Beijing


Beijing é uma das capital históricas da China.
Já havia sido capital antes de Cristo nascer, ou melhor dizendo, era capital quando Buda apareceu na vizinha Índia. Mas depois só o voltou a ser apenas no século X, com os Khitans (mongóis), e assim continuou no século XII, com os Jurchen (manchus), e depois no século XIII, com os Yuan (mongóis), do famoso Kublai Khan. Era a então Dadu, ou a Cambaluc de Marco Polo. Esta rapaziada era toda do nordeste, o pessoal aterrorizador das estepes que levou à construção da Grande Muralha.
Durante os Ming, de etnia han, os “verdadeiros chineses”, a capital da China começou por ser Nanquim, mas o imperador Yongle mudou-a para Pequim no princípio do século XV e deu-se ao trabalho de levar a cabo uma quase inteira reconstrução da cidade, incluindo a construção da Cidade Proibida que perdura até aos nossos tempos. Pequim continuou capital com os Qing (manchus) e só voltou a mudar para Nanquim com a República da China (nacionalistas), com muita alternância à mistura, para se estabelecer definitivamente como capital em 1949, com a instauração da República Popular da China (comunistas).
Nos dias de hoje, Beijing mostra-se bem cuidada, limpa, segura. Tirando a banda sonora dos escarros constantes, que consomem de tal forma a atenção dos ouvidos sensíveis que evitam que  os ainda mais sensíveis olhos encarem o próprio líquido em si, os habitantes são educados. Isto se concedermos que fazer fila é uma questão cultural e não de educação e civismo. 
Tentei treinar o meu medíocre mandarim. Fiquei contente por constatar que o bu yao (não quero) resulta e faz os vendedores dar meia volta. O problema é que tentar falar inglês é, na esmagadora maioria das vezes, ainda pior. Vá que há rapazes inteligentes e, ajudados pela tecnologia, conseguem ir ao google translator e mostrar-nos escrito “closed today” (fechado hoje). 
Como não podia deixar de ser, a capital do país que já passou do 1 bilião de habitantes tem só por sua conta 20 milhões deles. Curiosamente, parece haver espaço para todos eles aqui viverem e parece haver ainda mais espaço para que mais deles aqui se instalem no futuro. Se terão um boa vida ou não, isso já é outra história. 
Diz-se que o salário médio mensal é de cerca de 700 dólares, mas alugar um apartamento de um quarto no centro da cidade fica mais caro do que isso. A periferia é o destino da maioria (nada muito diferente de Lisboa, há que reconhecer). Mas a rede do metro ajuda a levar a muitos cantos – serão cerca de 200 km de linha (ainda que me pareça que a rede do metro nem sempre esteja bem articulada, pois para se fazer à volta de 2 km por vezes tem de se mudar de linha umas duas vezes). O preço do bilhete do metro em Pequim é de 2 rmb (renminbi, também conhecido por yuan), cerca de 24 cêntimos de euro. Ou seja, os resquícios comunistas estabelecem para o povo preços baixos nos transportes, mas não na habitação. Qual a explicação? Wo bu zhidao (não sei). 
Continuando na temática preços, e ainda no que aos transportes diz respeito, é só escolher: metro já se sabe; autocarro, se tiver cartão pré-comprado, é inacreditavelmente ainda mais barato; táxi sai a 1,5 euro para se andar os primeiros 3 km. 
Quanto à alimentação fora de casa, na rua pode almoçar-se cogumelos, beringela e galinha por 16 rmb (menos de 2 euros), para duas pessoas, compartilhando uma mesa no meio de uma mercearia do género da da Lurdes em Aldeia das Dez, junto às pastas de dentes, aos boxers e aos pacotes de sopas instantâneas, e pode jantar-se umas entradas e um pato à Pequim num restaurante da moda por 450 rmb (54 euros), também para duas pessoas. Mais uma vez, é tudo uma questão de escolha. 
Para a roupa de marca, daquela que se encontra cá como lá, não vale a pena olhar o preço, pois é mais caro. Não devia a Adidas made in China ser aqui mais barata? Volto a wo bu zhidao. Desta vez não destinámos tempo para uma visita aos mercados de falsificações, por isso, desconheço se vale a pena ou não. Adiante.
Facto curioso nesta Pequim multifacetada são as ilhas que comporta. A população que frequenta Sanlitun não é exactamente a mesma da de Wangfujing e as duas são diferentes da da Praça Tiananmen. Na Cidade Proibida juntamo-nos todos. 
Passo a explicar. 
Sanlitun é o bairro das embaixadas que cresceu em tempos modernos e onde se encontram hoje os arranha-céus do centro financeiro e as lojas das maiores e mais caras marcas mundiais. Nas ruas vêem-se chineses sofisticados e mais estrangeiros, que se topa serem claramente emigrantes e não turistas. 
Em Wangfujing, estão também muitas das maiores marcas e o maior centro comercial, ao lado de lojas menores e de mercados populares. Todo o tipo de hotéis está aqui, ou não ficasse a Praça Tiananmen e a Cidade Proibida a menos de 2 km de distância. E nas ruas vêem-se muitos turistas (poucos ocidentais) ao lado de muitos jovens chineses classe média. 
Na Praça Tiananmen ficamos com a sensação de que o campo invadiu a cidade. É uma multidão de chineses que em excursão acorre a visitar o Mausoléu de Mao e o Museu de História, mas a ver pelo seu aspecto de rosto curtido pelo sol e calçado estragado, não serão exactamente os mesmo que depois irão dar um saltinho a Wangfujing e, muito menos, a Sanlitun. Quanto a estrangeiros a aventurarem-se na espera da fila para ver Mao, não vi mais do que uma mão cheia deles, duas portuguesas (nós) incluídas.
Por fim, na Cidade Proibida entramos todos juntos e lá nos deixamos encantar todos juntos também.
Ainda numa análise à população de Pequim, é delicioso ver os idosos (leia-se, reformados a partir dos 55 para elas, 60 para eles) a passear com os seus netos nos parques. Esta é também uma realidade de Pequim, uma população a caminhar para idosa, mas já reformada, e outra jovem recém chegada à cidade, mas que nem sempre encontra o emprego desejado ou, pior, não o encontra de todo.

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