Hoi An – A Acolhedora

Hoi An é umas das cidades com mais charme em todo o Vietname. Extremamente turística, nem este factor afasta os viajantes mais exigentes no que diz respeito a viverem uma experiência diferente e não massificada. Talvez tudo se resuma a carisma – ou se tem ou não tem, e Hoi An tem-no de sobra.
Conhecida nos tempos idos como Faifo, entre os séculos XVII e XIX foi um dos portos no caminho das rotas comerciais internacionais mais importantes de toda a Ásia. Daí para cá foi perdendo influência para a vizinha Danang, hoje a 4.ª maior cidade do Vietname, para isso muito tendo contribuído também a destruição da linha férrea que passava por Hoi An no princípio do século XX – e nunca mais recuperada até hoje.
Ou seja, para se chegar a Hoi An temos de vir de avião ou comboio até Danang e depois fazer de carro os 30 km que separam as duas cidades.
Nós viemos num carro particular desde Hué, com um motorista que não entendia nem a palavra “stop”. Mas chegámos, ainda que depois de termos rodado mais do que uma vez a rua do nosso hotel.
Antes de nós, aqui estiveram muitos outros portugueses, dos primeiros europeus a chegar a estas terras, como é habitual na nossa rica história.
Mas da nossa pátria não se sente actualmente influência, ao contrário da dos japoneses e chineses – ainda hoje esta última cultura é fortíssima por aqui.

O centro histórico de Hoi An está classificado como Património Mundial pela Unesco e, para além de passearmos pelas suas revitalizadoras ruas, podemos encontrar abertos ao público uma série de edifícios – uns mais interessantes do que outros, é certo – mediante o pagamento de um bilhete geral cujas receitas vão para um fundo de conservação da cidade. São museus, templos, pagodes, casas antigas, assembly halls das várias congregações chinesas.

Um dos postais da cidade é a Ponte Coberta Japonesa, construída para ligar o quarteirão japonês ao quarteirão chinês.
Mas à parte todo o interesse histórico-cultural, o que Hoi An tem de mais especial para nos oferecer são momentos relaxantes, seja enquanto caminhamos pelas suas ruas observando os edifícios bem conservados, descansando junto ao rio com as suas águas calmas, entrando numa das inúmeras galerias de arte, sentando num dos muitos acolhedores cafés ou procurando alguma pechincha para comprar. As compras são também o que fazem a fama de Hoi An e muitos perdem-se por aqui – é possível mandar fazer de umas simples sandálias a um fato por medida de um dia para o outro.
Também a comida é um dos pontos altos de qualquer experiência em Hoi An, em especial no restaurante Café des Amis. É só sentarmo-nos e esperar que o Sr. Kim vá trazendo comida, mais comida e mais comida, sem um menu pré-definido. Uma surpresa que enche, literalmente, a barriga.

À distância de umas pedaladas de 4 km fica a praia de Cu Dai, parte do extenso areal de 30 km que vai de Hoi An a Danang a que se chama China Beach. A jornada sempre plana não é cansativa, está a salvo das loucuras do trânsito das outras cidades vietnamitas e faz-se lado a lado com um cenário lindíssimo que torna a viagem bem agradável.
China Beach é a praia tornada famosa por uma série de tv americana dos anos 80 com o mesmo nome, a qual retratava a vida dos soldados americanos durante a Guerra do Vietname. Com mais ou menos veracidade nas suas aventuras, era para aqui que os soldados vinham relaxar do pesadelo da guerra.
A praia de Cu Dai, a mais perto de Hoi An – e não reservada em exclusivo para resorts – é bonita, com areia e água limpa. No ano de 2008 ainda há por aqui muitas zonas acessíveis a qualquer pessoa, mas, atendendo à construção desenfreada de resorts mesmo em cima da areia ou não muito longe dela a que se assiste na actualidade, presume-se que estender livremente a toalha por estas bandas irá passar a ser uma missão dificílima.

E, para a posteridade, Hoi An ficará para sempre também na minha memória por um facto que demonstra toda a descontracção que se vive nesta cidade de quem todos gostam. No hotel que escolhemos para passar as nossas 3 noites na cidade, um 3 estrelas normalíssimo, os funcionários eram simpáticos e prestáveis, como todos os que conhecemos no Vietname. Que por volta das 9:00 da noite estivessem como qualquer cliente a navegar na internet num dos computadores do hall do hotel, nada de mais. Que por volta das 10:00 da noite a menina da recepção andasse a desfilar pelo mesmo hall de pijaminha e escova de dentes na mão, já é mais estranho. Mas às 5:30 da manhã ver o rapaz da recepção a dormir num divã montado no hall desta história, com mosquiteiro e tudo, é hilariante e roça o absurdo. Para nós, ocidentais. Ou talvez não o seja. Talvez seja mesmo a diferença na forma de encarar a privacidade entre este lado do mundo e o outro e a diferença, já se sabe, faz-nos aprender e compreender melhor a realidade global.

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