A frente ribeirinha de Vila Franca de Xira – de Vila Franca de Xira à Póvoa de Santa Iria

O percurso que se segue tem cerca de 22 kms e pode ser efectuado de bicicleta. A sugestão é chegar a Vila Franca de Xira de comboio e daí seguir a pedalar até à Póvoa de Santa Iria.

Eis então que à chegada à estação de Vila Franca logo nos dirigimos para o Jardim Municipal Constantino Palha, pedaço de verde junto ao Porto de Recreio e Cais da cidade.

À saída da estação já tínhamos dado de caras com o “Monumento ao Toureiro” e agora temos à nossa disposição o “Monumento ao Avieiro”, de um lado, e o “Monumento de Homenagem ao Cais da Jorna”, do outro. Vila Franca de Xira é terra de fortes tradições e heranças sociais e culturais e isso sente-se a cada passo.

Seguindo junto ao rio em direcção a Lisboa, deixado o Cais para trás logo um poderoso edifício se apresenta. É a Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira, uma aquisição recente da zona ribeirinha do Tejo.

No lugar anteriormente ocupado por uma fábrica de descasque de arroz, a “Fábrica das Palavras”, designação oficial da biblioteca, fica espremida entre a linha de comboio e o rio Tejo. Parte integrante (e marcante) da requalificação da zona ribeirinha, o edifício da autoria do arquitecto Miguel Arruda que viu a luz em 2014 tem uma forma singular, um enorme trapézio ou um enorme quase triângulo, conforme o ângulo donde o observamos.

A fachada branca toma uma série de cortes, conferindo uma dinâmica interessante ao edifício, ao mesmo tempo que permite que do seu interior se desfrute da paisagem natural. Uma espécie de ponte liga de forma elevada o edifício da biblioteca à cidade para lá da linha do comboio, vencendo esta barreira construída e aproximando os elementos.

A praça de entrada é um novo espaço de encontro. Para se deixar estar sob o céu ou, mais activamente, a deslizar num skate. Muito bem conseguida a parelha do edifício contemporâneo com o antigo edificado.

Daqui seguimos pelo Caminho Pedonal Ribeirinho até Alhandra, sempre lado a lado com o Tejo.

Inaugurada em 2005 e estendida em 2008, esta obra foi construída ao abrigo do Programa Polis. São 3 gratificantes kms onde se pode caminhar, pedalar, descansar ou piquenicar sempre com a companhia do Tejo para contemplar. A paisagem é belíssima. O rio, a Lezíria e o Estuário, um conjunto ambiental de absoluta tranquilidade.

Avistamos a Praça de Touros mesmo ali, ainda que do outro lado da linha de comboios, e vamos vendo desfilar muita arte urbana a céu aberto junto à natureza em estado puro.

Em poucas povoações a tradição tauromáquica é tão popular como em Vila Franca de Xira e os grafittis neste caminho ribeirinho relembram-na, assim como se integram de forma perfeita na paisagem local.

Temos ainda espaços onde podemos desfrutar do rio numa proximidade intensa e em quase exclusividade.

A chegada a Alhandra vai-se percebendo à medida que vamos vendo aproximar as enormes torres das suas indústrias e a sua pitoresca igreja que nos acostumámos a ver desde a A1.

Alhandra é uma povoação muito ligada ao rio e os desportos náuticos são uma tradição. Não falta a homenagem a Batista Pereira pelas suas travessias a nadar e na água do rio vêem-se deslizar as muitas canoas do clube local.

Passado o Cais de Alhandra temos de adentrar e seguir uns kms pela Estrada Nacional. A razão? O percurso ribeirinho é aqui impossível, seja pela presença da linha do comboio, das indústrias, dos terrenos militares ou até da zona de sapal. Só voltamos para perto do Tejo em Alverca, depois do Museu do Ar (aqui fica o Complexo Militar de Alverca, o qual ocupa um enorme terreno junto ao rio).

E assim chegamos ao Parque Linear Ribeirinho do Estuário do Tejo.

Para chegar à sua zona de cafeteria na entrada principal há que percorrer 3 trilhos: o Trilho da Estação, o Trilho da Verdelha e o Trilho do Tejo.

O Trilho da Estação possui cerca de 1,5 km e segue junto à linha de comboio e ainda afastado do rio.

O Trilho da Verdelha, com cerca de 2 km em terra batida, começa por ser um caminho estreito ladeado de vegetação alta que segue junto à Ribeira da Verdelha. Até que depois a paisagem se abre na foz e um misto de elementos se juntam. O imenso Tejo, a esmagadora concentração de urbanização do Forte da Casa e a Ponte Vasco da Gama, já em Lisboa, bem lá ao fundo. Mas o caminho segue tranquilo e com muita natureza para desfrutar e contemplar. Os ecossistemas de sapal e de aves são um ex-libris desta zona.

O Trilho do Tejo são 700 metros sobre um passadiço onde a natureza continua a deslumbrar. O rio, o sapal, antigas salinas e terrenos agrícolas fazem-nos companhia.

Até que chegamos à Praia dos Pescadores. Até aí uma enorme diversidade de espaços foram atravessados. Espaços industriais, urbanos, agrícolas, naturais, numa diversidade infinita. Acerca desta Praia dos Pescadores, no Parque Linear Ribeirinho, e do Parque Urbano da Póvoa, que se lhe segue, falei em tempos aqui.

Entretanto, agora em Julho foi inaugurado um novo troço e um novo parque, o Parque Ribeirinho Moinhos da Póvoa, mais 1800 metros até ao limite do concelho de Vila Franca de Xira, à espera que Loures continue o trabalho até se aproximar de Lisboa. Rio de um lado, com o grasnar insistente das aves, mais fábricas – como a Solvay – e armazéns – como a FedEx – do outro.

Uns 600 metros numa linha exterior ao Tejo ligam estes dois parques, passando por antigas fábricas hoje esventradas e graffitadas. Um ambiente de mistério a acrescer a todos os anteriormente vivenciados e expressão inequívoca da decadência de uma das economia outrora centrais no concelho.

Eis algumas fotos mais destes Parques que possuem uma série de valências expressas em infra-estruturas como cafetarias, parques de merendas, zonas de recreio e espaços científicos e de conhecimento, como o são o Centro de Interpretação Ambiental e da Paisagem e o núcleo museológico “A Póvoa e o Rio”, anteriormente melhor explicado no post acima referido. Vila Franca de Xira, terra rica em tradições que tenta preservar, é também uma terra que se orgulha dos seus escritores. Entre os seus nomes maiores encontram-se Soeiro Pereira Gomes, Álvaro Guerra e Alves Redol. Este último, com a sua obra Avieiros, dá-nos a conhecer a vida destes pescadores migrantes do Ribatejo que hoje são aqui lembrados e homenageados.

Paisagem, tradição e cultura é o que encontraremos neste passeio ribeirinho de Vila Franca de Xira à Póvoa de Santa Iria.

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