A Maratona Feminina

A maratona feminina estava marcada para domingo, dia 5 de Agosto, 11:00 horas. Antes das 10:00 já estava onde planeara, perto do Big Ben e do Parlamento, quase em frente à London Eye, entre um grupo de peruanas e um de italianos a que se juntaram mais tarde dois escoceses. Rapidamente, por uma daquelas coisas que às vezes penso que só acontecem com a minha cabeça, vi-me debaixo de uma chuvada incrível sem qualquer impermeável, apenas com um pulóverzinho e com uma mochila onde estavam a máquina fotográfica e o iPad. Há que acrescentar que os dois impermeáveis que trouxe para Londres ficaram comodamente instalados no apartamento da mesma cidade. E há que acrescentar também que não tive outra saída senão desocupar o meu lugar planeado com antecedência e recuar para debaixo de uns edifícios abrigados da chuva. O que me valeu foi que quase todos os meus companheiros de assistência da maratona foram também eles uns mariquinhas com medo da chuva e, já apenas sob uns pingos, pude voltar para o meu lugar, ainda que um pouco mais apertadinha.

A maratona começou em ponto às 11 badaladas do Big Ben. E pouco menos de 5 minutos depois as atletas correram até mim. Se já estava ansiosa e a preparar os gritos de apoio às nossas três portuguesas, logo fiquei louca por ver a Marisa Barros na linha da frente e a Dulce Felix no mesmo grupo, com a Jéssica Augusto um pouco mais atrás. Um amigo que fez este ano pela primeira vez a sua primeira maratona disse-me depois que nos primeiros quilómetros os maratonistas nem respiram. Não entendo muito disso, limito-me a constatar as minhas dificuldades em respirar que são quase extremas em correr míseros 10 km. Mas o que me pareceu foi que a Jéssica já estava de rastos àqueles 5 minutos. Devia ser da chuva ou daquelas meias altas que a faziam parecer uma calmeirona no meio das outras pequenas. O certo é que a Jéssica veio a terminar num brilhante sétimo lugar. Isso teve qualquer coisa a ver com os meus berros pelo seu nome, estou segura. E pelo das outras das nossas. O meu entusiasmo pela maratona veio em crescendo depois de ver que as três estavam no grupo da frente até meio da corrida. Para não esperar os cerca de 45 minutos que levariam a passar pelo sítio original onde me encontrava (havia uma volta pequena de cerca de 2 milhas a principio e depois três maiores de cerca de 7 milhas), fui caminhando Tamisa acima. Por entre a multidão. Todo o percurso estava acompanhado por milhares de pessoas. Simplesmente fantástico e grandioso.

 

 
À passagem da última volta já eu estava perto da Catedral de St Paul’s e já as africanas e ex-soviéticas lideravam. Mas não foi preciso esperar muito para ver passar a correr as nossas três e aproveitar para mandar mais uns berros de incentivo. Se as incentivou, não o sei. O que sei é que para mim esta maratona será uma das melhores recordações da minha carreira de espectadora ao vivo de desporto.

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