Sevilha

Sevilha é uma verdadeira surpresa. 

Palmeiras pelas avenidas, casas com riscas amarelo torrado a dominarem o casco antigo, um sem número de laranjeiras em ambiente urbano (diz-se que serão mais de 30 mil). Toda uma realidade que mais parece própria de uma qualquer cidade colonial da América Latina. 
Mas não. Sevilha fica a apenas cinco horas de viagem de carro desde Lisboa. 
A capital da Andaluzia está situada no vale fértil do Guadalquivir. Apesar de ter sido fundada pelos romanos (a Hispalis), apenas a partir de 1040 começou a emergir como o taifa mais forte da região, em detrimento de Córdoba, quando os almorávidas chegaram para combater a ameaça cristã e acabaram por derrotar Castela e tomar também o Al-Andaluz. Após o poder almorávida seguiu-se o dos almóadas, ambos muçulmanos. 
Em 1248 Sevilha foi conquistada por Fernando III, o Santo, e os muçulmanos acabaram por se remeter a Granada, estabelecendo aí o Emirado Nasrid, o último bastião islâmico na Península Ibérica. 
Com a reconquista cristã o esplendor da era dos almóadas manteve-se e aumentou ainda mais com a descoberta da América por Cristóvão Colombo em 1492, tendo Sevilha vindo a ganhar o monopólio oficial espanhol do comércio com o novo mundo, com abundante entrada de ouro e prata. Resultado? A ascensão de Sevilha ao posto da cidade mais rica e cosmopolita do mundo.
Todavia, o passado islâmico não foi apagado e apesar da reconquista aquele serviu de base para as fundações da nova cidade, de tal modo que a influência islâmica ainda nos dias de hoje está presente na arquitectura e cultura da cidade. Os dois maiores monumentos / símbolos de Sevilha são disso exemplo: a Catedral e sua Giralda foram erguidas a partir das anteriores mesquita e minarete e o Real Alcázar é o somatório de um conjunto de intervenções ao longo dos séculos.
O romano, o islâmico, o gótico, o renascentista e o barroco convivem lado a lado. 
O grande encanto de Sevilha é precisamente esse, o de conseguir preservar e mesclar na perfeição vários estilos, várias épocas, vários ambientes, tendo como resultado um enriquecimento absoluto. Difícil mesmo será não conseguir sentirmo-nos atraídos por alguma das suas muitas personalidades. Ao lado das centenas de igrejas e festas católicas (Semana Santa, Feira de Abril e O Rocio), que deixam em êxtase os locais e os visitantes, encontramos a paixão pelos touros e pelo flamenco que revelam toda a alma desta cidade. 
Uma cidade claramente feminina, como a designou James Michener na sua obra “Iberia”, publicada em 1968. Uma cidade que parece viver na rua, pelas ruas pedonais das compras como a Calle Sierpes, rua estreita a respeitar a identidade das cidades da Andaluzia, ou pelos incontáveis bares de tapas. 

Uma cidade antiga e tradicional, sim, mas sem medo de encarar o futuro como o fez com a organização da Expo 92 e mais recentemente, em 2011, com a construção do Metropol Parasol, paradigma da coragem em romper consciências sem medo de abraçar o futuro e a modernidade. 
E, depois, para o ambiente de alegria e boa disposição que se sente um pouco por cada canto da cidade muito contribui o clima que aqui calhou em sorte. Se no verão o termómetro sobe a insuportáveis 40 e tal graus, no Inverno, mais especificamente na última semana de 2015, consegue manter-se nuns inimagináveis 20 graus durante parte do dia, com a luz natural a abandonar-nos apenas por volta das 18:30. Que mais pedir para uma escapada de inverno na Europa?
Um aviso prévio à descrição de parte do melhor que Sevilha nos tem para oferecer: não se pense que dois dias são suficientes para se conhecer bem a capital da Andaluzia. Com as filas intermináveis de turistas, dá para ver a zona monumental (Catedral e Giralda e Real Alcázar), tapear e pouco mais. A nós, entre muito mais, ficou pelo menos a faltar um passeio pelo bairro de Triana (o antigo bairro de pescadores na outra margem do Guadalquivir) e a visita ao Museu de Belas Artes e ao Centro Andaluz de Arte Contemporânea.

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