Dubrovnik

Dubrovnik doze anos depois tem muito mais gente a visitá-la, assim como em 2003 eram muito mais os visitantes do que doze anos antes. 
Em 1991 a cidade velha de Dubrovnik, aquele postal muralhado repleto de telhados vermelhos, com as águas brilhantes do Adriático a torneá-la, foi bombardeada por ocasião da guerra da independência da Croácia, no que veio a ser o fim da Jugoslávia.
Numa das entradas da cidade velha podemos ver um mapa onde estão marcados os telhados que sofreram as consequências das bombas: dois em cada três receberam-nas e destes muitíssimos ficaram totalmente destruídos. 

O ano de 2003 – ano em que a visitámos pela primeira vez – era já testemunha do árduo trabalho de recuperação deste lugar incrível que hoje está ainda mais na moda, muito também à boleia da série Game of Thrones que é filmada por estes lados. É uma emoção poder admirar todo este esforço de reconstrução, uma vez que qualquer adolescente dos anos 90, época da Guerra dos Balcãs, tem memórias da estupidez a que levou a divisão das etnias nesta região da Europa.
Mais emoção ainda sentirão aqueles que visitaram Dubrovnik em plenos anos 90, telhados destruídos sobre telhados destruídos, como é o caso do casal de brasileiros que encontrámos agora enquanto percorríamos as muralhas da cidade.

A visita às muralhas da cidade (muros entre 6 e 22 metros) – depois de uma subida pelo teleférico que nos dá uma perspectiva esmagadora de Dubrovnik lá do alto da montanha – é obrigatória. Como curiosidade, diga-se que em 2003 pagámos 15 kunas pela entrada e em 2015 o preço da entrada passou a “somente” 100 kunas. Acrescento a título informativo que a kuna não teve flutuação especial face ao euro durante este tempo. O turismo é muito bonito.

A “pérola do Adriático” de Lord Byron ou o “paraíso na terra” de George Bernard Shaw é hoje uma cidade medieval de influência barroca extremamente bem conservada e atraente. 
Aqui perto começou por existir uma cidade romana, desde o início muralhada para a proteger das invasões quer dos piratas quer de estados rivais. No século XII Ragusa, o seu nome de então, era  um importante centro de comércio, ligando o Mediterrâneo aos estados balcânicos. Ficou depois sob autoridade veneziana e no século XVI não se livrou de pagar tributo ao império otomano. A sua prosperidade viria a ser interrompida por um terramoto no século XVII, mas também pela concorrência das novas rotas entretanto surgidas e pela emergência de novas forças navais rivais. Depois da sua tomada pela França de Napoleão, Dubrovnik viria a ser cedida ao império austro-húngaro, com quem ficou até 1918, altura da criação da Jugoslávia. Este padrão histórico (romanos, venezianos, otomanos, austro-húngaros) é comum a muitos estados balcânicos, verificando-se que as ondas nacionalistas tiveram o seu início na segunda metade do século XIX para não mais deixarem de estar vivas – até aos dias de hoje.

Se a cidade velha vista de cima é um mimo, o sentimento não muda muito quando percorremos as ruas ruas estreitas e desniveladas. Cá em baixo encontramos igrejas, mosteiros, palácios, fontes, cafés e, sobretudo, a fantástica Stradum, ou Placa, a rua principal – pedonal, como toda a cidade muralhada. O seu chão parece mármore e a silhueta das pessoas aí reflectida faz-nos lembrar pequenos e estreitos riscos pretos num quadro branco. 

Para além de caminhar pelas suas ruas e de um mergulho no Adriático um pouco à direita do porto de Dubrovnik, junto a um dos omnipresentes campos de polo aquático (a Croácia obteve o segundo lugar nos mundiais da semana passada, perdendo na final para a arqui-rival Sérvia), entendemos apenas entrar no Museu War Photo Limited. Neste edifício de dois andares são apresentadas fotos da guerra que levou ao fim da Jugoslávia, sim, mas também fotos de outros conflitos, como a recente guerra na Ucrânia. Extremamente educativo e incontornável, pois é difícil não recordar os conflitos armados enquanto se percorre grande parte dos Balcãs. 
Ao final do dia, um segundo mergulho na Península de Lapad, já muito para lá da cidade muralhada. Foi aqui que tivemos a primeira sensação de termos chegado ao Piscinão de Ramos, mas foi aqui também que soubemos perseverar até encontrar um local onde pudéssemos dividir o espaço com menos de uma equipa de polo aquático. A água, essa, não deu nem para refrescar – mais de 30 eram os seus graus.

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