Da Expo 98 ao Parque das Nações


Até à decisão de acolhimento da Exposição Universal de 1998 nos terrenos do que é hoje o Parque das Nações, esta zona era dominada por um forte carácter industrial e portuário. Aqui estava a refinaria da Petrogal e outras ligadas à indústria petrolífera, o Matadouro de Lisboa, o Aterro Sanitário de Beirolas, o Depósito de Material de Guerra, a Fábrica de Pólvora e outros mais. 

Como marca desse passado não tão longínquo assim, ainda hoje subsiste a Torre da Galp, perto do Hospital CUF Descobertas. E nos poucos terrenos livres para construção deve também subsistir a dificuldade para se escavar o solo agredido por décadas e décadas de indústria pouco amiga do ambiente.

Junto ao rio desenvolveu-se em tempos uma vibrante actividade portuária e a via férrea que pela sua linha corria (e corre) era igualmente um factor de atracção de unidades de produção. Mas a decadência, degradação e poluição eram já gritantes nos anos 90. Para quem por aqui perto sempre viveu era fácil um desconhecimento da realidade. Certo que sentia por vezes um mau cheiro no ar e ouvia que a culpa era de uma tal Beirolas. O mais perto de se chegava do rio, sem nunca o vislumbrar, era do pavilhão do ginásio do Atlético de Moscavide. 

Na década de 90 as obras foram acontecendo e mesmo os vizinhos não suspeitavam a volta que levaria toda esta área de fronteira entre a região mais oriental do concelho de Lisboa e o concelho de Loures. 

Anunciava-se uma nova cidade e foi isso que das águas do Tejo emergiu, como um milagre inspirado nas epopeias dos nossos navegadores. 

O pretexto foi a Expo 98, dedicada aos Oceanos (embora o móbil tivesse sido os Descobrimentos Portugueses – repare-se que em 1998 comemorava-se os 500 anos da viagem de Vasco da Gama à Índia). Muito cepticismo rodeou o pretexto, mas creio que nem mesmo o mais pessimista então não pode deixar de reconhecer uma real revalorização e revitalização de uma parte da cidade de Lisboa que pura e simplesmente não existia para os cidadãos. Mais, terá começado aqui a ideia de devolução do rio à cidade, que hoje se reivindica – e vai manifestando – em toda a extensão de frente de Tejo por Lisboa.


Assente num planeamento urbanístico rigoroso (embora muito do previamente planeado tenha ficado pelo caminho), a Parque Expo, entidade encarregada desta empreitada, reconverteu usos e procurando respeitar o ambiente e a paisagem criou uma nova centralidade na cidade. 

A Expo 98, numa época de euforia no nosso país, pretendia mostrar ao mundo um Portugal moderno e virado para o futuro. Não desconheço que as festanças se pagam e que esta se terá feito pagar muito bem. Mas do ponto de vista urbanístico o legado da Expo 98 é um sucesso. Trouxe a tal nova centralidade à capital do país, novas infra-estruturas e novos equipamentos, novas áreas residenciais, comércio e serviços e novas zonas verdes.

Quase vinte anos depois, do ponto de vista de residente faço um balanço simples e curto: a qualidade de vida é muito boa, sendo o Parque das Nações praticamente auto-suficiente em termos de serviços e comércio, com destaque para a qualidade ambiental e paisagística superiores que oferece; as acessibilidades, quer de transportes públicos quer de transporte privado, deixa a desejar – o metro fica apenas no centro empresarial do Parque e esquece os residentes das zonas limítrofes e as filas de carros chegam a ser insuportáveis às horas de ponta. Este último aspecto, o das acessibilidades, mostra, creio, que a realidade da “cidade imaginada” do pós-Expo 98 superou a ambição dos seus criadores. A nova cidade não morreu com a Expo 98 e aí está bem viva e aberta ao mundo.

Eis as mais emblemáticas obras que a Expo 98 nos legou, espalhadas ao longo de cerca de 5 km de frente de rio:

    Ponte Vasco da Gama

    Gare do Oriente

    Torre Vasco da Gama 

    Pavilhão de Portugal

    Pavilhão Atlântico

    Oceanário 

    Pavilhão do Conhecimento

    Teatro Camões

    Mobiliário urbano 

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