Jardim José do Canto

O Jardim José do Canto está situado imediatamente a norte do centro histórico de Ponta Delgada e é obra de um homem culto e viajado, pertencente a uma das mais influentes famílias locais. José do Canto nasceu em 1820 e era um apaixonando pela natureza e a botânica, em especial, tendo na segunda metade do século XIX desenvolvido na Quinta de Santana o seu jardim.

Os terrenos da Quinta de Santana eram então pertença da sua mulher, D. Maria Guilhermina, herdeira da Casa Brum, e neles José do Canto procedeu à aclimatação de diversas espécies, que depois levou para outras propriedades suas junto à Lagoa do Congro e à Lagoa das Furnas (tendo nesta última erguido a Ermida da Senhora das Vitórias). Como testemunho de tempos mais antigos resta ainda a seiscentista Capela de Sant’Ana, com entrada quer pelo jardim quer pela rua que lhe serve de acesso.

Este é, pois, o jardim botânico de Ponta Delgada. Com uma área de cerca de 5,8 hectares, por ele passaram mais de 6000 espécies ao longo dos anos da sua existência, iniciada em 1845. Poucos anos mais tarde, em 1866, o botânico alemão Edmond Goeze passou por lá e deixou-se impressionar pelos “jardins encantadores” de Ponta Delgada. Por essa época era considerado o jardim mais rico em arbóreas da Europa, com plantas originárias dos vários cantos do mundo.

Nos nossos dias não terá a diversidade de outros tempos, mas permanece um belo lugar para se passear e deixar admirar pela exuberância da sua vegetação. Como escreveu Raul Brandão, após visita ao Jardim em 1924, são “árvores que infundem respeito, com furnas e cavernas nos troncos, árvores cenográficas, cheias de força e amplidão ou transparentes e frágeis como vidro – pedaço dos trópicos transportado por mágica para Ponta Delgada”.

O Monumento a José do Canto, a estátua do fundador, marca a alameda de entrada do Jardim. Mais adentro, quase escondido no arvoredo, um busto do rei D. Carlos assinala a sua passagem pelo jardim em 1901, juntamente com a rainha D. Amélia.

É na zona à direita da alameda principal que encontramos a vegetação mais cerrada e surpreendente de todo o Jardim. Há exemplares delicados, outros exóticos e outros ainda monumentais – como as araucárias e as árvores da borracha australiana. Há raízes incríveis, como dedos espessos cravados na terra. E troncos que parecem anéis. O cenário é em diversos momentos aquele que esperamos encontrar numa selva. Uma luxúria fantástica.

E, depois, uma zona de prado com algumas roseiras faz com que a viagem pelos trópicos termine.

Numa cota mais elevada, na zona alta do Jardim, fica o Palácio que já foi residência privada da família e é hoje sede da Fundação do Jardim José do Canto, para além de alojamento local. Edifício neoclássico tardio construído em meados do século XX, é o maior exemplo desse estilo na cidade.

De volta à zona baixa do Jardim, espreitamos a antiga estufa, de traça vitoriana, hoje pavilhão de festas. Depois deste edifício, e antes da Capela da antiga quinta e da saída do Jardim, descobrimos uns painéis de azulejo com figuras e eventos locais, imersos no arvoredo, como este de Manuel de Arriaga, faialense, o primeiro Presidente da República eleito. Terá ele passeado por este Jardim?

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