Igreja do Colégio

O Largo do Município é um pedaço do Funchal recolhido do mar que não se deve perder. A sua praça, com uma fonte no meio, é toda em chão de calçada portuguesa, num desenho muito característico a branco e preto, extremamente cativante até pelo conjunto coerente que forma com os edifícios envolventes. 

Aqui fica a Câmara Municipal (antigo Palácio do Conde de Carvalhal), o antigo Paço Episcopal e sua arcaria (hoje Museu de Arte Sacra) e a Igreja do Colégio. Tudo edifícios brancos salpicados aqui e ali com remates pretos que circundam as janelas e as portas. Uma enorme e aborrecida monocromia, poderia pensar-se, não fosse o facto de ter utilizado a palavra “cativante” umas linhas acima. Denunciei-me e denuncio-me novamente: este Largo é lindo.

E ainda não entrámos na Igreja do Colégio, que se nos apresenta com as suas linhas rectas da fachada com três corpos e topo triangular. Nem as esculturas dos santos na fachada nos preparam para o seu interior. Aqui é fácil até para um não católico ter uma epifania. De interior todo ele decorado com azulejos e pinturas, a cor irradia e toma todos os nossos sentidos. Que ambiente. E que riqueza. São oito capelas laterais que nos vão surpreendendo até chegarmos à obra maior do altar-mor e seu retábulo em talha dourada, encimado pelas armas reais. A decoração desta igreja marca a transição do estilo maneirista europeu para o barroco português.
A igreja dedicada a São João Evangelista começou a ser construída em 1629 (o retábulo é de 1646) e é um exemplo típico de templo jesuíta. Toma o nome “do Colégio” porque está colada ao lugar onde os frades leccionavam no século XVI, sendo hoje este espaço da Universidade da Madeira. O Colégio é anterior à igreja e a sua fundação em 1569 faz dele o primeiro colégio jesuíta fundado fora do espaço continental europeu.

Para algo mais terreno, há que não deixar escapar a subida à torre da igreja. Está bem que o Funchal é acidentado, uma verdadeira cidade anfiteatro e o que não faltam são pontos de vista elevados. Mas vista privilegiada como esta é um perfeito bónus. Lá no alto (que não é assim tão alto) percebe-se nas nossas costas a mais altaneira Fortaleza do Pico, à nossa esquerda a Câmara Municipal e sua torre recuada de avistar navios e à nossa frente, num exclusivo para quem teve a feliz ideia de subir à Torre da Igreja do Colégio, a calçada ondulada da Praça, a Torre da Sé e aquele mar. Aquele mar azul cintilante que nos faz balançar entre deixarmos-nos por ali a contemplá-lo ou seguir imediatamente em sua direcção para nele mergulharmos.

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