Luxemburgo – Parte 2

Após deixarmos Echternach, a cidade mais antiga do Luxemburgo, seguimos para o coração da região de Mullerthal, a “Pequena Suíça”, obrigatória para os amantes de natureza e caminhadas.

Mullerthal Trail B2
Mullerthal Trail B2
Mullerthal Trail B2
Mullerthal Trail B2

Mullerthal é uma região de florestas densas e formações rochosas de pasmar. Parte do Geoparque Unesco, o Mullerthal Trail tem 112 kms de extensão de caminhos com paisagens variadas e lugares escondidos, mas podemos escolher percorrer apenas parte dele. Foi o que fizemos, colocando os pés e sentidos no trilho local designado por B2, cerca de 4,5 kms com início e final em Berdorf. Para além do prazer que é estarmos envolvidos na natureza, a grande piada deste trilho é perceber as fantásticas formações rochosas que aqui marcam presença. As rochas por onde agora deambulamos foram sendo constituídas por sedimentos aqui depositados há 200 / 250 milhões de anos. Quando o mar recuou, os rios, ao fluir, foram depositando sedimentos no mar e, no processo de formação das rochas, a areia depositada transformava-se em arenito – para além deste, estão presentes também dolomita e marga (material rico em carbonatos, de cor esbranquiçada), todos eles parte dos fundos marinhos. Esta emblemática paisagem é, assim, o resultado da erosão das rochas por acção da passagem dos rios, que as foram esculpindo. Com isso, criaram desfiladeiros idílicos como o Ruetsbech e fendas e grutas misteriosas: o Ruetsbechschlëff e o Schlëffe são conjuntos labirínticos incríveis, onde nos encolhemos para passar entre as paredes rochosas de grande altura e, propositadamente, nos deixamos perder. Também por isso, este é um paraíso para os amantes da escalada.

Mullerthal
Mullerthal
Cascata Schiessentümpel

Outro ponto alto de Mullerthal é a Cascata Schiessentümpel. São três faixas de água a jorrar por baixo de uma ponte de pedra, e este seria o momento mais romântico da viagem, não fosse o caso de estar pejado de pessoas, todas elas atraídas por este símbolo de Mullerthal, presente num poema de elegia à região escrito por Michel Rodange, o poeta nacional do Luxemburgo.

Larochette
Larochette

Larochette é uma pequena vila medieval onde um castelo domina o alto de um rochedo a 150 metros sobre o casario. Da praça central da povoação, subimos até a um miradouro com uma vista fantástica para o castelo, que tem sua origem no século XII, quando aqui mandavam os senhores de Fels, mas que no decorrer dos séculos acolheu outras residências senhoriais dentro das suas muralhas. À semelhança de tantas outras atracções no Luxemburgo, nos meses de Inverno o castelo de Larochette está encerrado a visitas, pelo que nos limitámos a admirar a sua imponência em meio a uma paisagem rural à medida.

Castelo de Vianden
Vianden
Vianden
Vianden
Vianden

Porém, o castelo mais famoso do Luxemburgo fica um pouco mais a norte, já na região Éislek, parte das Ardennes. Esta é talvez a região do Luxemburgo de maior beleza natural e aquela em que tanto deixámos escapar, como o Castelo de Bourscheid e as povoações de Esch-sur-Sûre e Clervaux. Vianden é uma das mais antigas e históricas vilas do país, reconhecidamente pitoresca e o lugar onde Victor Hugo se exilou voluntariamente, encantado com a povoação. De ruas estreitas, a artéria principal possui edifícios de traça medieval e transporta-nos das margens do rio até ao monte onde o castelo está instalado.

Castelo de Vianden
Castelo de Vianden
Castelo de Vianden
Castelo de Vianden
Castelo de Vianden
Castelo de Vianden
Castelo de Vianden

Construído entre os séculos XI e XIV, o Castelo de Vianden era a cabeça do condado de mesmo nome e hoje é considerado uma das maiores e mais bonitas residências feudais do período românico e gótico na Europa. Depois de décadas de abandono, foi restaurado há relativamente pouco tempo e é certamente um dos monumentos mais visitados do Luxemburgo, proporcionando uma boa experiência pela história do país, conjugada pela beleza da sua envolvente natural, um vale profundo acompanhado por montes verdes que, no Inverno, ficam cobertos de neve. Há que notar que, quando se trata de castelos, os do Luxemburgo são muito diferentes daqueles que nos habituamos a ver em Portugal – mais do que fortalezas, são palácios, onde o elemento defensivo não parece tão evidente, sendo por isso mais fáceis de perceber (embora como fã de muralhas e ruínas prefira aventurar-me pelos “nossos”). Na visita ao Castelo de Vianden, percorremos diversas salas, incluindo a bela capela (a cor dá-lhe vida), a cozinha, a sala dos cavaleiros, a adega e outras divisões residenciais. Destacam-se as torres medievais e a paisagem soberba que dele observamos.

