A Sevilha monumental da Catedral, Giralda e Real Alcázar

Cidade monumental, Sevilha é ao mesmo tempo castiça e carismática.
Bairros de ruas estreitas, edifícios à vez imponentes e populares, pátios que se nos oferecem um pouco por todo o lado e praças acolhedoras. As laranjas são omnipresentes e dão ainda mais cor a uma cidade que já a tem de sobra.
Mas, visita de um dia apenas pode suspeitar disso, uma vez que os dois maiores símbolos de Sevilha ficam na mesma Plaza del Triunfo e são capazes de nos ocupar um dia inteiro, liberando-nos para pausas para tapear. São eles a Catedral e sua Giralda e o Real Alcázar.

A Catedral de Sevilha é também conhecida como a Catedral Santa María de la Sede de Sevilla. 
É nos logo à partida apresentada como a maior catedral gótica do mundo e a terceira maior catedral do mundo, apenas atrás da de São Pedro, em Roma, e da de São Paulo, em Londres. 
No entanto, a sua história não começa com a devoção ao cristianismo. Na verdade, é anterior à tomada de Sevilha aos mouros, quando estes, sob o comando dos almóadas, se decidiram pela construção de uma mesquita em 1172. Apenas em 1401 (data incerta), e depois da mesquita passar a ter sido utilizada pelos cristãos como catedral, apesar do seu mau estado de conservação, é que surge a ideia de construir uma nova catedral. 

A ambição era desmedida e o objectivo desde o início era a “construção de uma igreja tão deslumbrante que a ela nenhuma se compare; uma obra de tal envergadura e esplendor que quem a contemple pense, eram decerto loucos!”. 
A conclusão aconteceria em 1506, mas ao longo dos séculos, porém, a catedral foi sofrendo diversas alterações e ampliações, sempre obedecendo ao espírito e estilo da época, de tal forma que todas essas acções contribuíram para que o conjunto abranja elementos almóadas, mudejares, góticos, renascentistas e barrocos. 
O seu interior é, como não podia deixar de ser, grandioso. Circulamos por diversas pequenas capelas até ficarmos face à face com a Capela Maior, cujo altar-mor tem de altura 27,80 metros e de largura 18,20 metros, preenchidos de inúmeras figuras. Os tectos e abóbadas são outra maravilha, mas o deslumbre acaba por recair por inteiro no Coro, constituído por elementos góticos e mudejares. No meio da Catedral podemos encontrar ainda o Túmulo de Colombo, embora seja matéria de muita discussão se são os seus restos mortais que lá estarão na realidade. 

Da mesquita pré-existente sobre a qual foi construída a Catedral chegou aos nossos dias parte do Pátio de los Naranjos e a muito admirada Giralda, o antigo minarete dos almóadas. 
Entre os símbolos de Sevilha, a escolher apenas um tem de ser a Giralda. A torre moura feita campanário é pura elegância. 
Construída em pedra e tijolo, a Giralda é o exemplo perfeito da evolução da cidade enquanto agente aglutinador e assimilador das culturas e religiões de que foi palco. A sua construção teve início em 1184 e desde essa época o trabalho delicado de decoração mantém-se pronto a ser desfrutado pelo nosso olhar, despertando todas as nossas emoções. Da rua podemos apreciá-lo, mas diz que da visita que se pode fazer aos pisos superiores da Catedral (e não apenas ao seu interior) se obtém uma percepção mais completa desta obra de arte que mais parece filigrana. Na sua fachada encontramos uma decoração com motivos geométricos (losangos) entrelaçados, janelas geminadas e arcadas falsas. Uma perfeição e um deleite. 

Este “primeiro arranha-céus do mundo”, como os andaluzes gostam de se lhe referir, consagrado à eternidade, tinha originalmente 70 metros. Construída em três fases, foi objecto de duas remodelações que hoje fazem a torre da Giralda chegar aos 90 metros. Numa primeira remodelação, em 1400, a sua cúpula foi substituída por um campanário acompanhado de um a cruz; depois, entre 1558 e 1568 foi-lhe acresçentado o topo que vemos hoje, em estilo renascentista, com o Giraldillo a encimá-la.

Desde o interior da Catedral é possível subida à Giralda para uma panorâmica fantástica da cidade.
À saída da Catedral temos as ciganas e a sua insistente oferta de ramos de alecrim. A compor o postal castiço e típico não faltam as charretes para um passeio diferente. 

