Chaves


Chaves é uma daquelas cidades portuguesas pela qual quase todos nós sentimos simpatia sem sabermos muito bem porquê. É a água, é o pastel, é o presuntinho (que trilogia!). Chaves é carismática. E bonita.

Mesmo na fronteira com Espanha, a Aquae Flaviae fundada por Flávio Vespasiano no ano 78 foi uma cidade próspera do império romano. A salubridade das suas águas era já motivo de História e lendas.

Ainda hoje as Termas de Chaves são concorridas e não há melhor lugar por onde começar um passeio pela cidade do que, precisamente, por aqui. Junto às Termas encontramos o pavilhão donde provamos a água termal directamente da fonte local. Uma água bicarbonatada hiper quente – 73 graus – oferecida num copo. Claro que existem uns belos banquinhos e um ambiente repousante para aguardarmos que a água nos deixe de queimar a garganta. Ao final, há quem não goste do sabor desta água, mas eu gostei.



Das Termas podemos seguir pelo Jardim do Tabolado junto ao rio Tâmega e atravessar a Ponte de Trajano, um dos ex-libras de Chaves. Esta ponte romana do século I ou II é uma construção em granito com 12 arcos (e 4 enterrados). Ao caminharmos pela ponte encontramos 2 colunas epigrafadas, mas são os reflexos dos edifícios e das árvores no rio que roubam a nossa atenção.



Voltando a atravessar a ponte, rumamos então ao centro histórico flaviense. Já antecipando o final da viagem, este é provavelmente um dos conjuntos urbanos mais harmoniosos e com mais sentido das cidades pequeno-médio portuguesas.
É um prazer caminhar pelas ruas estreitas medievais de Chaves, em especial pela Rua Direita, sempre com o olhar colado nas suas casas coloridas e nas suas varandas de madeira. Diz-se que a construção destas varandas era uma forma de ganhar espaço às suas pequenas casas. Estas casas populares são características de Chaves e o seu maior encanto.





O alto da Torre de Menagem (o que resta do Castelo, bem como um pouco da muralha) é um óptimo ponto de vista para este colorido do centro histórico da cidade e demais envolvência do Tâmega. 




Existem ainda outros locais aprazíveis em Chaves, como alguns jardins e o Forte de São Francisco. A Igreja Matriz é interessante e, dizem, a Igreja da Misericórdia obrigatória. O Senhor Padre estava de férias por altura da minha visita, logo, nada de abrir a dita beleza obrigatória aos olhares forasteiros interessados. Voltem outro dia. Ou quando as férias acabarem. Quais? As dele? Ou as minhas? 




E, para terminar num outro tipo de beleza, Chaves tem para nos oferecer desde o ano passado o Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso. Um caminho de terra junto ao rio Tâmega leva-nos até um edifício longo branco que se vai desenvolvendo para lá de um pequeno muro de granito. Pura ruralidade. 


Para qualquer um que goste de arquitectura e do Siza é fácil distinguir as linhas do arquitecto Álvaro Siza Vieira. Mas, admirando-o, não é fácil concordar com ele quando diz que este projecto é pura racionalidade. Não, é pura emotividade. Mais fácil é concordar com Souto Moura quando diz que este é provavelmente um dos maiores projectos do Siza. É simplesmente uma obra-prima. Uma plena integração de edifício e lugar. 


E o interior torna tudo ainda mais perfeito com os cortes das janelas a deixarem o rio vir ter com as obras em exposição. 


E onde fica Nadir Afonso no meio disto tudo? O artista flaviense (e os demais artistas em exposição) encaixa aqui na perfeição e um projecto arquitectónico desta envergadura ajuda a revelar todas as facetas de Nadir, um artista multifacetado que tem aqui uma homenagem à sua altura.

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