Quarto dia em Goa – praias a norte

Tomámos o autocarro de Pangim para Mapusa e aí ficámos a aguardar por novo autocarro para Vagator, enquanto explicava às minhas companheiras quem eram os rapazes das publicidades na estação – “este é o Shahrukh Khan, tem cá um arzinho de canastrão; eu cá gosto é do outro Khan, o Amir”.




Chegámos a Vagator mesmo a tempo de estender a toalha, dar um mergulho (a água apenas quente já estava a uma temperatura mais tolerável), beber uma água de coco e voltar para a toalha para deitar durante quase uma hora. Até que começou a chegar gente. Muita gente (traduzindo para pessoas normais, é o mesmo que dizer alguma gente). 
Tempo de sair. 
E experimentar um doce sumo de bambu feito artesanalmente na hora.



Até aqui já tínhamos visto umas quantas influências portuguesas na paisagem de Goa, nomeadamente na arquitectura religiosa (igrejas) e na arquitectura civil (casas residenciais). Depois da manhã de praia em Vagator, chegou a vez da visita ao forte de Chapora, sentinela desta praia. Também na arquitectura militar os portugueses deixaram a sua marca. 



No topo de uma colina com vista para a bela Vagator, no cruzamento de um canal que serve de intermediário entre o rio e o mar, os portugueses construíram este forte em 1617. A laterite foi a pedra usada, a mesma usada também na construção das igrejas de Goa, mas aqui foi deixado o seu tom vermelho à mostra. O forte de Chapora foi abandonado em 1892 e hoje está em ruínas, embora sejam ainda perceptíveis algumas das suas estruturas. Independentemente do seu estado de conservação, é difícil imaginar uma localização mais estratégica para implantar um ponto de vigia. E mais deslumbrante. A vista, sempre a vista.



Quarta-feira é dia de mercado em Anjuna e para lá seguimos de tarde.
Pelo caminho veem-se mais umas quantas igrejas, mas a de Anjuna, dedicada a Santo António é deliciosa nos seus pormenores. 


Anjuna é um dos locais mais famosos de toda a Goa e foi para cá que os hippies, nos anos 60, começaram por vir. Nessa época, o mercado de Anjuna era onde os ditos hippies vendiam alguns dos seus produtos, como calças jeans, e assim iam sustentando as suas vidas. Hoje o mercado está nos roteiros turísticos e para além de hippies a vender (e russos a comprar) existem também bancas de indivíduos vindos de todos os cantos da Índia e não só. Há alas inteiras só com chineses, por exemplo. A minha experiência com mercados tem sido sempre muito penosa. A princípio penso que é ali que despacharei os souvenirs todos, mas uma vez lá entrando só quero é fugir. Sem surpresa, aconteceu o mesmo em Anjuna. O mercado é grande mas repetitivo: têxteis, incenso, chás, bijuteria, baralha e dá de novo. Fica mesmo em cima da praia e prolonga-se pelo interior. 


Quanto à praia, tem um ar bastante abarracado e haverá muito melhores e mais bonitas em Goa.
Mesmo não sendo apreciadora nem do estilo hippie nem da música trance que inundou a região nos anos 80, tinha que vir a Anjuna, quanto mais não fosse para imaginar a figura do Graham, de Paulo Varela Gomes, no seu já citado Era Uma Vez em Goa. A história passa-se nos anos 60, Graham tinha visto um postal de Anjuna e desde aí quisera visitá-la; quando aqui chegou, porém, “o mar não era azul-turquesa, a areia não resplandecia de branco-zinco, os coqueiros não estavam todos curvados harmoniosamente sobre a branda espuma das águas, havia muitas coisas feias pelo areal, desde bosta de vaca a destroços trazidos pelas ondas, a areia era cinzenta, a água parda. Fiquei triste. O paraíso não tinha as cores e a textura prometidas”. Avisada previamente, a minha decepção foi zero.

Depois de Anjuna demos uma olhada na praia de Candolim, umas das zonas mais concorridas de toda a Goa, e agradecemos pela brilhante ideia de termos escolhido a pacata Pangim para nosso poiso, ainda que longe da praia. Propositadamente, não quisemos visitar Baga e Calangute para não reforçar a ideia.

Pretendíamos terminar o dia no Forte Aguada, um dos maiores e mais bem preservados, construído no início do século XVII pelos portugueses com o objectivo de controlar a entrada no rio Mandovi e proteger Velha Goa dos inimigos holandeses e maratas. O nome “aguada” vem da muita água que havia nas redondezas e que abastecia os navios que por aqui aportavam. Diz-se que daqui se obtém um dos melhores pores do sol da região. Acontece que na subida para o forte descobrimos o local exacto retratado numa foto que tínhamos visto e que logo estabelecemos como objectivo a sua busca e visita. Descemos a correr desde o Forte Aguada até ao rio Nerul para ainda apanhar as cores do fim do dia a brincarem com o rio e o templo. Missão cumprida. 



Restava-nos regressar a Pangim. Já noite, esperámos na paragem do autocarro em Candolim ainda um bom bocado, com a companhia de uma vaca. A vaca não entrou na discoteca. Perdão. A vaca não entrou no autocarro. Como lhe competia, o autocarro era bastante luminoso, mas desta vez a viagem não foi tão agradável, pois estava bastante cheio e fizemos a viagem toda em pé. Cansadas, mas provavelmente não mais cansadas do que os companheiros locais de viagem. 

Ao jantar, no delicioso – comida e ambiente – Verandah arriscámos finalmente o vindalo e saímos para tentar brincar ao Holi. Ao som das bombinhas partimos para a nossa segunda corrida do dia e resolvemos deixar a brincadeira para o dia seguinte.

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