Jerash, Ajloun, Monte Nebo, Madaba, Karak e Shobak


A cerca de uma hora de Amman fica Jerash, a antiga Gerasa romana. É enorme, está bem conservada e, mais uma vez, não precisamos de muita imaginação para entender a função da maioria dos edifícios que sobrevivem. O que é muito bom, especialmente quando o sol inclemente nos mói a cabeça e não nos deixa pensar muito. Mas logo à entrada, ainda frescas, ficamos banzadas com o preço da entrada: 8 euros por um sitio arqueológico com uma entrada reles e com o preço emendado à mão numa placa, onde nem uma brochura estava disponível? Isso não é nada depois de ver o contentor que serve de bilheteira para cobrar os 50 euros diários de entrada em Petra. Mas deixemo-nos de conversa que ambos valem cada tostão. Ou, apenas um pouco mais de conversa: os meus 1000 euros de ordenado de um emprego em Portugal são nada quer para o taxista do norte da Jordânia, quer para o beduíno do sul do país. Fiquei de rastos. Mas prossegui viagem.



Jerash atingiu o apogeu enquanto cidade romana por volta do século III, tendo chegado a albergar cerca de 20 mil habitantes. É fácil de visitar, não tem muitas subidas, a não ser aos degraus dos seus belos teatros. Tecnicamente, a dificuldade está em passar pelos bodes que por lá pastam, entre uma coluna de uma antiga porta ou igreja romana e um pedaço de um templo.

Não muito longe, a cerca de 40 minutos, fica o castelo de Ajloun, envolto na paisagem mais verde que se pode encontrar na Jordânia. E, acreditem, o jardim do meu prédio, quando o Sr Diamantino vai de férias em Agosto e não há ninguém para regar a relva, é muito mais verde do que isto.

Aqui no norte da Jordânia estamos perto da Síria e de Israel, dois amigalhaços, e do vale do Rio Jordão. Um pouco mais a sul, mas perto de Amman e à beira do Mar Morto, fica o Monte Nebo e Madaba e mais uma série de locais bíblicos que não visitámos. O Monte Nebo, no entanto, não pudemos evitar, pese embora toda a nossa ignorância acerca da Bíblia. Mas foi aqui que, crê-se, Moisés viu a terra prometida e morreu descansado. A paisagem, se houver a sorte de apanhar um dia sem nuvens – o que não foi o nosso caso – deve mesmo assemelhar-se a um paraíso ou algo de ideal: é capaz de se ver o Mar Morto (esse é garantido porque o vimos), Jerusalém, Jerico e Belém.



A poucos quilómetros daí fica Madaba, a terra dos mosaicos. Esta é uma cidade pacata onde 1/3 dos seus habitantes são católicos. Quando esta comunidade começou a vir para cá, fugida de Karak, no sul, no século XIX, à medida que iam construindo as suas casas iam dando com uma série de mosaicos bizantinos. O mais importante dos quais é o mapa da Igreja de São Jorge com a terra prometida, considerado o mais antigo mapa da palestina. Existem várias igrejas ao lado de mesquitas, mas uma das que se deve visitar é a Igreja de São João Batista. Aí somos bem recebidos, a igreja é bonita, tem uma sala ao lado onde se pode ver um pouco da história de Madaba e podemos subir à sua torre para termos uma melhor percepção desta cidade encravada no deserto, como é quase toda a Jordânia.

Por falar em Karak, de onde os tais cristãos vieram, mais a sul na Jordânia, a sua visita é obrigatória pelo seu castelo. Dá para nos perdermos pelas suas muitas alas, em vários pisos, e muitas covinhas. Nesta cidade passei um dos maiores constrangimentos da minha vida. Como umas horas antes tínhamos estado em Wadi Mujib e tinha ficado com a roupa completamente encharcada, acabei por vestir o que saiu em primeiro lugar da mochila: uns calçõezinhos não muito curtos, mas curtos o suficiente para toda a gente olhar para mim, na sua maioria mulheres que cochichavam à minha passagem. Não, não foi apenas minha impressão. Até aí tínhamos andado muito bem comportadas no que a roupa diz respeito – calças por baixo do joelho e nada de camisolas de alças. A partir daí serviu de lição. Não há nada pior do que o incómodo de se sentir que se está a incomodar.

Voltando a castelos, em Shobak tem outro que se pode passar e visitar. É também um castelo dos Cruzados construído por volta do século XII.
Em seguida, alguns outros lugares a que daremos destaque individual e que perduraram na nossa memória como sítios e experiências fantásticas.

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