Sortelha

A aldeia da Sortelha, concelho de Sabugal, no distrito da Guarda, é um lugar absolutamente surpreendente. À semelhança de Monsanto, situa-se numa colina e a paisagem ampla ao seu redor é marcada por pedras e penedos de formas irreais. 
 
 
Alguém já se lhes referiu mesmo como “magníficos monumentos”. 
 
 
Subimos a dita colina plantada a cerca de 760 metros de altitude e após deixarmos o actual núcleo povoado da aldeia adentramos a Porta da Vila e todo um outro mundo se nos oferece. Digo actual núcleo povoado porque este que queremos visitar, o antigo núcleo urbano muralhado, já não tem lá nenhum habitante. É uma aldeia deserta mas com as casas praticamente todas conservadas. Como se os seus habitantes tivessem saído à pressa e não nos esperassem. 
 
 
 
 
 
 
Deambulei pelo seu mundo de pedra sozinha. O único local com quem me cruzei ainda me perguntou, depois do meu bom dia, se andava a visitar as pedras, mas logo corrigiu sorrindo, “são bonitas”. E são mesmo. 
Este mundo encantado é feito de ruas de pedra, casas de pedra, igrejas de pedra, castelo de pedra e uma muralha de pedra que tudo rodeia. As ruas são estreitas e inclinadas. Quem aqui construiu as casas teve também imaginação para vencer o terreno declivoso.
 
 
De características medievais, a fortificação e posterior cidadela da Sortelha remonta ao século XII. Em 1181 D. Sancho I começou por povoar o lugar e em 1228 D. Sancho II concedeu-lhe foral e construiu o castelo.
 
Não se conhece com certeza a origem do topónimo “sortelha”. Várias hipóteses têm sido aventadas, a maior parte delas remetendo para a ideia do traçado oval – forma de anel – do seu aglomerado urbano. Diz-se que as palavras Sortija, Sortília ou Sorteia eram palavras que designavam um jogo medieval em que os cavaleiros usavam um anel onde tentavam colocar a sua lança. Outros dizem que a palavra Sortel significava anel de pedra com poderes especiais que era usado por magos e feiticeiras. Há quem defenda ainda que Sortelha deriva da palavra Sortícula, que significa pequena parcela agrícola. Há muito por onde se escolher, já se vê. 
 
 
O que é certo é que a Sortelha é efectivamente um lugar propício para deixar a nossa imaginação fluir. Quando nos aborrecermos de caminhar entre os edifícios de granito cá em baixo, podemos sempre optar por subir à muralha e caminhar pelas suas ameias e outras vistas se nos abrirão. O vasto horizonte da Serra da Malcata e Cova da Beira não nos distraí, porém, do casario simples mas encantador da Sortelha que temos ali aos nossos pés.
 
 
 
O Castelo foi erigido no cimo de num penhasco e é, mais uma vez, uma criação do Homem a expensas da Natureza. O melhor enquadramento visual do formoso Castelo obtém-se do cimo da muralha. As vistas são imbatíveis para onde quer que dirijamos o nosso olhar. Lá de cima do Castelo, então, perdemo-nos em jogos tentando enquadrar de forma mais singular o granito, a telha e as ameias.
 
 
 
 
 
A entrada para o Castelo faz-se do Largo do Pelourinho, onde encontramos também a Casa da Câmara e a Cadeia. 
 
 
 
Aqui perto (aqui tudo é perto) fica a Igreja Matriz e a Torre Sineira ou Campanário.
Os edifícios não são muito distintos, mas bem conservados valem a pena ser apreciados. Destaque para a Casa n. 1 (logo à entrada), a casa com janela manuelina e a Casa Árabe. E, claro, para as belas rochas. E os gatinhos, habitantes em maioria na aldeia. Ah, e pudessem as fotos transmitir o cheirinho das figueiras da Sortelha…
 
 
 

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