Parque do Vale do Silêncio

Tendo desde sempre morado perto dos Olivais e passado grande parte da juventude no belíssimo complexo da piscina do bairro, era impossível ignorar a existência do Vale do Silêncio. A verdade é que todos sabíamos que ele existia, mas décadas atrás era território a evitar, por mal frequentado e perigoso. Felizmente, hoje já não é assim.

A Mata do Vale do Silêncio continua protegida com arvoredo enorme, escondendo-a da movimentada Avenida de Berlim que segue até ao aeroporto. Não recordo a primeira vez que para lá da densa cortina de árvores vi o seu manto verde infinito, mas todas as vezes que volto a depositar nele o meu olhar continuo a surpreender-me. É impressionante.

A Mata passou a ser designada como Parque e agora é-o na verdadeira acepção da palavra, cerca de 8 hectares onde o lazer é senhor. Uma ciclovia atravessa-o, uma parede de escalada proporciona aventura, uma pista de skate para os mais pequenos inicia-os noutras aventuras e mais, muitos mais, recantos de campos de jogos e parques infantis, bem como um quiosque com zona de esplanada e áreas de merendas garantem que aqui passaremos um bom momento.

Mas é ao seu fantástico relvado central que dirigimos sempre as maiores emoções. Entre outros eventos, nele milhares viram Carmina Burana e outros concertos da Orquestra Gulbenkian, numa parceira com a Câmara Municipal de Lisboa por ocasião do Festival Lisboa na Rua. Nessas alturas o Silêncio cedeu, deixando que a música dele se apoderasse.

A primeira referência ao Vale do Silêncio encontramo-la na década de 1950, aquando do Estudo Base do Plano de Urbanização dos Olivais. Ligado aos princípios modernistas que nortearam o projecto do bairro, seus pólos habitacionais e espaços verdes adjacentes, a ideia de aqui implantar um jardim mais amplo surgiu de mão dada com a ideia de trazer um ar mais puro ao lugar poluído pelo mau cheiro e ruído da vizinhança industrial, incluindo fábricas e aeroporto. O “pulmão dos Olivais” teria, assim, uma dupla função: enquanto modelador da paisagem, servindo como tampão e isolamento desses factores indesejados, e enquanto elemento de recreação para os habitantes do bairro. Mas apenas em 1968 o projecto do arquitecto paisagista Manuel Sousa da Câmara arrancou com a plantação de diversas espécies arbóreas, onde ainda hoje dominam os choupos.

As alamedas de choupos são, precisamente, outra das grandes atracções do Parque, proporcionando inúmeros caminhos de abstracção urbana na natureza, aqui e ali interrompidos pelo chilrear dos pássaros.

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