Teatro Thalia

O Teatro Thalia é uma das novas aquisições na paisagem da cidade de Lisboa. 
Melhor dito, o renovado Teatro Thalia, na Estrada das Laranjeiras, paredes meias com o Jardim Zoológico, voltou a fazer parte da paisagem e itinerário dos lisboetas.

As Laranjeiras nem sempre fizeram parte da cidade. No momento da construção do antigo Teatro Thalia, em 1820, as Laranjeiras ficavam fora dos seus limites, nos arrabaldes, e o primeiro Conde de Farrobo tinha lá o seu palácio. Joaquim Pedro Quintela, segundo Barão de Quintela, primeiro Conde de Farrobo, cresceu no palácio da família, o Palácio de Quintela, na Rua do Alecrim, bem perto do Teatro de São Carlos. Para o Palácio das Laranjeiras, ou Palácio de Farrobo (não confundir com outro de mesmo nome, e então de mesmo proprietário, em Vila Franca de Xira), construído em 1779 e posteriormente herdado de seu pai, o Conde de Farrobo criou a divisa Otia Tuta – “para todos os prazeres / ócios”. Aqui se organizavam grandes festas e a vida cultural de Lisboa no século XIX passava por aqui. O primeiro lugar com iluminação a gás na cidade começou por existir aqui. E para aqui mandou o Conde vir leões, tigres e pandas que depois exibia nos jardins anexos da quinta (hoje Jardim Zoológico, aqui instalado em 1905).

Amante das artes, em especial da música, já que nas Laranjeiras não podia ter o São Carlos à porta, decidiu criar o seu próprio teatro e para aí trazer os maiores cantores de ópera da época. As festas seguiam, assim, do Palácio das Laranjeiras para o Teatro Thalia, mesmo à sua frente. Diz-se que a estas festas vinha até a família real. O fausto era tanto que o Conde acabou na falência. Mas deixou um legado para o vocabulário português: a expressão “farrobodó” para caracterizar a loucura e o excesso associados a uma determinada acção.

O Teatro Thalia – musa da comédia na mitologia grega – foi construído em 1820. Nos tempos áureos, até um fogo o consumir em 1862, a sua sala tinha lugar para cerca de 560 pessoas e o luxo imperava, quer nos camarins, quer no salão de baile ou até mesmo nos espelhos de Veneza que revestiam as suas paredes. Várias óperas foram aqui apresentadas. Depois do desastre do fogo não mais foi possível a recuperação do edifício, uma vez que o Conde de Farrobo havia entrado em falência, tendo acabado por falecer em 1869.

Até que a partir de 2009 a obra anteriormente projectada por Fortunato Lodi começou a ser recuperada e restaurada de forma brilhante segundo projecto do ano anterior dos arquitectos Gonçalo Byrne e da dupla Barbas Lopes (encomenda do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, sendo o Estado o proprietário do imóvel).

A Estrada das Laranjeiras continua a delimitar o espaço de um lado, mas agora já não passam por lá carroças, antes carros, muitos carros. Do outro lado o limite é o Jardim Zoológico e à entrada do novo Teatro Thalia a vizinhança constitui-se de uns animados macaquinhos nos jardins. Pese embora a enorme estrutura e a sua forma de caixote em cor castanha clara, não é fácil apercebermo-nos da sua presença à passagem na Estrada das Laranjeiras.




A obra que hoje nos é oferecida combina as partes antigas do antigo teatro neoclássico, como a sua fachada com colunas de mármore branco e frontão triangular (encimado com a inscrição em latim “Hic Mores Hominum Castigantur”, qualquer coisa como “aqui serão castigados os costumes dos homens”), esculturas e foyer, com partes novas, como a estrutura de apoio de vidro em forma de L, (um pavilhão que serve de passarela, no qual de dentro é possível observar-se o movimento da Estrada, mas desta nada se verá para dentro do Teatro), e, sobretudo, a tal estrutura “caixote” que embrulha as ruínas preexistentes. 





A grande e brilhante opção foi a de manter o espaço interior na sua forma original, consolidando-se e reforçando-se o exterior através da construção de uma pele em betão armado colorido envolvendo a estrutura primitiva. 



O espaço interior foi mantido tal como estava, como se de uma ruína ainda se tratasse, paredes de alvenaria com buracos, plateia e palco confundidos. Pormenores como deixar no tecto um pequeno buraco aberto para que a luz natural penetre no edifício são um mimo que atesta a superior qualidade do novo projecto de arquitectura.

O espaço interior presta-se à adaptação a vários usos como conferências, recepções, exposições, concertos, numa multidisciplinaridade de fins culturais e científicos. A Orquestra Metropolitana de Lisboa, por exemplo, tem feito bom uso do lugar.

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