Por Terras de Basto – Castelo de Arnóia e Casa de Campo de Molares

A passagem por Terras de Basto mereceria dedicação maior, mas serviu ainda assim para concluir pela beleza exuberante dos seus verdejantes caminhos. Não há que enganar, estas são terras do Minho.

Celorico, Cabeceiras e Mondim foram apenas atravessadas e, para além da natureza que as envolve, registo para alguns belos solares e para o imponente Mosteiro de São Miguel de Refojos. A subida ao alto da Senhora da Graça não foi tão difícil de carro como se tivéssemos efectuado o percurso de bicicleta, mas a chuva e o nevoeiro tornaram-na igualmente aterradoramente cansativa.

Houve, porém, dois lugares, ambos no concelho de Celorico de Basto, que tiveram a nossa visita demorada, o Castelo de Arnóia e a Casa de Campo de Molares.

O Castelo de Arnóia, parte da Rota do Românico, fica no topo de um cabeço a cerca de 250 metros de altitude. A subida pelo caminho de ronda até lá é curta e decorada com umas pedras esculpidas pelo tempo. Resiste a sua torre de menagem e a muralha que envolve o seu pequeno pátio com cisterna.

Nada pequenas são as vistas fabulosas desde este Castelo que se crê ser datado dos séculos XI a XIII. O verde consome a nossa vista por inteiro, num terreno acidentado pelas elevações a que não falta sequer uns socalcos para a vinha.

A Casa de Campo de Molares é uma das várias casas nobres que pululam por esta freguesia. Ainda que discretas, veem-se amiúde torreões perdidos por entre as vinhas, numa paisagem tranquila.

Situada após um breve desvio da Estrada Nacional, esta Casa de Campo, em concreto, é um solar do século XVII que permanece desde aí na mesma família. À entrada da propriedade murada com um género de ameias como decoração encontramos, junto à estrada de terra batida, uma capela em estilo renascentista (pertença da propriedade e a ela ligada por uma bonita passagem superior) ladeada por duas araucárias.

Passamos o portão e damos com o pátio de acesso ao corpo principal do solar e ao seu jardim. Hoje espaço dedicado a turismo de habitação, a fachada principal da casa mãe apresenta-se num volume comprido de dois andares de cor alva interrompido por uma torre de granito com ameias que se vai deixando apoderar por uma trepadeira verde. Não visitámos o seu interior, decorado com mobiliário de época. Mas visitámos o seu fantástico jardim – visitas sob marcação.

É sobretudo o jardim de japoneiras que faz a fama da Casa de Campo de Molares. Localizado num plano superior em relação à casa e acessível depois da subida de uma escadaria, este jardim possui as mais antigas camélias de Portugal, nome por que são também conhecidas as japoneiras. Por caminhos estreitos que nos envolvem em absoluto e nos deixam respirar apenas junto ao chafariz central, num brilhante trabalho de arte topiária vemos as enormes cameleiras moldadas de forma artística e ornamental. As japoneiras foram importadas do Japão para o norte do país logo em finais do século XVI e as famílias ricas da região adoptaram-nas como adorno para os seus jardins. Este é um exemplo superior desta arte.

Do recolhimento do jardim onde só vemos a forma e o verde das cameleiras passamos para um espaço de um outro lazer, uma piscina com uma vista fabulosa enquadrada pelo alto da Nossa Senhora da Graça onde o verde se mantém como elemento constante.

Um jardim sem fim, estas Terras de Basto.

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