Mas a Plaza do Triunfo tem algo mais para admirar antes de dirigirmos o foco para o Real Alcázar, situado num dos lados da praça. É o enorme e belo edifício do Arquivo das Índias, construído entre 1585-1598 para servir originalmente como bolsa de comércio. Mais tarde, no século XVIII veio a tomar as funções que hoje desempenha, as de arquivo geral de documentos relativos à história dos descobrimentos do novo mundo.
O Real Alcázar de Sevilha, enfim. 
Este é o mais antigo dos palácios europeus que até hoje continuam a desempenhar a função de residência real (quando os reis de Espanha vêm a Sevilha é aqui a sua residência oficial; a infanta Elena casou na Catedral e realizou a boda no Alcázar).
Um Alcázar não é mais do que um palácio intra-muralhas. Mas este é muito mais do que isso. 
À semelhança de muito em Sevilha, aqui também houve uma constante evolução deste monumento, feita de contributos de todas as culturas e estilos dos povos que por aqui foram passando ao longo dos últimos séculos e que, em cada época, escolheram dos melhores artistas para tornarem este “mini-Alhambra” a beleza e a delícia que é. 
A origem do Alcázar pode ser traçada ao tempo do califado de Córdoba, quando em 913 o seu governador mandou construir uma fortaleza-palácio, de que ainda se conservam parte das muralhas originais. 
Foi ainda com os mouros, mas já no século XI com o taifa dos Banu Abbad, que se verificou a primeira ampliação do Alcázar. A sua porta de entrada é desta época, bem como o Pátio do Leão que se lhe segue, embora com alterações. O nome “leão” vem da figura do leão representada na cerâmica que encima aquela porta, sendo o leão o símbolo medieval da realeza.

No século XII, com os almóadas, a grandeza e esplendor arquitectónico tomaram uma força maior e, para além da mesquita (depois Catedral) e seu minarete (a Giralda), foi novamente ampliado o Alcázar. O Pátio de Yeso é desta época. 
Um século mais tarde, Sevilha foi conquistada aos mouros por Fernando III, o Santo, e o Alcázar foi convertido na sua residência, tendo mais tarde o palácio sido ampliado pelo seu filho. Foi, no entanto, na segunda metade do século XIV que se deram as maiores alterações no Alcázar, tendo este tomado a forma que se conserva até hoje, embora com algumas alterações. 

Por exemplo, em 1364 o Rei D. Pedro I, conhecido à vez como “o cruel” ou “o justiceiro”, mandou construir o seu palácio, o qual leva hoje o seu nome. Nele trabalharam os mais talentosos artesãos do reino e a sua fachada é prova disso. Monumental, com laterais simétricas e uma galeria superior ao centro com janelas, a sua decoração é deliciosa. 

O deslumbre aumenta à medida que adentramos palácio fora rumo ao Pátio das Donzelas e ao Salão dos Embaixadores, onde se destaca, grandiosa, a sua cúpula, continuando no acolhedor Pátio das Bonecas, onde encontramos trabalhos em estuque que são uma verdadeira obra-de-arte, bem acompanhados por uns encantadores arcos.

Depois destas construções, em 1526 Carlos V casou aqui com Isabel de Portugal. No piso superior ao Pátio das Donzelas visitamos o Palácio Gótico, com salões bem diferentes daqueles construídos pelos cristãos segundo uma arquitectura e pormenores grandemente influenciamos pelos muçulmanos. A pompa aqui é outra. E somos informamos que parte desta área sofreu com o Grande Terramoto de Lisboa de 1755. Mas não falta o escudo do nosso país a decorar um dos salões. 

Também no piso superior do Palácio de D. Pedro I fica o Quarto Alto, a tal ala ainda hoje usada para receber a família real quando está em Sevilha. É possível a visita ao Quarto Alto com a aquisição de um bilhete à parte. Este acaba por ser um palácio mais comum, sem surpresa de maior ao olhar europeu, embora obviamente com mobiliário que deslumbra pela sua imponência e formalismo.

Até aqui já não temos dúvidas em relação à mescla de estilos que o Alcázar nos oferece. Almóada, gótico, mudejar, renascentista, todos eles estão presentes sem que deixem de nos passar uma total harmonia.
E ainda falta falar dos jardins, outro ponto alto da visita ao Real Alcázar. A sucessão de pátios, fontes, azulejos e laranjeiras continua. O deleite também continua. Os jardins são imensos e parece ser impossível não nos perdermos neles. Faltará sempre um canto para conhecer. No entanto, não podemos deixar de visitar o Jardim do Lago e sua estátua de mercúrio, obra de Diego Pesquera do século XVI. As estátuas de leões à volta do lago estão de vigia. 

Por cima fica a  Galeria del Grutesco, um fragmento da antiga muralha almóada transformado em passarela mirador. Daqui do alto alcançamos uma ideia mais exacta da extensão dos jardins do Alcázar e seus elementos e desenho. 

O Pavilhão Carlos V é um deles, envolto no jardim de mesmo nome e prova provada da influência que a arquitectura islâmica continuou a ter desempenhar muito após a saída dos mouros da cidade: a fonte e a água, elemento essencial à vida. 

Uma dica para a visita tanto à Catedral como ao Alcázar: se se pensar visitar Sevilha em época alta é de todo aconselhável a compra dos bilhetes de entrada para estes dois monumentos com antecedência. De contrário, espera-nos certamente uma fila que nos tirará o precioso tempo para nos deixarmos perder no muito mais que a cidade tem para oferecer. 

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