Pelos Balcãs


A escolha para o passeio de Verão recaiu este ano pelos Balcãs.
O objectivo era concentrarmo-nos no Montenegro, numa visita de norte a sul, e preencher o resto dos dias com visitas pelos países vizinhos. 
Trabalho de casa feito, vimos uma série da BBC sobre a morte da Jugoslávia, lemos Ivo Andric, mas escapou-nos Ismail Kadare.
Por questões de comodidade de deslocação ficou estabelecida a entrada por territórios da ex-Jugoslávia em Dubrovnik, Croácia. Há cerca de doze anos havíamos andado por aqui e desde essa altura ficou o desejo de visitar Mostar, a cidade mártir da ponte destruída, e as montanhas belíssimas da Bósnia Herzegovina. Fizemo-lo agora, num raid de um dia a partir de Dubrovnik.  
Daí seguiríamos o Adriático para sul rumo a Kotor, já no Montenegro, e adentraríamos o país até ao norte, onde fica o Parque Nacional Durmitor e os canyons de Piva e Tara.
De novo chegadas ao sul do Montenegro, uma nova realidade, mais distante da Europa, mais próxima da influência otomana e oriental, esperava-nos Ulcinj, na fronteira com a Albânia. 
Esta seria percorrida rapidamente até ao Lago Ohrid, partilhado entre a Albânia e a Macedónia. A tia havia estado na ex-Jugoslávia há mais de três décadas e o Ohrid tinha passado da sua memória para a minha, daí que não o pudesse perder de vista. 
De volta à Albânia, onde apanharíamos o avião no fim da viagem, as expectativas não eram muitas. Pelo contrário, a Albânia estava no casting mais para compor os dias e porque era mais fácil viajar de Tirana, sua capital, para Lisboa. Mas o inesperado acaba por seduzir mais e foi neste país completamente afastado das rotas do turismo (ao contrário de todos os outros lugares visitados) que nos sentimos melhor e onde comemos melhor. E contra a vontade da mana não visitamos uma praia sequer da Albânia, únicos locais do país que nos dias de hoje poderão receber mais do que uma vintena de forasteiros.
Em resumo, os Balcãs em Agosto é uma região extremamente quente e pejada de turismo. Muitos alemães, austríacos, sérvios e búlgaros. Não foi fácil encontrar locais de refúgio longe das multidões, mas o bom da história é que procurando-os ainda os encontramos, uma enseada ou reentrância do mar ou do lago. Nas nossas memórias ficará a expressão de contentamento da Katarina de Ohrid quando, aterrorizada eu com os magotes que ocupavam a beira da água do lago – a lembrar o Piscinão de Ramos, lugar omnipresente na nossa imaginação durante toda a viagem – lhe perguntei se por ali todos os lugares tinham muita gente: a boa da moça respondeu efusivamente um “yes! lot’s of people!”. Só tivemos vontade de fugir e nem melhorou que Katerina dissesse que Novembro era melhor, faltando-me a coragem para lhe perguntar se nessa época o lago congelaria. 
Não fugimos, não perguntámos, pusemo-nos a caminho e passeámos sem parar.

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