Vila Medieval de Ourém e Castelo

A Ourém dos nossos dias é a cidade que juntou a antiga vila medieval de Ourém à antiga Aldeia da Cruz (a qual, por sua vez, tinha dado origem à Vila Nova de Ourém).

Diz a lenda que o nome Ourém deve-se à moura cativa que ao converter-se ao cristianismo por amor a um cavaleiro português mudou o seu nome muçulmano Fátima para Oureana.

O Castelo de Ourém, também conhecido como os Paços do Conde de Ourém, é uma surpresa no cimo de um monte a 330 metros de altitude que se vai avistando e destacando desde ao longe na paisagem envolvente. É no cimo deste monte que fica a antiga vila medieval de Ourém, lugar ocupado desde a pré-história, tendo por lá passado os romanos, os visigodos e os muçulmanos. Até que em 1136 D. Afonso Henriques chegou e conquistou a então Abdegas aos mouros e começou por reconstruir a sua antiga fortificação. Os seus sucessores haveriam de dar forma ao burgo e castelo que hoje podemos conhecer.

A sua arquitectura é especial e singular. Mas o pequeno burgo medieval que o circunda, e que devemos percorrer até chegarmos ao topo do morro onde se encontra o castelo, confere um encanto ainda maior ao lugar.

Comecemos por aqui.

Uma estrada serpenteante desde a cidade de Ourém leva-nos até ao cimo da colina deixando-nos face à Porta da Vila, a norte, uma das duas entradas da vila medieval muralhada. Esta porta em arco rompe a muralha e faz-nos entrar no núcleo urbano onde deambulamos por um mundo de ruas estreitas de pedra e casinhas brancas. E com mais de uma mão cheia de pormenores que encantam.

Desde logo, a fonte em estilo gótico, datada de 1434, com o escudo de armas de D. Afonso, 4° Conde de Ourém (personagem incontornável e central no desenvolvimento deste burgo). O abastecimento de água à vila medieval era essencial e este é o primeiro elemento a ela ligado com que nos depararemos.

Aqui perto fico o Pelourinho em estilo barroco, mesmo em frente aos antigos Paços do Concelho, hoje Galeria Municipal. Seguimos, porém, em direcção à Igreja da Colegiada, logo nas costas da Porta da Vila.

A Igreja da Colegiada de Nossa Senhora da Misericórdia teve no seu lugar um templo inicialmente fundado por D. Afonso Henriques que no século XV foi remodelado por iniciativa de D. Afonso. O terramoto de 1755 trouxe a destruição quase total da igreja. No entanto, a cripta onde se encontra o túmulo de D. Afonso sobreviveu. No mais, a igreja foi reconstruída após o terramoto e hoje apresenta um estilo barroco.

O adro da Igreja da Colegiada tem um escala pequena, à semelhança da aldeia medieval. Ao seu redor encontramos um restaurante, uma pousada, uma praça onde se descobre uma janela manuelina e um excepcional miradouro que se abre numa paisagem imensa sobre os vales férteis onde se foram desenvolvendo diversas aldeias.

A existência de antigos edifícios públicos, como Igrejas, ermidas, casa paroquial, pelourinho, casa da cadeia, hospital, sinagoga e castelo atesta a importância que este núcleo medieval atingiu no século XV.

Abandonando o centro deste pequeno núcleo urbano continuamos em direcção à Porta de Santarém, a entrada sul, passando por diversas casas em ruína e campos de cultivo hoje abandonados. Após uma breve subida chegaremos ao Castelo. Ou seja, a antiga vila medieval estava estruturada de forma a que as suas duas entradas possuíssem dois pólos centrais: um religioso, com a Igreja, outro militar, com o Castelo.

O Castelo de Ourém enquanto conjunto não possui a arquitectura a que tipicamente estamos habituados a ver no nosso território nacional, sendo por isso inovador e original ao seu tempo. Construído entre 1450 e 1460, são três as suas estruturas principais: o castelo propriamente dito, o paço e as torres baluarte.

Vindos da Porta de Santarém é com as Torres Baluarte que nos deparamos em primeiro lugar. São duas elegantes torres defensivas que integravam a muralha da vila e são rematadas por balcões corridos que nos permitem vistas fantásticas. Ourém fica situada no centro de Portugal e aqui de cima não duvidamos da estratégia do lugar.

A telha e o tijolo nestas torres quebram a monotonia e o monocromatismo que nos habituámos a ver na maior parte dos castelos portugueses. E é precisamente esse detalhe de linha de tijolo quase rendilhado que encontramos também no corpo da então residência oficial de D. Afonso, o Paço dos Condes, também uma espécie de torre a toda a largura dos dois baluartes, mas atrás destes e por eles protegido. Homem culto e viajado, D Afonso foi o grande responsável pela pujança de Ourém na época medieval construiu este Paço inspirando-se numa arquitectura de gosto italiano e mudéjar, mesclando a estética militar com a palaciana.

O castelo, por sua vez também recuado em relação ao Paço, tem um formato triangular com três torres em cada um dos seus lados, alberga uma cisterna subterrânea (outra referência ao elemento água) e possui um estilo românico. Construído no século XII, uma das suas torres ficou conhecida como Torre D. Mécia, pois foi ali que a mulher de D. Sancho II foi mantida encarcerada por disputas com Castela.

O que mais impressiona, porém, é o Terreiro de Santiago que lhe serve de recepção. Um espaço enorme e totalmente aberto aos elementos – paisagem e vento, sobretudo – tem no centro a estátua de D. Nuno Álvares Pereira, 3° Conde de Ourém, que, conta-se, terá saído daqui para a Batalha de Aljubarrota.

Após o terramoto de 1755 todo o lugar – castelo e vila medieval – ficaram muito destruídos. Mais tarde sofreu ainda mais danos na sequência da ocupação pelas tropas de Napoleão. Tudo isso contribuiu para que os seus habitantes abandonassem a colina e se viessem a estabelecer na então Aldeia da Cruz, hoje cidade de Ourém.

Embora se observem algumas ruínas, a apreciação global de uma visita à vila medieval de Ourém só pode ser de contentamento. É um lugar surpreendente e com um ambiente sedutor. Muito compacto, apresenta inúmeros pontos que nos distrairão e nos remeterão para épocas idas. Que mais pedir de um passeio a um lugar histórico?

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