A Caminho de Amarante

O “já que estou por aqui vou até ali” funciona na perfeição comigo.

Então, já que vamos a caminho de Amarante vindos do Porto, porque não um desvio até Vila Boa de Quires e Marco de Canaveses? E quem vai de Amarante a caminho de Terras de Basto, porque não um desvio até Telões?

Começando por esta última. A Igreja de Santo André de Telões é um dos muitos exemplos de igrejas – e outros monumentos – da Rota do Românico pelos vales do Sousa, Douro e Tâmega. Construída na passagem do século XII para o XIII, no século seguinte havia já registo dela como igreja paroquial. Muito modificada ao longo dos séculos, a igreja de Telões conserva ainda vestígios românicos, como o seu arco triunfal na fachada principal. O seu campanário de três arcos em semi-círculo, cada um com o seu sino, dá-lhe um ar muito pitoresco.

E, para algo totalmente diferente, mas ainda na arquitectura religiosa, rumemos ao Marco de Canaveses e à sua igreja de Santa Maria.

(Mais) Uma obra-prima de Siza Vieira, este projecto inaugurado em 1996 foi por mim visitado aqui há uns anos. Não voltei lá desta vez, mas deixo aqui umas fotos anteriores da “Igreja de Siza” onde se percebem claramente as marcas inconfundíveis do nosso arquitecto. O aproveitamento superior do declive natural do terreno, a cor alva de todo o centro paroquial, as aberturas na fachada que permitem a entrada da luz natural no interior da igreja e o mobiliário desenhado pelo próprio Siza. É uma peça arquitectónica superior num lugar improvável.

Vila Boa de Quires é também um povoado do concelho do Marco. Com alguns elementos de interesse a merecerem uma visita, como a sua própria igreja e vinhedos, para além da bonita paisagem derivada da sua implantação rural, é a Casa Inacabada ou a Obra do Fidalgo que merece agora a nossa atenção.

Este é um antigo palacete do século XVIII que nunca chegou a ser concluído mas cuja ruína resiste até hoje aos olhares curiosos. Neste ambiente de mistério inato aos lugares abandonados e onde a vegetação vai conquistando poder, vemos imponente uma frontaria de dois pisos com 60 metros de comprimento. Imediatamente nos apercebemos do soberbo trabalho de cantaria sobre o granito pejado de elementos decorativos na que seria a entrada principal deste que é um dos maiores exemplos de palacete em estilo barroco e rococó do nosso país. Os motivos para que este edifício não tivesse chegado a ser concluído terão sido a morte do seu arquitecto ou, mais provavelmente, a falta de verbas.

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