Guttland
Guttland
Guttland

Muitos mais castelos perdidos na ruralidade tranquila deste pequeno país estão prontos a serem descobertos. Para o fim da viagem deixámos um breve e apressado passeio pelo verdejante Vale dos Sete Castelos, já na região de Guttland, conhecida como o jardim do Luxemburgo. É o rio Eisch, afluente do Alzette (por sua vez afluente do Sûre e, este, afluente do Reno), que cria este vale de relevos suaves e prados serenos, atravessando um quase contínuo de pequenas povoações ao longo de cerca de 25 kms de estrada. Mersch, Schoenfels, Hollenfels, Ansembourg – novo e velho -, Septfontaines e Koerich são os castelos que se sucedem no caminho. Nem todos são visitáveis ou estão inteiros, mas servem de testemunho de épocas que já lá vão.

Mersch
Mersch
Castelo de Mersch

Mersch será uma das maiores povoações deste vale e a traça da sua fortificação / residência, vinda do século XIII, é muito característica, em tons rosa, restaurada de forma a acolher a sede do município local.

Castelo de Schoenfels
Castelo de Schoenfels

Schoenfels é, na verdade, uma torre defensiva, também do século XIII, embora com alterações posteriores. Do alto dos dos seus 21 metros de altura, é a mais impressionante da região.

Castelo de Hollenfels

O Castelo de Hollenfels, com origens no século XI, estava em restauro e o seu acesso próximo interdito. Tentámos rodeá-lo e perceber os pormenores da sua fachada por entre a densa vegetação, sem sucesso porém. Pena, pois pareceu que seria dos mais impressionantes, com as suas torres e áreas residenciais.

Novo Castelo de Ansembourg
Novo Castelo de Ansembourg
Novo Castelo de Ansembourg
Novo Castelo de Ansembourg
Novo Castelo de Ansembourg
Novo Castelo de Ansembourg
Novo Castelo de Ansembourg
Novo Castelo de Ansembourg
Novo Castelo de Ansembourg

Mas, para compensar, a menos de 2 kms de distância pudemos visitar o Novo Castelo de Ansembourg e seus jardins históricos. Construído em 1639 como a residência privada de Thomas Bidart, empresário da indústria do ferro, foi com os sucessores deste conde que os jardins começaram a ser moldados ao estilo francês. Assim, no século XVIII os jardins receberam diversas colecções botânicas, plantas exóticas e árvores de fruto, assim como estatuetas e fontes decorativas. Desde 1987, o castelo é propriedade de uma comunidade religiosa japonesa, Sukyo Mahikari, e apesar de não estar aberto ao público os jardins estão abertos a visitas. Com terraços em patamares e vários pequenos lagos, a época de Março não será a mais esplendorosa para admirar as cores deste jardim. De qualquer forma valeu muito a pena conhecer as suas composições labirínticas de buxo e a “álea mitológica”, com 10 esculturas de personagens mitológicas gregas e romanas. Também o lago diante da casa senhorial possui uma boa carga cénica, com a estátua de Neptuno a jorrar água enquadrada por umas colunas em arco sobre esculturas contemporâneas.

Septfontaines

O Velho Castelo de Ansembourg é propriedade privada e mal damos por ele no caminho, escondido que está num patamar superior da estrada e envolvido na floresta. A sua fundação virá do século XII e em 2008 o governo do Luxemburgo comprou os cerca de 6.000 exemplares da biblioteca do castelo. Igualmente privado, o Castelo de Septfontaines deixa-se ver à passagem pela povoação. Foi construído em 1783 por uns proprietários de uma fábrica de porcelanas que existia por perto, passando a usá-lo como residência das suas famílias. Hoje restaurado, é usado para conferências e recepções.

Koerich
Castelo de Koerich
Castelo de Koerich
Castelo de Koerich

Por fim, o Castelo de Koerich, uma ruína cheia de ambiente que agora recebe eventos culturais. Originalmente construído no século XII em estilo românico, foi depois reconstruído em estilo gótico no século XIV e, mais tarde, no estilo barroco, tendo possuído um fosso ao seu redor e uma entrada fortificada. As torres, uma delas correspondente à antiga capela, e muralhas exteriores são um exemplo de castelos implantados nas terras baixas e neste, também conhecido por Grevenschlass, há ainda a realçar a sua proximidade com a igreja e o casario da povoação, resultando num belo conjunto. É, no fundo, um bom resumo e imagem deste icónico Vale dos Sete Castelos e, ao mesmo tempo, do empenho do estado luxemburguês em manter viva a sua história.

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