Bairro Grandela

O Bairro Grandela fica situado na Estrada de Benfica, mesmo defronte do Palácio Beau-Séjour. Ao contrário deste, discreto e escondido para lá dos muros e jardim, dos dois edifícios vermelhos do Grandela em forma de templo grego todos dão notícia quando passam pela Estrada.

Este é um bairro operário mandado construir por Francisco Grandela, homem dinâmico que viveu entre 1853-1935 e foi o fundador dos Armazéns Grandela, hoje Armazéns do Chiado. Nessa época, Lisboa vivia um desenvolvimento industrial que fez com que à capital acorresse um grande número de trabalhadores sem que a cidade estivesse preparada para os receber, por escassez de habitações.

Nesta zona da cidade havia um curso de água, a Ribeira de Alcântara, elemento do qual Grandela necessitava para instalar as suas fábricas do ramo que hoje conhecemos por “pronto a vestir”. Homem visionário, em 1902 começou a construir a sua fábrica e decidiu que ela seria acompanhada por uma vila operária, de forma a que os seus trabalhadores pudessem não apenas ter uma habitação mas ficassem perto do trabalho, garantindo com isso a sua assiduidade e produtividade. Num espaço próximo estes teriam, assim, o trabalho, a residência e até a creche para os seus filhos. Este exemplo de construção de vila operária não é único em Lisboa, havendo muitos outros casos de iniciativa dos industriais em substituição ao Estado em matéria de habitação, em especial na zona da Graça e de Alcântara (ver anterior post aqui https://andessemparar.com/2015/03/13/vilas-operarias).

A vila operária do Bairro Grandela é uma vila exposta à rua, embora nunca tenha tido portas porque se considerava ser um espaço privado. À entrada, à beira da Estrada de Benfica, as tais duas casas vermelhas com escadaria e colunas em estilo neoclássico encimadas por frontão com a insígnia de Grandela e pela divisa “sempre por bom caminho e segue”. Uma delas servia originalmente de creche e é hoje a Casa da Cidadania, a outra o Fórum Grandela e serviços da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica. Para lá destes dois edifícios quase monumentais distribuem-se três ruas de casinhas mais pequenas, uma para os encarregados, as outras duas para os operários.

A rua das moradias dos encarregados da fábrica possui as casas mais distintas, com entradas cobertas sustentadas por duas colunas e com elementos decorativos na fachada.

Nos dois quarteirões destinados aos operários as casas estão pintadas de vermelho e perfazem o número de 70 habitações, divididas em edifícios de dois pisos, com o piso superior a possuir igualmente acesso directo à rua através de uma escada com alpendre. Hoje os carros inundam grande parte do espaço da rua em calçada portuguesa, mas vemos alguns bancos para se estar e as estruturas em ferro para estender a roupa, dois indícios de que a vida de bairro continuará a ser mantida, embora a fábrica tenha passado o seu tempo.

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