Em Ponte da Barca está a Igreja de Bravães, um dos melhores exemplos do românico na região, fundada em 1080. Acredita-se que o lugar tenha sido couto de D. Afonso Henriques. Por sorte, uma vez que a visitámos na hora da missa, pudemos conhecer o seu interior.


Antes, porém, admirámos a sua fachada e bela implantação, rodeada pela paisagem tranquila do vale do Lima. Chama desde logo a atenção o portal profusamente decorado, um exemplo de portal retábulo, representando a “porta da salvação” ou “porta do céu”, com o tímpano historiado com o Salvador entre dois anjos em adoração.





A decoração é exuberante, incluindo os capitéis, com motivos vegetalistas e zoomórficos. O interior é escuro e sóbrio. E possuía pinturas murais com representação do Salvador e do Martírio de São Sebastião, esta última datada de 1540 – 1550, entretanto transferida para o Museu Alberto Sampaio, em Guimarães.

Em Fafe, na segunda freguesia mais importante do concelho, está a Igreja de São Romão de Arões, classificada como Monumento Nacional. Num vale fértil, onde são cultivados sobretudo milho e vinha, a origem da povoação é antiga. A igreja vem de 1237, data que se vê na inscrição gravada no tímpano do portal lateral a sul. Exemplo típico do românico português, possui igualmente elementos do gótico e do barroco, consequência das muitas alterações que foi sofrendo ao longo dos tempos. A fachada principal possui um ar simples, com o campanário logo ao lado.


É no portal em arco, porém, que vemos um dos elementos de destaque, com o tímpano com Agnus Dei (Cordeiro de Deus) esculpido. Na cornija, cachorrada esculpida com motivos zoomórficos. Quanto ao interior, não o visitámos, infelizmente à semelhança de tantos outros. Terá mais motivos românicos. O topónimo Arões suscita curiosidade e está rodeado de incerteza, havendo pelo menos três teorias para o explicar: virá do nome próprio ‘Ero Fernandes’ (aristocrata que aqui viveu entre os séculos IX e X), donde terão derivado as formas “Aronis”, “Arones”, “Arõoes” e “Arões”. Ou virá talvez da palavra “Aron” (do germânico para ara / altar) ou da palavra “arão” (da planta conhecida por jarro, abundante na freguesia).

Em Amares, a Torre de Vasconcelos, também conhecida por Casa dos Mouros, é hoje uma ruína, abandonada desde há muito. Também num vale fértil junto à ribeira de Bárrio, é uma antiga casa-torre construída no século XIII pela família Vasconcelos e aqui terá estado um dos raros paços românicos de Portugal, um domus fortis constituído por torre, anexo residencial e capela que teve a função de paço senhorial. Desta residência senhorial fortificada resiste apenas o correspondente ao andar térreo e parte do primeiro piso, bem como a Capela de Santa Luzia, embora muito alterada face à sua origem medieval. Esta família Vasconcelos foi a criadora da Honra de Vasconcelos, o resultado de um processo de concentração fundiária que é um exemplo de ascensão social de linhagem secundária.

Ainda no concelho de Amares, o Mosteiro de Santo André de Rendufe está, adivinhe-se, num vale fértil. Antigo mosteiro da Ordem de São Bento, não se sabe ao certo a data da sua fundação, mas crê-se que possa ter acontecido por volta de 1090, talvez fundado por Egas Paes de Penegate, num couto doado pelo Conde D. Henrique aos frades beneditinos. Entre os séculos XII e XIV, este foi um dos principais centros beneditinos no nosso país e deveria ser imponente. A partir do século XVI, e depois no século XVIII, foi objecto de profundas reformas, tendo mudado por completo a sua arquitectura. Após a extinção das ordens religiosas, em 1834, o mosteiro e os terrenos contíguos foram vendidos a particulares – ainda hoje são visíveis as vinhas ao seu redor. Da cerca monástica já pouco resta para além do sistema de rega (um aqueduto com cerca de 300 metros e 55 arcos, com troços aéreos e subterrâneos, transportava a água até ao convento), e a igreja passou a paroquial. Não explorámos nada bem o lugar, quer o exterior quer interior. Do terreiro que serve igualmente de adro da igreja, vê-se a fachada principal da igreja pintada de branco e com duas torres sineiras. O interior, que não visitámos, é em estilo barroco e possui retábulos de talha dourada e pedras românicas com motivos decorativos. Restam ainda algumas das antigas dependências monacais e parte do claustro, nomeadamente as arcadas toscanas no primeiro piso, o qual teria um segundo piso fechado com janelas de sacada. A Câmara Municipal de Amares teve planos para instalar no Convento um pólo da Universidade do Minho, tendo sido incluído na lista de 30 imóveis a concessionar pelo Estado Português a privados para instalação de unidades hoteleiras.


Já em Vila Verde, na aldeia Carreiras São Miguel, encontramos a Casa-Torre de Penegate, acompanhada de Capela e Túmulo (posteriores). Na origem estará uma torre em estilo românico mandada construir por D. Egas Pais de Penegate, válido do Conde D. Henrique de Borgonha, no século XI. Já a actual torre medieval, instalada sobre a anterior no topo de um penedo, foi levantada no século XIV. É mais um testemunho de domus fortis, uma casa fortificada de um nobre que, assim, exercia a defesa da sua terra em regiões cuja autoridade era disputada. Terá sido pertença de D. Mem Rodrigues de Vasconcelos, alcaide-mor do castelo de Guimarães e cavaleiro de D. Dinis. Em granito e de três pisos, a porta de entrada em arco está a um nível superior ao solo – a entrada era feita através de uma escada amovível. Pese embora a sua antiga construção, os merlões e ameias, assim como a construção que lhe está adossada, são já do século XX. Junto à Casa-Torre de Penegate está ainda a Capela de Nossa Senhora da Pena, do século XVII, mandada construir pelo cónego de Guimarães para sua sepultura.