Japão – Takayama – 6.º dia

Encontrámos tempo na nossa agenda de viagem apertada e ambiciosa para um lugar para os Alpes Japoneses, designação cunhada por um missionário ocidental que visitou a região no século XIX.


Uma boa ideia é fazer-se primeiro uma paragem numa das suas portas, Takayama, por exemplo. Esta é a região de Hida e o seu nome não mais sairá da minha cabeça e do meu paladar, só de lembrar do delicioso bife, este, o de Hida. E, ah, que paisagem confortante esta, a das montanhas. O verde é soberano, vegetação intensa, árvores enormes. A viagem de comboio desde Kyoto é, pois, deslumbrante à medida que entramos na região dos Alpes. O comboio chega a fazer o seu percurso por entre um vale junto a um rio, acompanhado, claro está, da referida vegetação.

 

Takayama tem um charme tradicional. Era uma cidade castelo na época dos Estados Guerreiros, século XVI. As lutas pelo poder fizeram com que o distrito de Hida ficasse sob o controlo dos Tokugawa e aí quase todos os samurais – fiéis ao seu senhor – abandonaram a cidade. A partir daí Takayama desenvolveu-se como uma cidade de civis.

Duas casas privadas abertas a visita do público testemunham hoje o poder destes civis já nos finais do século XIX, princípios do século XX, era Meiji, portanto.

Propriedade de mercadores que ganharam dinheiro como cambistas, a Kusakabe Mingei-kan foi reconstruída depois de atingida pelo fogo atendendo às características da arquitectura do período Edo. A casa da família Yoshijima, sua vizinha, é outro exemplo da arquitectura que ainda se pode observar em Takayama. Edifícios de dois andares em madeira cipreste, com chão coberto de tatami. Nesta última casa o design da época impera, enquanto que na outra encontramos aqui e ali objectos de cerâmica, mobiliário e outros acessórios antigos da região. O mais encantador quando se percorrem as divisões destas duas casas é vislumbrar aqui e ali, por entre as portas de correr de madeira e papel japonês, o verde do jardim a contrastar com o castanho da madeira.

De entre diversos pequenos museus em Takayama, visitámos o Shishi-Kaikan, um museu de Karakuri, um instrumento mecânico para introduzir movimento em diversas coisas, no caso marionetas. Em exibição constante há aqui um breve show, ao mesmo tempo que se mostram uma série de máscaras de leão. Bom para ocupar o tempo. 

Mas a melhor forma de o fazer é mesmo caminhar por Takayama, quer pelas suas ruas, quer à sua volta, deixando-nos envolver na floresta. Num percurso exterior encontramos uma série de santuários que parecem estar estrategicamente escondidos na montanha, sempre para nos lembrar a intima relação entre os japoneses e a natureza, intermediada pela religião nativa do shinto.

A zona central da cidade é caracterizada por três ruas que correm paralelas, onde estão instalados os edifícios típicos e pitorescos que nos farão lembrar de Takayama. Hoje estão ocupados por lojas e restaurantes, com muito comércio de sake. A uma primeira vista tínhamos achado Takayama uma espécie de cidade fantasma, por não se ver viva alma. O que acontece é que a turistada concentra-se toda nesta área, mostrando que afinal existe.

Nesta cidade tivemos a nossa primeira experiência de pernoitar num ryokan, os alojamentos tradicionais japoneses. Não jantámos, mas pelo pequeno-almoço bom para a vista e para o paladar tivemos um cheirinho do que será a experiência total de ficar numa destas hospedagens típicas. O chão do quarto é em tatami e a mobília é praticamente inexistente. Dormir no chão é, claro, parte obrigatória da experiência.

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