Rumo a Machu Picchu – 3.º Dia do Caminho Inca

Este dia, em que começamos a caminhar novamente às 7:30, seria um dia de paisagens luxuriantes e vários sítios arqueológicos. Bom, os sítios estavam lá, cobertos pelas intensas nuvens, mas estavam. Já a luxúria da vegetação da floresta, essa, só foi verdadeiramente perceptível bem de perto. Não percebemos, também, os lagos, a não ser este, pelo qual passámos bem juntinho.

Primeiro subimos durante cerca de uma hora, mas depois o caminho foi sempre fácil. O primeiro sítio arqueológico por onde passámos foi o de Runkurakay, mas foi em Sayaqmarka, lá no alto, que conseguimos imaginar o poder e visão dos incas. Desta fortaleza eles poderiam dominar todo o espaço que circunda a cordilheira e emitir sinais para os outros complexos sempre que fosse necessário. Depois daqui descemos e o tempo começou a levantar um pouquinho e entrámos pela floresta profunda. Linda.

A caminho de Wiñayhuayna, onde a nossa tenda foi montada, e com mais um sítio arqueológico de mesmo nome sentíamos que cada vez estávamos mais perto da montanha de Machu Picchu e tentávamos – em vão – identificar imagens conhecidas. Apesar do tempo algo fechado conseguimos observar paisagens fantásticas das montanhas e do vale com o rio Urubamba lá bem ao fundo.

É aqui, no local onde passamos a última noite, que podemos tomar o primeiro banho do trek. Prometeram-nos um banho quente, mas a verdade é que estava apenas tépido e apenas corria um fiozinho. Talvez por isso, ou não, quase ninguém opta por tomar banho, daí que não tivesse que esperar nadinha na fila que não existia. Apesar de dormirmos em tenda, existe um salão de apoio onde foi colocada a mesa de jantar e onde se pode comprar qualquer coisa para comer e beber. Houve música (dispensável) até às tantas.

Para mais tarde recordar ficou a cerimónia de despedida dos nossos carregadores, com direito a discurso por parte de cada um de nós e tudo. Só agora foi feita a apresentação, o que mostra bem a clivagem entre turistas e locais. Nem me venham com o argumento de que eles são pessoas muito simples (e são-no; alguns apenas falam quechua). A verdade é que nós, os gringos, somos encarados por eles como se de outro planeta viéssemos (e o contrário também será correcto). Talvez se as apresentações fossem feitas logo no início as coisas pudessem mudar um pouco, mas, bem sei, o convívio com os carregadores é bastante difícil pelo simples facto de que eles, estoirados, ainda se deitam mais cedo do que nós e durante o dia andam num ritmo infinitamente superior ao nosso. Unanimidade, porém, para a simpatia de todo o pessoal, sua destreza e qualidade dos serviços, com a cozinha à cabeça.

Uma outra clivagem aconteceu aqui. Como já foi dito, este trek de 4 dias / 3 noites é algo carote – 335 dólares por cabeça sem serviço de carregadores. A utilização dos serviços dos carregadores para levarem os nossos pertences fica em cerca de 30 Euros por pessoa e por dia. O casal canadiano e o dinamarquês pretendiam que o grupo desse uma média de 30 Euros por cada um de nós de gorjeta para a equipa de cerca 8 carregadores e mais 2 guias. As pelintras das manas portuguesas e da nena argentina não estavam muito nessa onda. Resultado: cada um deu o que entendeu, mas ficou visível a diferença de nível de vida (e de mentalidade?) entre os representantes dos vários países.
Bom, mas o melhor é ir deitar cedo que amanhã levantar-nos-emos às 3:30.

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