ser impeditivo para se considerar uma cidade encantadora (este facto até costuma jogar a favor do encantamento), tudo o resto me pareceu um obstáculo para aqui encontrar, no seu conjunto, uma cidade a que deseje voltar. Para além de não encontrarmos edifícios monumentais ou interessantes, tirando um ou outro elemento decorativo, muitos dos edifícios do centro da cidade estão descuidados, em ruína e rabiscados. Vê-se lixo nas ruas. Pior, por revoltante, vê-se tanta gente a pedir. Morenos e loiros, para que o estigma dos estrangeiros que nos invadem fique já colocado de lado. Não é, de todo, a típica cidade suiça da nossa imaginação, com tudo ordenado e perfeito.

Aparte a iluminação natural vinda do lago, a cidade é escura. Isto em termos históricos. Nos dias de hoje, valha a verdade, mesmo no centro encontramos novos edifícios cheios de cor, até uma empena desenhada, que quebram aquela modorra.

O maior símbolo da regeneração arquitectónica de Lausanne encontramo-lo perto da torre do relógio do primeiro arranha-céus da cidade, a torre Bel-Air, dos anos trinta do século passado. É o Quartier du Flôn, um antigo vale que em tempos antigos era lugar de vinhas e moinhos e hoje, com uma cara totalmente diferente, aparece com restaurantes, bares, lojas e cinemas. É um caso de sucesso e orgulho na cidade.

Em Lausanne, dois espaços mais a visitar, bem ao meu gosto, um para cada direcção. Um parque e um museu.

O Parc de Mon-Repos é, como o nome indica, um sítio para relaxar. Como elemento mais distintivo, a sua torre neo-gótica com uns fios de água que correm perto. Atravessada a via de acesso ao tribunal que aqui tem a sua sede, o parque continua com muitos caminhos que vão dar quer a um aviário, quer ao edifício que foi lugar de apresentação de peças de Voltaire.

Já o museu Colecção de Arte Bruta, criado pelo pintor Jean Dubuffet, é uma viagem e uma abertura a toda a espécie de arte, independentemente dos seus autores – autodidatas, muitas das vezes indivíduos com problemas psiquiátricos ou vivendo à margem da sociedade – ou materiais usados – madeira, conchas, até legumes secos. Uma forma inclusiva de deixar Lausanne.