As Igrejas de Madeira de Maramures

As igrejas de madeira de Maramures são a marca distintiva da região, tendo despertado a atenção da Unesco que distinguiu 8 destas igrejas como Património da Humanidade. Porém, arrisco-me a dizer, para além destas oito qualquer uma das outras é um mimo.

Instaladas sobretudo nas aldeias ao longo dos vales dos rios Mara e Iza, estes exemplares de arquitectura religiosa datam desde o século XIV, embora a maioria sejam dos séculos XVII e XVIII, construídos após as incursões invasoras dos tártaros pela região.

O uso da madeira como material construtivo destas igrejas não se deve apenas ao aproveitamento dos recursos naturais autóctones. A razão está antes no facto de no século XIV os cristãos ortodoxos romenos terem sido proibidos pelos católicos húngaros de construir as suas igrejas em pedra, de forma a que estas não perdurassem no tempo. Mas, recorrendo à madeira, os engenhosos habitantes de Maramures não só conseguiram que estas igrejas resistissem ao clima severo de montanha como resistissem ao passar dos séculos. Mais, com a sua criatividade e saber-fazer artístico conseguiram ainda que esta muito própria interpretação vernacular das tradições de construção em madeira aplicadas à arquitectura religiosa atingisse um estatuto de obra de arte que muitos séculos depois seria distinguida e admirada por toda a Humanidade.

Estas igrejas construídas inteiramente em madeira, maioritariamente de pinheiro ou de carvalho, estão, muitas das vezes, implantadas em locais rodeados de floresta, o que lhes confere um ar ainda mais mágico, não sendo necessário possuir uma fé ou espiritualidade cristã para ser por elas seduzido. De estrutura pequena, o realce vai quase sempre para o seu telhado, seja simples ou duplo, a cair um sobre o outro. Bem junto à construção podemos perceber a forma como estes telhados estão montados, pequenas telhas sobre pequenas telhas.

Realce maior ainda para as torres em estilo gótico. São autênticas agulhas, altas e estreitas, que parecem querer furar o céu.

Deambulando pelo espaço exterior de qualquer uma das igrejas de madeira de Maramures, é inevitável caminhar por entre as campas de quem já cá não está. O costume local é o de os cemitérios serem contíguos à igreja, sem qualquer divisória, o que torna o sentido destas igrejas ainda mais completo.

O seu interior, nem sempre de portas abertas, possui pinturas de cores vivas com cenas bíblicas e do quotidiano da vida rural e é surpreendente constatar como estas pinturas chegaram aos nossos dias.

Em seguida, (para além da de Breb, já focada em post anterior) alguns exemplos destas mais de 100 igrejas, começando por três que não estão classificadas pela Unesco, mas que foram provavelmente as que mais gostei de visitar pela parceria perfeita entre arquitectura e ambiente que as rodeia.

Manastirea, datada de 1633, aqui se chega após atravessar uma trémula ponte sobre o rio Mara e se subir um monte; é talvez a mais pequena e remota destas aldeias de madeira.

Sat Sugatag, datada de 1642, no povoado de mesmo nome atravessamos um portão decorado em madeira à beira da estrada e caminhamos ao encontro da floresta.

Calinesti, a Susani, datada de 1883, está ainda mais embrenhada na floresta, tendo de se subir uma escadaria para a descobrir.

Entre as classificadas pela Unesco, a de Barsana foi talvez a que mais gostei de visitar. Deslocada em 1803 para num ponto altaneiro em relação à aldeia de mesmo nome, daquelas se observando todo o vale, esta igreja de madeira construída em 1720 tem uma vista desimpedida de árvores, o que nos permite admirá-la em todos os pormenores. O interior também pode ser visitado.

Budesti, construída em 1643, a sua torre tem 18 metros de altura, mas, mais especial ainda, é acompanhada por 4 pequenas torres que a rodeiam; é a maior das igrejas de madeira classificadas pela Unesco.

Ieud, construída em abeto, não se sabe ao certo a sua data; uns apontam para o século XVII, mas outros há que a situam no século XIV, fazendo dela a mais antiga da região.

Poienile Izei, construída em 1604, é uma das mais bonitas e de localização mais inspirada; diz-se que o seu interior (fechado na altura da minha visita) possui as mais belas cenas do Dia do Juízo Final.

Surdesti, situada mais a sul e construída em 1721, é uma das mais fantásticas igrejas de madeira de Maramures; a sua torre de 54 metros, a mais alta de todas estas igrejas, é também uma das mais altas estruturas de madeira do mundo e avista-se ao longe. Esta igreja tem ainda como elemento característico as duas fileiras de arcos acima da varanda. O seu interior possui cenas da Paixão de Cristo e do Apocalipse.

Plopis, uns 2 kms adiante Surdesti, data do fim do século XVIII e por altura da minha visita estava em restauro.

Deixei passar (estupidamente) a igreja de madeira de Desesti e não cheguei até à de Rogoz, as outras duas classificadas pela Unesco.

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