Tumbas no Castelo de Algodão

Para o fim da viagem ficou a visita a outro dos sítios na Turquia considerado património mundial pela UNESCO: Pamukkale – Hierapolis.
A cerca de 3 horas de Selçuk / Éfeso, e já com poucos dias disponíveis na contagem decrescente do regresso a casa, colocava-se o problema dos meios de transporte para o local. Existem autocarros para Denizli, a cidade mais próxima, a 30 minutos, o que implicaria ter de mudar de transporte. Ou seja, com a viagem de ida e volta num só dia, mais o tempo para se passear entre as ruínas, para além de cansativa a jornada previa-se apertada.
Optámos, assim, por aderir a uma excursão com início em Selçuk. Afinal de contas, ainda não havíamos enfiado o barrete da ordem nestas férias e havia que arriscar. Logo à partida deparámo-nos com o entusiasmo do operador turístico em anunciar-nos que antes de chegarmos propriamente a Pamukkale teríamos um tempo reservado para tomar banho numa piscina de um hotel de 5 estrelas. A que se seguiria um almoço bufete no dito hotel de 5 estrelas.
Uau! É mesmo o meu sonho de consumo.
Enfim, tempo morto de 1 hora gasto apressadamente num mergulho aqui, barrando-nos com “lama”, e um mergulho ali, numa água quentinha.
Pamukkale esperava-nos.
As imagens que havíamos visto indiciavam um lugar fantástico, surreal mesmo, daqueles que parecem não existir num planeta como o nosso.
O fenómeno a que se assiste neste local deve-se a uma formação geológica única, em que as águas ricas em cálcio caiem em cascata pela encosta criando as “travertines” brancas que hoje são cartão postal da Turquia.
A acompanhar a criação destas “travertines” temos ainda diversas formas que tomaram as rochas – prateleiras, piscinas, estalactites – que tornavam ainda mais prazerosa a utilização destas águas que possuem propriedades termais.
E digo “tornavam” porque o acesso às ditas “travertines” está hoje vedado. O boom do turismo nos anos 80 e 90 fez com que se construíssem dezenas de hotéis no topo deste sítio, destruindo não só alguns dos vestígios das ruínas de Hierapolis, como também desviando a água que corria em cascata para as suas próprias piscinas e necessidades. Outros abusos cometidos passaram igualmente pelo uso que as pessoas (os visitantes) faziam do local – aproveitar as águas para se lavarem, andar calçadas pelas “travertines” e, mesmo, de bicicleta ou mota.
Há uns anos, e na tentativa de reverter a situação, os hotéis foram demolidos mas, infelizmente, continua a correr pouca água em cascata, o que leva a crer que o problema estará também nos equipamentos que se situam abaixo de Pamukkale. Ou seja, o mal está feito e, dizendo em bom português, o que não tem remédio remediado está!
A impossibilidade de passear sobre as “travertines” e o facto da pouca água que corre hoje tornar menos exuberante o local não nos faz perder a viagem. Pelo contrário, o cenário continua deslumbrante e podemos, ainda assim, caminhar uns bons 2 km sobre este “Castelo de Algodão”, o significado de Pamukkale em turco, com os sapatos na mão, tentando não escorregar no chão branco carregado de cálcio.
Nunca um nome terá sido atribuído com tanta propriedade.

Aproveitando estas condições minerais dadas pela Natureza e a fama dos poderes curativos das suas águas, os romanos construíram aqui uma cidade, um imenso “spa”, à qual acorriam pessoas vindas de todos os cantos. Hierapolis é o nome da cidade que foi fundada no século II A.c.
Aqui podem ser encontradas as ruínas de uma igreja bizantina e as fundações do Templo de Apolo, entre outros monumentos comuns às cidades romanas, como a Agora e os banhos, e, como não podia deixar de ser, o Teatro.
O Teatro romano está implantado logo acima das “travertines” (ainda que não se consiga ter uma vista especial delas) e comportava cerca de 12000 espectadores.

Mas o ponto alto da visita a Hierapolis é a imensa necrópole que por aqui existe. Pois, nem todos os que ali acorriam terão ficado curados, daí que faça todo o sentido a construção de um cemitério para que não perdessem de todo a viagem. Existem, assim, inúmeros túmulos, sarcófagos, tumbas, alguns deles enormes e de todas as formas e feitios imagináveis.

Para turista ver, entre o Teatro romano de Hierapolis e as “travertines” de Pamukkale, existe ainda uma piscina com fragmentos de mármore submersos onde, diz a lenda (ou serão os prospectos turísticos?), Cleópatra se terá banhado. Na impossibilidade de se banhar nas águas do Castelo de Algodão ou nas águas das piscinas dos hotéis de 5 estrelas, resta então ao turista este banho “histórico”.

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