Londres Versão Outono 2013

Fim de semana alargado, nada melhor do que me dar como prenda de anos um saltinho a Londres. Há sempre tanto para rever ou ver pela primeira vez em Londres que não me canso de lávoltar.

Os habituais problemas no metro não atrasaram em demasia a jornada de sábado, pelo que o pequeno atraso resultou apenas num almoço de sanduíches à toa. Fui directa para o Dover Street Market, género de galeria comercial com uma mão cheia de andares não muito amplos. A roupa e os adereços de moda que lá se vendem não são nem para o meu gosto nem para a minha bolsa, mas gostei de ver a decoração estilo rua despojada e fiquei admirada por ver numa montra a pasta dentífrica Couto à venda. A marca Portugal pelos vistos manda alguma coisa. Ou pelo menos chega até quem manda.

Segui para o Soho, com a Carnaby Street enfeitada como sempre. Daí uma agradável caminhada atéao norte de Convent Garden para conhecer um cantinho que atéhoje me havia escapado – o Neal’s Yard. É um pátio cheio de cafés e lojas pitorescas envolvido por prédios coloridos. Muito bom contraste com aquele fim de meio de tarde, sol (?) a cair a modestas 16 horas.
 
 

O fim da tarde foi gasto na Foyles, a ver livros e mais livros.

Esta viagem a Londres tinha dois objectivos principais: ver algumas exposições e comer em alguns restaurantes que já levava referenciados. Sábado à noite foi feita a primeira tentativa. Mal sucedida: Koya e Barrafina com filas intermináveis à porta, como sempre. O que vale éque estava sozinha e o Ceviche tinha um lugar ao balcão sópara mim. Provei o sempre delicioso ceviche e umas papas não menos deliciosas, rematando a refeição com um cheesecake de lucuma.

 

O dia de domingo foi iniciado com uma caminhada pelo Holland Park, que não conhecia. A manhã estava fresca, viam-se poucas pessoas, umas a correr, outras a passear o cão, outras sentadas num banquinho no Jardim Japonês, a contemplar o lago e as tonalidades intensas das folhas.

Aqui perto fica o museu da Leighton House, “onde o oriente encontra o ocidente”. É fácil não se dar pela casa, mas assim seremos um pouco menos felizes e afortunados. Frederic Leighton era um pintor vitoriano e na segunda metade do século XIX decidiu encomendar a sua casa-estúdio. Mais do que as pinturas de sua autoria em exposição, bem como outras que ele coleccionou, incluindo objectos vários e tapeçaria, maravilhou-me o edifício e decoração da sua casa, dividido em várias salas, acompanhado por um extenso jardim. O pátio árabe é simplesmente lindíssimo, delicado com a sua fonte central e nos motivos dos seus azulejos e mosaicos.

A tarde foi dedicada ao Southbank do Tamisa, nomeadamente àTate Modern e ao The Shard. Começando pela Tate, levava járeservada a exposição de Paul Klee, o suíço-alemão que criou a Blaue Reiter e fez parte do movimento da Bauhaus. As suas obras foram influenciadas pela viagem que fez à Tunísia e podem ser enquadradas no expressionismo, cubismo e surrealismo. As primeiras pinturas em exposição na Tate eram de reduzidas dimensões. Com a quantidade de gente que estava neste centro comercial, perdão, museu, ficou ainda mais difícil observar as obras. Mas Klee tem também telas de dimensões aceitáveis para se poder ver uma nesga por entre quatro ou cinco cabeças. Agora mais a sério: a exposição estava muito boa e o Klee das várias épocas estava bem representado. As suas pinturas são coloridas, a cor é mesmo essencial na sua obra, e algo ingênuas nos motivos.

O resto da Tate estava igualmente impossível para se circular, dai que sem pena tenha seguido rapidamente para o The Shard, mais especificamente para o seu 68 andar, através de uma supersónica ascensão num foguetão. Bom, não éassim tão futuristico, era apenas um elevador, mas rapidíssimo na mesma. O The Shard é actualmente o segundo edifício mais alto da Europa (o primeiro fica em Moscovo) e foi projectado por Renzo Piano, o mesmo do Pompidou de Paris. Mas um não tem nada a ver com o outro.


Este The Shard é uma torre em forma de seta em direcção ao céu inteiramente de vidro. O seu topo parece inacabado, mas éapenas ilusão de óptica. A vista  lá de cima (o elevador para no andar 68, mas nós subimos mais dois ou três andares) abriu ao público em Fevereiro deste ano e é um sucesso, pese embora os cerca de 30 euros de entrada se o bilhete for comprado com antecedência.


A nossa vista alcança toda a Londres. Se tivermos a sorte de ter um dia limpo e claro deve ser uma experiência inesquecível. A mim tocou-me apenas um dia normal da Londres nublada, mas felizmente sem chuva. Escolhi ir num horário que me permitisse ver o dia ainda com luz, mas aproveitar também o escurecer. Algo que em Lisboa se poderia traduzir por por do sol, mas que em Londres é um bocado estranho. Vi, assim, as luzes dos edifícios da city a acenderem, àmedida que o céu ficava mais e mais escuro. 


Neste dia optei por não almoçar e jantar duas vezes. Àcautela, para não perder outra vez a hipótese de jantar no restaurante por mim desejado, cheguei às 17:35 ao Barrafina, 5 minutos depois de ter aberto, e encontrei um único lugar restante – precisamente o que precisava. À medida que a fila se ia formando e esperava pelas minhas tapas, ia espreitando as dos vizinhos, todas elas com um aspecto delicioso. Eu escolhi uma de morcela com ovos de codorniz e outra de salada de anchovas e bacon. Não me arrependi. E também não me arrependi de não gostar de vinho, poupando assim dinheiro para uma segunda refeição.

Não é que estivesse com fome, mas queria mesmo continuar a experimentar mais restaurantes. Escolhi o recente Chottomatte, na mesma Frith Street. É uma mistura de peruano com japonês, o que me entusiasmou. Mas achei-o um pouco pretensioso e absolutamente exagerado no preço para o tamanho dos pratos. Escolhi novamente (mini) ceviche e tostadas de sashimi de salmão com chili, absolutamente picantes, de tal forma que me vieram as lágrimas aos olhos e tive de me mandar a 2 singelos pedaços de sushi.

Para final da noite, um passeio pela movimentada Chinatown e a certeza de que para a próxima me dedicarei aos seus restaurantes.

Na manhã de segunda-feira vivi os últimos momentos desta jornada londrina. O destino era o British Museum e a exposição de arte Shunga que lá estava patente. No caminho vi um anúncio no metro para uma exposição de Pintura Chinesa no Victoria and Albert Museum e fiquei com pena de não me ter apercebido antes desse evento. Mas a exposição do British, Shunga: Sex and Pleasure in Japanese Art, foi surpreendente e fantástica. A arte erótica para o público em geral aliada àpolítica e à ironia, cómica até. Mais detalhes sobre o assunto em post do Estudante Asiática aqui.

 

A viagem terminou com um almoço no Koya, às 12:30 em ponto, para não perder o lugar. Mas a essa hora o restaurante não encheu, apesar dos seus udon o merecerem a qualquer hora. O Koya serve uns noddles chamados udon, no meu caso acompanhados de uma deliciosa sopa com carne. Valeu a pena esperar mais de um ano para o degustar.

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