Piodão

O Piodão costuma carregar consigo todos os clichês que se podem imaginar. Desde o “aldeia mais típica de Portugal” ao “aldeia presépio”, tudo serve para a adjectivar. Até o Huffington Post se lhe referiu o ano passado como a “adorável aldeia portuguesa que parece saída dos Flinstones”.
Não estamos na idade da pedra, mas é uma pedra / rocha que faz a fama da aldeia do Piodão.
O xisto é o rei por estas terras e o Piodão é apenas o lugar onde ele está mais concentrado como material utilizado para os edifícios – casas, sim, mas também pontes, degraus e caminhos.



Pese embora os clichês, é uma realidade a delícia que é confundirmos desde longe o casario instalado numa parede do vale, como se de socalcos se tratasse, mais parecendo casinhas de brincar, e irmo-nos aproximando e distinguindo cada vez melhor esse casario da terra onde está instalado. 




As portas e janelas carregadas de tinta azul viva ajudam a quebrar a monotonia monocromática deste pedaço da Serra do Açor. Com efeito, desde a integração do Piodão no projecto das Aldeias Históricas de Portugal, todas as casas em cimento e telhados de telha têm vindo progressivamente a ser convertidas em casas de paredes de xisto e telhados de lousa, no sentido de recuperarem os materiais tradicionalmente utilizados na região.
Resultado? As casas agora bem restauradas e conservadas são um mimo. 


Apenas a igreja alvíssima destoa da paisagem, ainda que no bom sentido, adornando-a ainda mais. 
Diz-se que foi mandada construir por um padre vindo do Alentejo, tendo aqui replicado as cores brancas da sua terra.

(no mau sentido, ou pelo menos num sentido estranho, as antenas brancas da Meo e da Nós marcam também hoje a paisagem de uma forma intensa)



As pequenas ruas da aldeia não são fáceis de percorrer, quer pelo seu piso sinuoso quer pelo seu declive acentuado. Todavia, tal só lhe confere ainda mais carácter e valoriza a experiência de se percorrer um povoado característico.


O Piodão foi desde sempre uma região muito isolada. Diz-se que os criminosos fugiam para lá e que sentiam estar no “pior do mundo” – o “piodam” entretanto transformado com o tempo em Piodão. Historicamente não se sabe com certeza quando começou a sua habitação. Como havia já referido a propósito de um post sobre Aldeia das Dez (a cuja freguesia o Piodão chegou a pertencer), um recenseamento joanino de 1527 informava ter o Piodão nessa época dois habitantes. Talvez pastores de rebanhos. Ou certamente dedicados à agricultura. Estas duas actividades são ainda nos nossos dias as predominantes entre os habitantes da aldeia, sendo visível o cultivo de algumas (poucas) terras na sua envolvente.



Hoje parte do concelho de Arganil, o Piodão é a zona mais turística da região. Pequena como é, não é fácil dividir o espaço com os outros enquanto caminhamos pelas suas ruas estreitas e num dia de calor deve mesmo ser impossível compartilhar a sua praia fluvial com os magotes de visitantes. Impossível, igualmente, evitar as muitas bancas com artesanato e produtos gastronómicos locais. 
O isolamento acabou.

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